quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

CONTOS MAIS QUE CURIOSOS

É triste ver  gente traírem um verdadeiro amigo ou parceiro por um punhado de dinheiro...Trair feito um Judas; depois de sua alma vendida,vem a solidão ou outros falsos ao  lado; e a conclusão que pouco se recebeu.
Afinal, caminhar nesta vida incerta sem o amor e amizade verdadeiros
 e o mesmo que ter a ceia na mesa e não poder se deliciar de uma única iguaria ,
 pois seu "câncer"  o impede da felicidade...
 Certa a escuridão eterna o esperar, mas já entre aviso está,
pois sua cegueira física e espiritual, já é um preparado para as trevas.

 CONTOS MAIS QUE CURIOSOS 

Nascido na cidade de São Caetano do Sul, São Paulo, em 14 de agosto de 1964, o poeta e escritor Mário Amâncio Azevedo ainda criança já se interessava por artes em geral. Exerceu diversas profissões no decorrer da vida, mas sua principal ocupação foi a gastronomia, outra arte de seu interesse. Mas foi com a poesia que se encontrou e iniciou suas primeiras linhas como escritor. A conselho de amigos foi reunindo seus devaneios e inspirações poéticas.O livro de Contos surgiu depois da volta a São Paulo, e sua caída de uma grande depressão.

 

MÁRIO AMÂNCIO AZEVEDO




 

O PROFESSOR, O ESCRITOR E A MORTE



De uma admiração no YouTube devido ao talento e sabedoria de um professor do sul do país, surge um convite de uma parceria literária.O grande sonho de um poeta e contista estava a ser realizado;nada melhor que um grande professor  conceituado e que tinha muitas visitas na internet.
E assim foi enviado o trabalho de anos do escritor sonhador, e com boas promessas do fim ou começo do Brasil, o escritor calmo esperou o resultado,mas a correção nunca veio,muito menos respostas das mensagens enviadas.
Enfim, vamos pular o título e ir a outra história.


O POETA AO ENCONTRO DA MORTE

A muito jogaram areia no seu sonho,sentindo com o tempo esgotado e  sem forças devido a problemas comuns que todos tem na vida,foi entre trancos e barrancos tentar vencer a má sina, mas algo oculto e diabólico impedia da sua obra sair.Sendo assim procurou ajuda num lugar onde se identifica e confia...
Um  centro espírita Kardecista!
O primeiro motivo a ter procurado foi por um cidadão que morava no mesmo bairro e que frequentava o mesmo ambiente e que de vez em quando se estranhavam; o outro mais importante a ele foi o motivo do sumiço do editor que o contatou.Quatro meses sem resposta em emails ou outras formas depois que foi enviado o contrato assinado; a neurose e sentimento de desprezo tomava conta do homem, sorte a sua ter uma aliada na redes sociais, a ouvinte amiga e de uma espiritualidade ímpar, a santa ajuda vinha de Amanda, uma mulher madura e paciente como Jô a tantas lamurias do seu amigo virtual.
Sendo assim se locomoveu a pé até o Obreiros, lá foi atendido por uma senhora que aparentava uns 80 anos, ela sorridente e cheia de vida parecia uma menina devido ao seu brilho.Na sala ao entrar o peso e o desgosto já aparentava ter saído daquele corpo.
Ele conta o porquê da sua ida a casa, ela o instrui e confiante ele parti depois de horas;antes de chegar em casa ele passa no estabelecimento comercial, lá ele encontra o homem que o estranhava e que ele também sentia o mesmo,O homem na hora que o viu brilha seus olhos, sorri e o cumprimenta. Há mais mistérios na vida de que nossa vã filosofia.
No outro dia como mágica o editor manda um e-mail dizendo que o livro seria publicado, e assim feliz dorme o poeta e contista.
Mas muita coisa tinha ainda a frente,umas das mais perigosas foi o sumiço do professor conceituado que ia fazer a revisão, de fato um dedo diabólico ou outra força mundana e surreal, levava a consumir a energia e forças do escritor.
Sendo assim sai numa noite sem eira e beira e se defronta com um homem perigoso e armado,o escritor era dado a boemia, mas aquele dia estava de cara limpa e sem álcool no sangue, Era tarde da noite, sem dinheiro e rumo conversava com outro na frente de uma lanchonete noturna, quando passa um homem e devido alguma palavra que um dos dois disse ele se vira e saca sua arma.
A arma era enorme, o alemão corre feito um rato dentro da lanchonete, nisso o escritor se vê em frente ao homem que dispara um tiro...A fumaça da bala em atrito do asfalto sobe até seu joelho, mas antes de tudo ele viu um outro homem colocando a mão na frente do atirador e soprava algo em seu ouvido Da mesma forma que quando conversava com o alemão um outro homem tentava pegar no mesmo, o escritor achou que eram vivos, mas chegou a conclusão que não!
Ao disparar o tiro o escritor pensa, vou morrer como homem e não um covarde, estufa o peito e abre os braços e diz - Calma sou apenas um poeta/escritor.
O home feroz manda ele ir embora,ele ao dar as costas pensa que ele ia atirar.mas não o fez.
Chega em casa e dorme tranquilo e sem medo do acontecido, seu sangue estava frio a tempos; com o tempo ele conta a Amanda.
E por muito tempo ele troca mensagens com ela, até a notícia da data oficial da sua obra lançada, mas não seria ainda dessa vez, e mais uma vez o destino seria cruel.


A  TRISTEZA DA PARTIDA


Quando o autor recebe seu livro corrigido ao fazer a revisão encontra muitos erros, a revolta pelo abandono do professor aumenta em sua mente, então pensa em corrigir seu próprio livro.Ao enviar depois de dias recebe a notícia da data a ser lançado e a tarde a notícia de que Amanda havia falecido, A amiga que dizia ser a primeira a estar a pegar uma dedicatória,depois do livro recebido muita coisas boas aconteceram,mas um vazio se instalou por tempos.






A MALA PRETA






A Vida nunca foi fácil a ninguém, um impasse aqui no trabalho, em família, um desaforo no decorrer da vida, um limão a engolir goela abaixo do empregador...Críticas alheias.Bem, não nos faltam negativismos ou mesmo o lado o positivo, dependendo do ângulo de visão de cada um
Nosso personagem oculto vivia já a perambular pelas ruas ,a olhar ao chão a espera de um milagre,afinal sua situação nada boa estava financeiramente; milagres são aqueles onde aparece um bom mecenas, um bom conselheiro ou quem sabe um anjo que se arriscou a se materializar e sentir de perto a dor humana.
E numa caminhada livre, em uma avenida bem tratada e arborizada,com flores gentis,e gentes a se exercitar, lá vai o quase andarilho, introspectivo e pensativo , ás vezes ao céu e chão e vice versa olhava.
Na mente uma dúvida e desejo, poxa!? Porque não aparece uma maleta,uma valise cheia de dinheiro!?
Depois de muita caminhada, sempre em linha reta, virou a esquina do seu inferno astral, logo na descida uma igreja evangélica que estava fechada ao outro lado um terreno com peças de carnaval, um deposito do que sobrou itens  da maior festa popular brasileira.
Para seu espanto ele vê uma mala preta, nova e misteriosa,seu coração bate forte, o desejo de pegar a mala era grande.Mas, algo lhe toca na alma.Não!Não posso possuir algo que não sei da providencia...
Partiu dali de mãos vazias e no mesmo estado material atual,mas de coração e alma leve.
Se existe ajuda que venha de uma forma menos surreal e mística, este provável abraçaria esse feito.
A vida prossegue e os ensinamentos também, afinal o que é da terra ira para terra.




MARIA A BÊBADA



Ela foi casada,teve filhos,os criou e educou.Contava com seus cinquenta anos quando o desgosto chegou e as bebidas se entregou.Motivos ninguém nunca soube. De estatura pequena,sem alguns dentes na frente,maltrapilha e fedendo a mijo,os cabelos parecendo um campinho duro empoeirado. E assim vivia Maria ,bebendo pinga pura ao acordar da rua,onde boa parte dormia ao relento,salvo raras vezes em sua casa.Os filhos fizeram de tudo para retiraram das ruas,mas era em vão seus esforços. A bebida chegava a Maria de graça,pois seu odor fazia com que as pessoas pagassem para que ela partisse do recinto,afinal era uma figura ruim de se ver e sentir. Certo dia um ser sensível a encontrou.Essa foi a quarta vez na vida dele; o sol naquele dia fazia uns 40 graus ao meio dia, as pessoas passavam ao seu lado,ela desmaiada,morta ou nocauteada pelo álcool no chão duro.A sua frente uma linda igreja,ao lado um ponto de ônibus.  lotado de gente ansiosa a ir almoçar ou trabalhar...O coração do homem se compadeceu, ele então de abaixou e colocou um cartão de poesia onde a mensagem dizia a respeito de ser feliz, voar ..Enfim mudar!. Na frente do cartão tinha o desenho de um anjo,ali ele faz um prece e deseja sua libertação. Passa um bom tempo, o homem a encontra limpa, penteada e sem o álcool,para a sua surpresa tinha se libertado. Ele ficou feliz por ter sido usado a bons fins. Mesmo vendo ainda teve dúvidas do acontecido,anos se passaram e tal homem encontrou um amigo,e do nada ele comentou do caso da Maria, de lá foram ao mercado, e quem encontram? A mesma,limpa e sem álcool, eles se despedem e partem do supermercado. O tempo passou e de um papo informal com um casal de amigos,ficou sabendo que Maria tinha sido atropelada por um caminhão,a primeira pergunta que fez ,ela estava bêbada? Não, nunca . mais tinha voltado a ser alcoólatra.Como a vida é mágica,Maria partiu à um paraíso,outra dimensão limpa,e graças a outro simpatizante do álcool,que foi usado por forças invisíveis que nos rodeiam. Quantos casos ainda viria a ter em sua vida ou não? Tudo depende da procura,altruísmo e pura doação.





O ÍNDIO PAGO E O FERIADO




Era véspera de feriado de finados, mas como Paco vivia no mundo da lua, nem sabia ao certo, sendo assim se preparou todo naquela sexta feira quente e foi para a sua noitada.

Depois de se locomover de ônibus, trem e metro, chegando a seu destino, como de costume pediu uma cerveja, depois duas, três. Foi a  pista e dançou e cantou feito um maluco, quase sempre era assim, nem flertar flertava alguém.

Aquela noite na parte superior teve uma apresentação de uma cantora de música popular brasileira e Paco como curtia muito MPB, deixou a pista de dança e no segundo ambiente sentou e ficou , bebeu mais um pouquinho e lá cantou e se alegrou mais e mais.

Um rapaz meio que já embriagado também, puxou conversa e ficaram horas fumando e bebendo, dali pouco se aproveitou da conversa, o tempo passou o dia clareou e Paco agitado retornou pra sua casa. Nesta volta algo surreal aconteceu, Paco era uma pessoa até que respeitava as datas e religiões, mas ele não sabia da data que era, pois este respeitava em não beber, fornicar entre outras coisas mais em certos feriados.

Na estação de trem procurou um sanitário e lá aconteceu algo que Paco nunca esperava, ao entrar um indivíduo estava no mictório, Paco meio que embriagado urinou como nunca, nisso ele sente algo e olha para trás, ele vê umas bolinhas verdes, amarelas, vermelhas, azuis entre outras se movendo extremamente rápidas, nisso o homem que estava ao lado sai meio que me disparada. Quando menos espera um homem alto e forte de cor avermelhada, fica ai seu lado. Paco calado sai do sanitário e o grande homem o segue ali no corredor travam uma conversa informal. Entre apresentações e histórias banais, onde uma delas era que o grande homem era de descendência indígena, sua pele de fato era avermelhada e o cabelo preto, bem preto e escorridos, onde demonstravam  claramente sua etnia.No banco da frente havia um jovem senhor de uns 35 anos sentado na frente de Paco e do índio, ele olhava para Paco e depois ao lado do assento, e fazia uma feição de espanto, como pensasse , com quem ele está falando? Nisso Paco começa a observar algumas coisas diferentes naquele grande homem avermelhado, que eram suas pupilas e nas bochechas parecia ter uma tinta avermelhada como uma maquiagem indígena mesmo. O índio se despede e desce na próxima estação, Paco se vira pra janela e acena para ele, mas não viu mais nada.

Paco chega a sua casa e se banha, e cai na cama e tem o sono dos justos, quando acorda a tardinha, foi tomar seu café e vê sua mãe na cozinha ele sente que o dia estava diferente, sendo assim ele descobre através da sua mãe que era dia de finados, pois ela iria visitar um ente querido no cemitério, aí que Paco atinou, veio o olhar do índio em sua mente, o olhar do alemão com feição de espanto, as luzes coloridas no sanitário, que nada mais era que a materialização do personagem indígena. Sendo assim nos próximos anos de finados Paco se atentou quando era dia de finados e  nunca mais saiu para boêmias e a  esbórnia.



A VIÚVA E O BOTOX



Ela tinha feito uma sessão de Botox naquela quinzena, o resultado não tinha saído como de costume, uma reação a deixou com um belo sorriso, um sorriso tão enigmático como o da famosa Mona Lisa.

Suas saídas estavam sendo curtas, apenas da casa para o trabalho; trabalhava num escritório de advocacia e quando um cliente a visitava ficava meio que embaraçoso o clima, mas  explicava o acontecido, onde entre os  processos e risos tudo corria bem.

Mas a tal botocada não esperava pelo pior, numa manhã de domingo, seu amado e companheiro teve um "AVC" quando dormia,  falecendo em seguida. Aí seu sofrimento maior aconteceu, chorosa liga para o hospital mais próximo e dali se desenrola todo processo de despedidas do corpo do marido.

No velório comparecem parentes de longe e de perto, estavam ali para prestar sua última homenagem; a viúva com o sorriso no rosto estava cômica e até duvidava-se da sua tristeza e penar. As pessoas não entendiam o porque do sorriso e ouvia se um burburinho, cochichos maldosos entre alguns.

Até então chegou a tia encrenqueira do falecido, aí o bafon,a baixaria foi completa; aos gritos a tachava de mercenária capitalista, de mensaleira de partido político e chupadora petrolífera brasileira.

A viúva subiu ao céu e voltou em terra, seu sorriso aparentou que aumentou com a raiva, estão subiu  numa cadeira e fez o seu discurso. O caso do Botox e a sua reação, uns riam as escondidas outros abriram a boca num... Ooohhh de espanto.

A tia maluca se calou e ficou encabulada pelo que disse; a sogra do falecido que não era de deixar barato, pega a pelo braço e foi ter uma conversinha no toalete e de lá se ouvia gritos e palavras que não contam no dicionário.
Nisso o Botox foi perdendo a força e a feição da viúva foi voltando ao normal, depois do velório e sepultamento tudo voltou como era antes, menos na face de quem lembrava o acontecido e ficava com o sorriso misterioso da viúva botocada.


CAMILA A MUTANTE

A noite passou aconchegante e já se ouvia os  primeiros cantos dos pássaros na cidadela, Camila se mexe na cama de colchão de penas e se espreguiça deliciosamente tocando sem querer a perna de Diego, ele desperta e a fita nos olhos, mesmo sonolento ele a enxerga linda e sorridente. Ela sussurra no ouvido de Diego:

Dormiu bem amor?

Sim, minha vida..

Ele a beija na testa e se levanta, aonde caminha até a janela, as flores sorriam aquela manhã de primavera, o sol morno brilhava dourando o chão interiorano, Diego abre a janela e respira profundamente o ar límpido, vai até a cozinha onde coloca água para passar um bom e perfumado café.

Diego era um homem comum, tinha um sotaque forte de lenhador montanhês e costume de quem foi criado em meio à liberdade do campo e a vida simples e honrada, ele trabalhava numa serralheria e, desta arte vinha o sustento da sua casa e o da família. Camila tinha vindo de uma cidade grande e turbulenta, ao passear pela cidade encontrou a felicidade ao lado de Diego e a tranquilidade da cidade pitoresca e, sendo assim se casou rapidamente.

Na casa morava também a velha mãe de Camila, essa não incomodava em nada a vida do casal, até fazia companhia para Camila que tinha uma vida quase que solitária e comum; não passava  grandes acontecimentos em suas vidas, mas do dia pra noite a vida cor de rosa de Camila se transformou e uma aparente distância e indiferença do marido sacudiu sua vida.



Um novo contrato de trabalho para Diego o fez trabalhar na cidade vizinha, esta cidade era mais agitada e muitos homens se locomoviam longe de suas famílias atrás de melhores ganhos e, junto a essa movimentação da cidade, certas mulheres também eram atraídas, aonde se deslocavam de outras cidades a procura de boas aventuras.

Nas primeiras semanas de trabalho Diego teve que dormir no alojamento da empresa, era normal depois do trabalho a maioria dos homens irem  jogar um baralho, uma sinuca ou bilhar nos bares da redondeza e, como toda casa noturna, ali se encontravam uma máquina de música, bebidas e sempre uma mulher   solta a procura de um aventureiro. Sendo assim, Diego quase que inocentemente cai na teia de uma delas.


A semana passou demoradamente pra Camila, ela ansiava em ver seu marido de volta, vivia sentada na varanda em companhia da mãe e das borboletas que se alimentavam do néctar das flores, ali ficava as tardinhas ansiando pelo marido. Houve uma sexta feira que passou a tarde toda com o olhar fixo na estrada de terra batida, naquele dia algumas nuvens se juntavam no céu e caia uma chuvinha fina e alegre, o cheiro da terra já subia nas narinas de Camila onde a fez se sentir bem. Ao longe ela já via uma camisa xadrez vermelha e preta, onde ombros largos a sustentavam no ar, seu coração dispara e seus olhos brilham, era Diego e, logo em breve ela estaria nos braços de seu amado.



Diego já banhado se senta a mesa, ele de olhar vago comia dos manjares de sua mulher, ela ao seu lado feito uma boa amante o respirava e o alimenta de amor e de boas iguarias, afinal ele tinha se ausentado por um bom tempo, mas ela notava algo diferente nele.

Ele  termina a refeição e a  pega  pelos braços e a carrega para varanda, lá os dois ficam na cadeira de balanço, abraçadinhos e a lua cheia esplendorosa da um toque na cena.



Durante os domingos era dia de irem à missa e religiosamente à pracinha da cidade, lá tomavam um sorvete, observavam as crianças correndo e gritando alegremente. Planejavam um dia em ter filhos, mas não tão cedo. Depois de horas vão felizes para casa em sua caminhonete repleta de lembrancinhas da feira de artesanatos.

Camila levanta cedo na segunda feira e depois do desjejum vai lavar as roupas de uso da semana; Diego havia saído as cinco da manha, ele antes de sair passou a mão nas madeixas de Camila e a beija na testa; essa foi à última imagem vaga que a mulher tinha em sua mente de Diego.



 Camila levanta tarde aquele dia e vai à lavanderia, quando pega as roupas de Diego sente um cheiro diferente, um perfume adocicado, aquilo a fez gelar e, pensar coisas estranhas, mas para sua surpresa havia um bilhete escrito com batom, parecia coisa armada, qual homem casado, deixaria uma evidencia tão forte de uma tola traição.

O mundo caiu para Camila, ela estava sentido algo que nunca tinha sentido antes, insegurança, medo, ciúmes e nojo. Ela decide ir atrás de Diego no mesmo instante, então larga os afazeres de casa e, se enfeita toda. Ela vai para o centro da cidadela, onde compra uma passagem de ônibus até a cidade vizinha.



Camila já hospedada num pequeno hotel se banha e se arruma, onde prende os cabelos, se maquia fortemente, coloca um chapéu que escondia parcialmente seu rosto, veste uma roupa nova que tinha comprado na cidade e se transforma numa nova mulher. Ela espera a noite cair e sai para os bares noturnos. Como era uma segunda-feira o movimento não era tão intenso, mas os trabalhadores da redondeza sempre passavam nos locais para um drago ou uma conversa com outros colegas de trabalho.

Ela chega e senta num lugar afastado do balcão e, de lá observa quem entra e sai. Passam horas e nada, parecia ter sido em vão sua sentinela naquele estabelecimento, ela se levanta para ir embora, mas quando olha a frente magicamente vê Diego entrando, seu coração dispara e ela volta a se sentar. Ele senta num banco próximo ao balcão e pede uma bebida, depois se levanta e coloca uma música na máquina.

Camila às escondidas com de cabeça baixa e olhos sorrateiros observa tudo ao seu redor e, quando menos se da conta entra um bela mestiça e o abraça pelas costas, Diego a afasta meio que surpreso e como não estava gostando do acontecido, ela emburrada e desprezada se senta longe dele.

A situação de Camila estava embaraçada, tinha medo de sair e ele a ver, então ficou ali mesmo horas sorvendo seu suco, ela tomou coragem e pediu uma bebida alcoólica.

De repente no estabelecimento entra uma loira de estatura mediana e de seios opulentos, era uma Marilyn Monroe da vida, Diego sorri e ela retribui o sorriso de flerte e, num abraço e beijo quente tudo se confirma. Camila não acreditava no que enxergava em sua frente, ela sentiu náuseas, vontade de chorar e gritar, mas se segura e caminha para a saída rapidamente e, passa despercebida aos dois amantes.

Ela entra no hotel e corre para seu quarto, se despe e entra no chuveiro, ali fica horas chorando desesperadamente. Sai do banho e olha se no espelho, seus olhos vermelhos e inchados demonstram outra mulher, ela suspira fundo, engole o choro e diz para si mesma:



 -Isso não vai ficar assim, ele me paga, anos de dedicação e carinho... Não! ...Não ficara assim.



Camila pega sua pequena mala e volta pra sua casa e conforto, o que era um lar luminoso viraria agora um lugar turvo e confuso. Camila foi até a edícula que sua mãe se estalava e, lá a abraçou e conversou um pouco, a velha como sempre tranquila lhe aconselhou como pode.

Camila não tinha animo para fazer mais nada em casa, assim a semana passou e, quando Diego chega vê a casa meio que bagunçada. Ele estranha a situação, primeiro dela não estar na varanda a sua espera e pela casa desarrumada, ele caminha até o fogão e não acha nada para comer, abre a geladeira e vê um mingau de aveia com banana, comida que sua sogra comia em sua dieta.

Ele caminha até o quarto e vê Camila deitada.

 -Boa noite amor!...

-Boa noite Diego...

Que há Camila, não se sente bem minha querida?

Ela se levanta e o fita nos olhos e interpela.

- Esta tudo bem, apenas indisposta. Como foi sua semana?

- Ah, tudo bem, muito trabalho como sempre.

Ele a abraça, ela se esforça para não deixar transparecer que sabia de tudo.

- Vou preparar algo para comer, está com fome?

Enquanto Diego se banha, ela faz uma fritada de ovos com torradas, Camila sempre foi rápida e organizada na cozinha, se tinha alguém prendada, ali estava uma e Diego se alimenta feito um urso faminto.

Camila arruma a mesa para Diego e volta para o quarto, coloca uma musica antiga, segura seu choro, afinal sua mágoa não era pouca e em pouco tempo adormece.



Era noite de lua cheia, próximo à casa do casal tinha uma clareira num pequeno bosque e durante a noite Camila se desloca para lá, as trilhas estavam firmes e claras, pois a lua gigante a iluminava, lá se ouvia o pio da coruja, o sons de pequenos seres como gambás e guaxinins. E Camila estava bem acompanhada, afinal ela entrava em sintonia com os seres viventes do bosque. Na clareira sentou se numa pedra e sua fúria parecia aumentar ali, de repente se levanta coloca suas mãos ao céu e começa a invocar os seres da natureza, ela era filha de ciganos, em sua veia corria o mistério e a força cigana. A lua muda de coloração, os sons se calaram na floresta, ela corre entre as trilhas, cada vez mais se afasta de sua casa completamente, ela se depara com um pequeno lago, de joelhos ela olha sua imagem nitidamente nas águas, era outra mulher, outra feição, uma mulher marcada com feridas profundas, ela suspira e fecha os olhos, depois de tempo abre e enxerga no reflexo da água uma bela loira de seios opulentos, com olhos azuis profundos, a boca rosada e sobrancelhas arcadas e marcantes. Camila sorri por dentro, se levanta e volta satisfeita pra sua casa.



Diego chegou com flores aquela sexta a noite, a mesa do jantar estava posta, sua troca de roupa em cima da cama do casal, seu chinelo de descanso no chão, tudo estava perfeito e impecável; Camila veio até seu marido, ela estava cheirosa e sedenta, seus cabelos estavam presos, mostrando seu belo pescoço longilíneo, seus olhos brilhantes e a boca cheirando a hortelã.

Ela o beija profundamente e, morde seu lábio superior, ele grita.

- Calma, meu amor!...Que acontece aqui? Ele sorri maliciosamente.

- Tenho uma surpresa pra você Di... Vamos ao quarto...

- Surpresa?... Hum, que passa nessa sua cabecinha...

Ela o puxa pelos braços leva até o quarto o empurra o na cama,

tira uma tira do debaixo do travesseiro e a amarra uma de suas mãos e depois a outra.

Ele fica perplexo com tudo aquilo, ela nunca tinha iniciado uma relação,  sempre ele a procurava,ela pega uma garrafa de vinho que estava embaixo da cama e toma um gole e através de sua boca da para Diego  um gole e assim esvaziam uma garrafa e depois mais outra. Aquela noite eles se devoram e, depois de horas voltam ao incansável amor.



Camila tinha resgatado Diego, a cada semana era uma mulher diferente, ela própria se sentia uma mulher diferente, suas visitas à clareira e ao lago eram constantes em noites de lua cheia; cada vez que se via no lago se via uma nova e bela mulher.

O trabalho de Diego acabara naquela cidade vizinha, tudo na casa voltou ao normal, a não ser que cada vez nas semanas de lua cheia, Diego sentia que tinha em mãos uma nova mulher.



O MUNDO DO RISO ETERNO



 Lá não havia tristezas, lamúrias ou feições duras, os habitantes viviam a bailar, cantar, cheirar as flores, amar e a degustar as iguarias deste paraíso de habitantes felizes, era pura igualdade para todos, isso era motivo de risos e mais risos. Quando nascia um novo ser a alegria era dobrada, quando este ser envelhecia e partia deste mundo para outro, emitiam  uma gargalhada que fazia todos que estavam ao seu lado rirem sem parar, depois desta gargalhada se transformava em uma luz branca com tons violetas e  sumiam de vez. E no seu leito uma flor lilás ficava no lugar, viva e perfumada.


Os parentes a pegavam e colocavam numa clareira na floresta onde viviam infinitas flores lilás,

ali nunca murchavam, viviam sempre alegres  e perfumadas, chamavam de paraíso do riso, pois

numa época do ano as flores emitiam um som de risos, gargalhadas, suspiros de felicidade,

nesse dia era chamado de dia da felicidade além do riso eterno.

Neste dia iam com suas melhores vestes, faziam doces, bolos, tortas salgadas e iam de romaria para a clareira, era o maior evento daquele planeta.

Esse evento estava bem próximo e muitos estavam rindo mais do que o normal, já sentiam o prazer enorme que tudo causava nesse dia especial.





Mas naquele ano houve um alinhamento das estrelas gigantes no céu, e algo inusitado aconteceu.

Um dos habitantes que se chamava Ploc estava esperando sua mulher ganhar uma filha, essa filha iria se chamar Plink, mas Plink nasceu diferente das outras crianças. Sua mulher estava radiante de felicidade, mas ao ver sua filha que nasceu branca como a neve, ficou pela primeira vez sem rir, no planeta do riso todos os seres tinham uma coloração cor de beterraba, era um roxo avermelhado, por isso foi o seu espanto e tristeza.



Ploc estava com a festa pronta em sua casa, seus parentes e amigos em peso estavam comendo e bebendo no jardim da bela casa a espera para ver sua filha.

A mulher de Ploc, dona Planck, logo se conformou, pois como as outras crianças o primeiro som que sua filhinha emitiu fui um gemido de sorriso e uma nuvenzinha lilás saiu de sua boquinha, essa era a deixa que sua mãe precisava ver para sentir que sua filha era uma criança normal, pois essa era a cor da essência de cada ser naquele planeta, era como fosse à boa alma de cada um.



Ela se levantou da sua cama e a banhou e, vestiu do tecido mais raro e belo que os bebês usavam e o levou para seu marido e os convidados da festa.

Ao entrar com a criança no todos quando a viram ficaram calados, mais quando a criança bocejou e emitiu a fumacinha lilás e, todos riram muito e bateram suas taças de vinho de uva sem álcool. Naquele mundo não havia vícios ou substâncias que causavam euforia, anestésicos ou uma alegria forçada, afinal todos eram felizes.



Após esse nascimento inédito e incomum outras crianças foram nascendo de outras cores, mas todas elas com a mesma essência boa, isso causou uma diferença e quebrou até certa igualdade e monotonia que existia no planeta do riso.



Ás vezes os anciãos se reuniam junto às crianças mais velhas e contavam que existia um planeta que era um terror de desigualdade e preconceitos, de pessoas que se achavam lindos por fora, mas era sem cores e brilho por dentro. Essa era a única vez que as crianças escutavam essa lenda e ficavam sem rir, somente suspiravam levemente, mas depois dessa barbaridade contada, se ponham a rir com outras histórias de planetas mais elevados em sua essência.
E assim chegou o dia da grande festa, todos se deslocaram para a floresta e estenderam suas toalhas e colocaram suas comidas e bebidas, assim presenciaram o grande espetáculo de gargalhadas das flores, relembrando de seus entes queridos que viveram em seus corações e mentes.

 

UM AMOR POSSÍVEL E UMA UNIÃO IMPROVÁVEL






Cada passo em frente à loja de brinquedos era um suspiro certo de Lilian, ela estava apaixonada pelo porte, estilo e gingado do jovem homem, seu desejo era ouvir sua voz de perto e ela conseguiu ouvi-la  pela primeira vez quando ele estava passando com seu primo em frente à loja, ela o avistou de longe e quando estava chegando ela deu alguns passos rapidamente e saiu do seu local de trabalho e ficou postada na calçada, disfarçadamente encarou o homem de lado, ao passar ela ouviu sua voz como queria, quase face a face. Era uma voz meio rouca e de travesseiro, fazendo o coração da jovem mulher bater forte, ela sentiu sua própria face corar. André, o belo rapaz, nem a notou, alias nunca desviou seu olhar para ela fixamente ou mesmo se encantou com algo quando a viu de soslaio. Ela não era dotada de beleza e nem mesmo de simpatia, tinha um ar triste, além disso, era tímida; pobre menina ali parada em pé a espera de um bom cliente para lhe dar uma boa comissão de venda e também a espera de um olhar desejoso, um contato com o moreno de estatura grande, costas largas, olhos esverdeados e voz sedutora. Mesmo assim com suas maneiras e incertezas ela deixou de lado a  sua timidez através dessa paixão incontrolável e se lança para esse jovem homem, que para ela era um ser enigmático e um sonho real.Mas ela não sabia de toda a malandragem e nem imaginava o que era André por dentro.

O calçadão onde Lilian trabalhava era um fervo, tinha excelentes lojas, uma padaria famosa e movimentadíssima que ficava ao lado da loja de brinquedos e André era um dos clientes que entravam mais de três vezes por dia naquele paraíso gastronômico, André também era um frequentador da casa de seus primos que eram da mesma  idade,tudo isso facilitava para Lilian estudá-lo e tramar uma aproximação e assim aconteceu.

O primeiro contato dela com André até que foi bem tramado e inteligente, isso ninguém podia negar, Lilian tinha duas qualidades que eram inteligência e de uma bondade infinita,quem sabe isso não há ajudaria um dia em seus intentos de namoro.
André passava num lindo sábado de sol, onde trajava um bermudão, uma camisa regata e chinelão enorme, afinal era um metro e oitenta e cinco de homem.

Lilian estava no seu horário de folga e como  faltava uns minutos sentou no murinho de um pequeno jardim que ficava em frente à loja de brinquedos, assim começou a sonhar com seu amado.
Logo em seguida André saiu da padaria com uma sacola de pães e um sorvete de casquinha, ao passar por Lilian ela pergunta:

- O pão está quente?Se tiver vou comprar é muito bom na hora.

Ao mesmo tempo em que pergunta se sente gelada, apesar do alto clima.

- Sim, acabou de sair, mas o sorvete está gelado.

Ele  sorriu e mostrou um sorriso cariado e mal tratado,Lilian sorriu nervosa, mas com um belo sorriso perolado.



- Com certeza o sorvete está gelado, meu nome e Lilian sou vendedora de brinquedos.

- Sim, eu sei... já lhe vi dentro da loja.

- Ah, que bom, precisando me procure.

-Bom, não tem crianças em casa ou alguém que ainda brinque.

Ele sorri novamente.

- Ah, preciso entrar para o trabalho, até mais...ah...

-André, meu nome é André. Até mais Lilian.

-Até breve André.

A jovem mulher ria por dentro, estava feliz como nunca, seus olhos estavam encantados,

ela nem notara o sorriso mal tratado do rapaz, nem se deu conta da sua fala meio malandro ou

se fazendo de malandro, realmente era uma paixão que surgiu  como todos outras surgem, sem muitas explicações e com a mente e coração vendados.

Lilian ao chegar a sua casa correu para seu banho relaxante e demorado, mal se alimentou naquela noite e  foi para o quarto,  devorou um livro de romance durante a noite e dormiu sonhando com seu jovem pretendido.

A partir do primeiro contato Lilian começou a estudar os passos de André, os horários que ele vinha e ia, quando estava com roupas mais a vontade ou vestido para o trabalho, mas notou que não havia horário de ir para a escola, afinal ele ainda tinha pouca idade pelo visto.

E assim obteve o segundo contato.

-Olá, bom dia André, vai para a escola.

- Oi Lilian, não... eu não estou estudando.

 Ele segurava em mãos um Cd do Jimmy Cliff

- Vou ouvir um Cd na casa do meu primo.

- Ah... legal, olha que fantástico, também gosto de Jimmy Cliff.

Ela só conhecia a música "Reggae Night".

- Poxa é mesmo sou fã dele tenho vários Cds.

André se animou todo, afinal fã gosta que seu ídolo seja reconhecido e bem visto.

-Poxa legal, André se pudermos ouvir um dia uns CDs juntos.

 Ela nem acreditou no que disse, nunca tinha agido assim antes.

-Sim, você curte mais alguma coisa.

 Ele a estava convidando para fumar um baseado, mas ela nem percebeu, era inocente demais para tal coisa e ainda nunca o faria pela educação que teve.
.

- Ah curto sim, um MPB.

 Ele sorriu e se despediu logo em seguida.

Lilian estranhou sua saída repentina, queria mais conversas, ao olhar para dentro da loja a gerente estava a olhando e apontando o dedo para o relógio de pulso, sua hora  de intervalo tinha estourado e nem tinha percebido. Aquele dia Lilian vendeu como nunca e cada dia ia vendendo mais e mais, estava sempre nas primeiras colocações de vendas, isso a ajudava, pois sua gerente ia fazendo vistas grossas para suas conversas na calçada e alguns minutos que se passavam quando ela estava com André.

O rapaz  via Lilian como amiga e com interesses comuns, ela algo a mais, mas Lilian ia avançando terreno e conhecendo aos poucos o “seu André”, pois era assim que seu coração dizia.

E com seus botões ao vê-lo ao longe pensava. Lá vem, lá vem... Meu André.

Numa de suas visitas na casa de André Lilian notou a pobreza em que sua avó e ele viviam, sem geladeira, sem um aparelho de som, o banheiro no quintal, era de dar dó um rapaz tão apanhado naquela situação junto a mulher que a criou. Ficou sabendo que seu pai era um grande empresário, mas que nunca o ajudou em nada e ainda desconheceu sua paternidade. Sua mãe o abandonou e assim foi sua sina.

Lilian no seu aniversario o presenteou com um aparelho de som, depois disso  notou uma grande mudança no rapaz, tanto no comportamento como em seus cuidados pessoais.





Com o tempo a amizade fui se estreitando e um certo dia trocaram intimidades nas palavras , Lilian dizia a André.

- André, porque não arruma esses dentes, aqui na cidade tem tratamento gratuito e só procurar, e seus estudos quando volta? Ah , meu amigo. 

Não era essa a palavra "amigo"que Lilian queria usar mas era a que podia no momento, e assim ouviu algo que se não houvesse o chão teria caído eternamente no infinito.

- Poxa, Lili...Tenho algo para te contar.

Era assim que ele agora a chamava, eram amigos íntimos.

- Fique a vontade André.

Disse toda efusiva.

-Eu estou amando, que bom você falar para me cuidar, estou precisando mesmo.

O coração de Lilian dispara, seria aquele seu grande momento?

André lhe diz sorridente:

- Estou interessado numa linda garota ,ela  frequenta a mesma igreja que eu.

Lilian tem um ataque de tosse, pede licença para tomar uma água e entra no banheiro da loja para desabar em choro.Pobre garota de coração despedaçado, as palavras de André a martelava na cabeça o tempo todo, André vendo sua demora se vai, pensa que a gerencia não a deixou sair mais, mas mal tinha terminado seu intervalo de café.Sendo assim no outro dia terminam aquele conversa doída para um e gostosa pra outro.


- Bom dia Lili, ontem você saiu e nem terminamos nossa conversa.

- Ah, André que susto nem te vi chegando, desculpas e que entrou uma grande cliente fixa logo em seguida, e...


- Que isso minha amiga , tudo bem.


-Ah, então está de namoro?


- Não Lili , ainda não , apenas na conquista, bem que poderia me dar um toques de como conquista-la. Já marquei o dentista e a matricula do curso técnico também.


- Nossa André! Muito feliz por você... Amigo...

Os olhos de Lilian se enchem de lágrimas, mas André nem  nota seu pesar.

Lilian toma coragem e  lhe diz o que as mulheres gostam e o que não gostam, ainda diz da insustentável leveza do ser,o que as completam no seu caminhar e como o homem deve preenchê-las nessas horas.
Com o tempo André foi melhorando em suas vestimentas, maneira de falar e até o de andar.Certo dia Lilian o viu entrando no carro de sua amada, era época de natal.  Lilian ainda lhe presenteou com um lindo calçado que vendia na loja, pois a loja estava mudando de mercadoria. Ele conta de sua conquista e Lilian chora em sua frente, André pensa que é de felicidade, e fica assim mesmo essa linda impressão.
As visitas de André em frente a loja fui diminuindo, Lilian se sentia até feliz por ter ajudado André a mudar algo e também lutar por sua felicidade e amor, mas tudo mesmo começou a melhorar quando ela sem mesmo poder  o presenteou com aquele aparelho de som, por mágica desapareceu aquele olhar revoltado e também por trás dessa revolta sua infelicidade contida.Nunca alguém fora de sua torta família o havia amado sem interesses,pelo menos era o que ele pensava em relação a Lilian.
O tempo se passou, Lilian mudou de profissão,  conheceu Marcos e mudou seu estado de mulher solteira para o de casada.E  como tudo na vida teve um bom fim no campo do amor.






NÃO ESQUECE A MINHA CALOI


O garoto era um sonhador, toda criança na sua idade o era,

mas Júlio era um pouco mais, a mãe achava engraçado sua

maneira de ser, porém severa não aliviava em lhe mostrar a   

verdadeira face da vida ,como o sofrimento e dificuldades da mesma.

Júlio na época de natal vivia a olhar para o céu à espera de um milagre, que era ganhar sua bicicleta, ainda fora da idade em acreditar no bom velhinho, esse dormia e até conversava sozinho com o imaginário Papai Noel, achava que por um encanto ele  ia aparecer.

Aquele ano a família de Júlio foi presenteada com um televisor preto e branco, aí que o garoto aprendeu a viajar mais na vida, pois aquele novo mundo o inspirava a sonhar mais e mais, onde copiava e até criava novos personagens em suas brincadeiras no grande quintal onde vivia a brincar entre os milharais e galinhas com seus pintinhos coloridos. Mas sua bicicleta não saia da cabeça, vivia a pedir para sua mãe, mas ela nunca o iludira em lhe dar uma, pelo contrario dizia que era algo perigoso e que já morreram um dia com uma delas, o garoto nem acreditava num absurdo desses, pois via nas ruas de asfalto de terra as crianças alegres brincando nelas. Naquele mesmo ano chegou a TV colorida e a pavimentação das ruas, o mundo a volta de Júlio mudava drasticamente, e ele também.

O Jeito foi apelar para o pai, mas o pai de Júlio era um tanto calado e distante com os filhos, falava o necessário e quando via algo errado somente olhava para o filho e esse já sabia que estava acontecendo algo errado e se corrigia. E como de costume mais um  natal  passou em branco,sem festas ou presentes, ele não entendia o porquê tantas crianças com seus brinquedos e ele nunca os tinha, naquela época de festas foi  lançado uma campanha onde incentiva as crianças a espalhar bilhetinhos pela casa toda, foi aí que Júlio usou desse plano com o pai na época do seu aniversário, dessa vez era infalível,não ia dar errado, iria vencer pelo cansaço seu pai.

Sendo assim Júlio fez sua campanha por semanas, e chegou o grande dia, seu aniversário, seu dia especial,Júlio neste dia pulou da cama cedo, correu e olhou debaixo da cama,foi até a área da cozinha ,mas nada , não havia nada, o desespero e desolação tomou conta do garoto, mas um dia infeliz.Quando sua mãe levantou da cama, lhe deu o café da manhã e viu um tanto calado e triste, a mãe o abraçou e lhe deu um feliz aniversário, foi aí que ele contou dos bilhetes que colocou pela casa onde seu pai costumava ir usar, mas pra sua surpresa sua mãe revela que seu pai era analfabeto, não sabia nem ler e escrever.Seu pai como milhões de brasileiros era sem estudo,ganhava um salário mínimo e era explorado com horas extras ,e assim com o passar dos anos Júlio cresceu, foi trabalhar numa loja de brinquedos onde comprou sua tão esperada bicicleta, seu trenzinho elétrico e tudo mais que desejou de criança, quando enjoou passou para frente para uma outra criança  ser feliz na sua tão especial fase de vida.Hoje presenteia seus filhos e festeja juntos os momentos de festas boas na vida esquecendo seu passado melancólico e triste.


O ANIVERSÁRIO DO SACI


Numa floresta do interior do Brasil, de matas gigantescas e rios caudalosos, existiam seres encantados do folclore brasileiro. Um deles estava aniversariando, iria completar duzentos e treze anos de idade de peraltices e proteção às matas. Era o Saci Pererê! Este era mestre em artes da medicina natural, conhecedor de ervas e raízes.

Havia um povoado perto desta floresta, algumas fazendas de plantação de cacau. A maioria das pessoas era de origem humilde e trabalhadora, às vezes, nas noites de festas, acendiam uma grande fogueira, assavam espigas e batatas doces, os mais velhos costumavam contar as histórias do coisa ruinzinha que era o Saci, entre outros, como a Cuca que pegava as crianças; o bicho Papão que as devoravam se não fossem obedientes aos pais.As crianças ficavam maravilhadas e até assustadas com as histórias do Saci; mas muitos queriam pegá-lo numa garrafa quando viam um redemoinho. Tinham de jogar a garrafa no redemoinho ,quando o Saci entrasse na garrafa,era só tampar, tirar sua carapuça para torná-lo seu escravo, e assim rezava a lenda. Estava perto do dia 31 de outubro, data onde o Saci fazia aniversário, e sua amiga Cuca, a bruxa velha malvada, que tinha a cabeça e cauda de jacaré e uma voz estridente, organizou uma festa ao aniversariante Saci Pererê. Se alguém faltasse, ela iria transformar este ser rebelde da floresta em estátua de pedra. E assim começa nossa história.

A Cuca foi visitar o mais belo ser daquela região.

Iara olha à dona Cuca meio que desconfiada e pergunta:

– Que faz por aqui em meu reino? Que prazer imenso. Em tom de deboche.

– Hummm... Prazer imenso - Solta uma gargalhada a bruxa.

– Vim comunicar sobre a festa do Saci Pererê. Não aceitarei desculpas de quem não for, sereia Iara... Avise o Boto Cor de Rosa, os outros eu mesmo irei à busca, que são: a Mula Sem Cabeça; Boitatá; Curupira; Pisadeira; Mãe de Ouro; o Bicho Papão, entre outros.

– Nossa quanta gente - Espantou a sereia - Que era também chamada de mãe d’água.

– Não aceito ausências, já disse! Transformarei em pedra quem me desafiar... Há, há há. E a bruxa Cuca sai balançando seu rabo de jacaré. A Cuca adentrou a mata a procura de dois fortes defensores da floresta e animais, que eram: Boitatá e o Curupira; há muito tempo o homem branco vinha destruindo as matas e todos eles lutavam ativamente para dar cabo desses cruéis devastadores da área verde.

Perto de uma clareira lá estavam os dois. Eles se tornaram amigos para unir forças contra a devastação das florestas tropicais, pois comprometia a saúde do mundo inteiro, principalmente o mundo encantado.

O Curupira era um anão de cabelos longos, pés grandes, onde esses eram virados para trás. O Boitatá era uma cobra enorme de fogo que corria assustando os malfeitores.

 A Cuca já chegou ansiosa fazendo gritaria e virando agitadamente sua cauda dos lados e dizendo:

– É aniversário do Saci, é aniversario do Saci! Boitatá, Curupira, hoje a noite vai ter festa! Quero todos na clareira perto da minha Caverna, tragam seus presentes... Afinal são trezentos e poucos anos de vida.

Os dois não se espantam com o jeito da bruxa velha, já haviam acostumado com seu jeito autoritário e ameaçador.

Iremos com todo prazer- Disseram os dois juntos.

– Eu vou levar um gorro vermelho novo, pois aquele já deve estar com uns duzentos anos. (risos) Gritou o Boitatá. O Curupira um cachimbo novo.

Certo, por mim tudo bem. Disse o Curupira.

– Muito bem, muito bem... Há, há, há! Sorri a Cuca.

A Cuca sai rebolando sua cauda grande e gargalhando que dava até medo, a bruxa de cabelo loiro estava mais animada do que quando transformava em pedra qualquer intruso que invadia sua área.

Já havia quatro participantes, mas não pararia por ai, com certeza viriam outros, só de ouvirem o fuzuê, afinal não era sempre que se reuniam tantos personagens lendários.

O Bicho papão foi o convidado mais difícil de achar, pois esse não parava de procurar o que comer. Diz à lenda que ele pegava e devorava crianças, mas não passava de um comedor de frutinhas e folhas. A Cuca pensou bem, sacudiu seus cabelos e teve uma ideia, iria colocar muitas frutas e folhas numa rocha para atraí-lo. E assim aconteceu o óbvio, quando esse veio comer, o pegou de surpresa e o convidou. O Bicho papão ficou feliz da vida, por adorava comer, não via a hora de chegar essa grande festa.

A floresta toda já sabia da festa surpresa, menos o Saci é claro, até a mãe terra (Gaia), emitia um som de felicidade bem lá no seu útero, no centro de onde tudo começou. Até as tribos indígenas sentiam tal bela vibração.

Assim começou os preparativos da festa, dona Cuca contratou centenas de vaga-lumes pra iluminar e alegrar a festança, também contratou um coral de sapos que cantavam desde músicas clássicas até as mais dançantes. As talentosas aranhas teciam belas decorações em frente da caverna da velha bruxa Cuca. Tudo ia sendo transformado num verdadeiro salão de festa bem decorado e animado. Era noite de lua cheia e com certeza a festa na clareira o famoso Lobisomem iria aparecer e junto ao Bicho papão iriam fazer a festa da comilança, mas a Cuca tinha sido muito generosa e na festa iria ter muita comida como: Doces; cupcakes,bolos variados; salgados; sucos; frutas tropicais...E até uma dança que ela tinha feito com a música: “A Cuca vai pegar”. E não é que a festa pegou mesmo!

Já era noite quando a bela Iara e o Boto chegaram, estavam numa elegância de tirar o chapéu, e falando em chapéu o boto estava com um belo terno branco, um chapéu de palha bege claríssimo. Seu traje combinava com o da bela sereia que usava um vestido longo de cor branco cristalino, pareciam dois namorados. Quem sabe não eram?

Os sapos cantavam alegremente vários gêneros musicais das florestas e da cidade, pois alguns contratados eram de becos e brejos de São Paulo; os vaga-lumes voavam e deixavam um ar festivo; as aranhas teciam e desmanchavam suas obras de artes e depois teciam novamente alegremente. Orgulhosas e vaidosas mostravam seus talentos natos.

Todos já estavam na clareira em frente à caverna como o:

Boitatá; a Mula Sem Cabeça; Curupira; Pisadeira; Mãe de Ouro; o Bicho papão; fadas e gnomos, entre outros seres. Da caverna saiam tartarugas marinhas gigantes e em suas costas traziam os variados e deliciosos quitutes e coquetéis de frutas. O Bicho Papão já tinha devorado metade da mesa de frutas, a Cuca se viu obrigada a dar uma de suas poções para diminuir seu apetite; ele tomou pensando que era um suco de plantas aromáticas, mas era um moderador de apetite. De repente todos param de cantar; dançar; comer e falar. Um barulho ensurdecedor se pronuncia na noite:

– Úuuuuhhhhhhhh!...Úuuuuuuuhhh!...Uuuuuuhhhh...

O uivo do lobo corta a clareira, era o Lobisomem com seu pêlo todo penteado, trajava uma boina italiana , um belo terno lilás e cheirando a perfume do campo, chegou dançando como um bailarino espanhol. Era vaidoso e aparecido demais esse Lobisomem.



Mas cadê o Saci Pererê?... Será que aconteceu alguma coisa... A Bruxa Cuca começou a ficar irritada e soltar seus gritos na festa; os convidados continuavam a comer e a dançar; de repente ela solta um berro que daria pra escutar a sete léguas e, todos se calam. Iara percebendo sua irritação perguntou se podia ajudar em algo.

É o Saci... O Saci!... Gritava agitada. Onde se meteu?

Será que não recebeu meu convite dizendo que iríamos invadir o vilarejo e fazer umas traquinagens juntos, era a isca pra ele ser pego de surpresa na sua festa.

Ela se joga no chão como uma criança birrenta e se esperneia toda. Iara tenta acalma-la e depois combinam ir procurar o Saci mata adentro; os convidados continuam a festança.

O Saci não tinha casa fixa, uma semana fazia uma cabana na árvore, outra vez perto dos lagos e assim ia vivendo sua vida, pulando numa perna só, fumando seu cachimbo que era seu xodó, às vezes de longe avistava se um menino negrinho de gorro vermelho assustando cavalos, dando nó nas crinas e espantando os intrusos das matas.

A Bruxa Cuca e Iara depois de horas andando a procura do Saci escutam um barulho de máquinas e de árvores caindo no chão, as duas quando entraram no acampamento não acreditam no que viram. Vários animais e aves enjaulados; araras azuis; cervos amarrados em troncos, jaguatiricas.macacos e onças... Até borboletas tinham capturado. Um pequeno lago estava sujo e peixes boiavam na superfície. Era uma tristeza e desolação total. Mais a frente o Saci Pererê preso numa gaiola grande, de cabeça baixa e olhos tristes, onde cantava uma canção baixinha e amargurada.

As duas ouviram um barulho e se escondem, era o capataz que chega e reúne os homens que derrubavam covardemente às árvores, destruindo a fauna e a flora.

O capataz reúne o pessoal e diz:

– Já chega! Amanha tem mais trabalho, já é tarde e a Lua não está colaborando muito hoje, escondam as máquinas entre as folhagens e amanha continuaremos.

Esconderam as máquinas e todos os seres presos e  desolados.

Iara e a bruxa Cuca rapidamente vão até o cativeiro do Saci, abrem logo a gaiola com uma mágica e o Saci agitado diz:

– Meu gorro, meu gorro... Preciso do meu gorro, sem ele não sou nada.

Assim traçaram um plano. Iara iria encantar o homem que estava em posse do gorro vermelho do Saci, esses homens eram maus, pois estudaram uma forma de pegar os protetores das florestas e aprisioná-los, queriam construir fábricas ali, e até espantaram alguns índios que estavam em extinção. E assim quando Iara começou a cantar perto da tenda do capataz, este saiu encantado atrás de sua bela voz. O Saci e a Cuca pegaram o gorro e se mandaram todos para a festa, mas tinham outros planos em mente.

Todos estavam animados na festa que nem se deram conta do tempo que estava fora à anfitriã e a Sereia. Quando a cuca chegou gritou e parou a música, subiu numa pedra e eloquente foi pronunciado a todos o perigo que a floresta passava, todos ficaram estarrecidos. Num agito geral todos correram pra o acampamento daqueles homens maus e, em silêncio colocaram areia nos tanques de gasolina das máquinas deixando impossibilitada de trabalhar, soltaram os animais e pássaros, colocaram laxante em suas panelas de comida, deram nós nas roupas, amarraram um cordão no outro das botinas, espantaram os cavalos, quebraram os facões e atearam fogo nas tendas. E Se mandaram para a festa do grande Saci Pererê. Mas as duas deixaram ali um presente a corja de maus seres, vários e vários pernilongos vorazes e sedentos, abelhas africanas, zangões, formigas gigantes, taturanas de fogo, aonde, invadiram o acampamento na hora do fuzuê. Os homens maus aos gritos fugiram, pois as picadas eram doidas e sem cessar. Nunca mais apareceram por lá. E na festa o Saci e a sua comadre e amiga Cuca dançavam sem parar, ela com seu rabo grande rebolativo e cabeleira loira solta; ele pulando num pé só, dando gargalhadas e pitando seu cachimbo.

Os convidados felizes gritavam:

Vivaaaa o Saci! Viva!... 
O Saci Pererê!



O BOTO COR DE ROSA EM SÃO PAULO


Hermman vivia o dia trancafiado em seu apartamento, durante a noite saia com seu mais belo terno e um elegante chapéu Panamá branco, era um dos homens mais belos da região, a mulherada solta e aventureira caia aos seus pés.Mas o moço não era só dotado de beleza e bons tratos, seu olhar de bom amante era: Brilhante...Sedutor...Penetrante!
Era quase dez horas quando Hermman entra no elevador seu sutil perfume fazia qualquer fêmea desacordada virar a pescoço e até a mente. E como de costume no elevador... Uma quarentona o agarrou e perdeu todo seu batom vermelho. Ela desce no térreo e Hermman no subsolo, e dali nunca mais se viram.
Seu carro conversível vermelho estava ali como sempre a sua espera, ninguém sabia de onde tinha ganhado tanto dinheiro, uns diziam que era herança, outros que era agiota, até empresário de dupla sertaneja. Mas Hermman não era de conversas. E assim, sempre a noite saia da cobertura. do edifício e se mandava nas noites Paulistanas.
A noitada nesse dia seria o grande baile da elite, ali teria tudo que Hermman queria colher, Magnólias, Margaridas e Azaleias, entre outras, e  todas com a maior disposição pra uma boa noitada num bom hotel.
Logo no estacionamento já se ouvia uma bela valsa, ao entrar olhares de variados cantos do salão penetraram aquele homem de andar incomum e de fina estampa.
Ele caminha até o Bar, pede uma bebida e encosta no balcão como  sempre fazia e, com seu magnetismo pessoal e quase mitológico, lança seu olhar para um das mais belas mulheres do recinto.
Sophia sente um calor pelo corpo todo, e não consegue desgrudar  seu olhar de Hermman, ele com um sorriso maroto  de canto o deixava com um ar de bom malandro e, de que venha que você terá o que deseja.Num salto ela levanta da cadeira e deixa suas amigas sozinhas, caminha como encantada até próximo ao belo moço, ela  tinha sentido seu perfume a poucos metros de distancia, dali já ficou embriagada de prazer e quando ouviu a voz de Hermman suas reservas de boa moça caíram no chão.
De mãos dadas depois de duas ou três palavras trocadas subiram a sacada, longe de olhares curiosos e conhecidos de Sophia.
- De onde você é, seu nome?...
A cada pergunta revelado um beijo e um amasso a moça levava, ela sem forças acabou conversando com Hermman a linguagem universal dos amantes... Olhares, sussurros e tato.
O ventilador de teto girava e a mente e corpos do casal se envolviam como uma grande orquestra sinfônica.
Antes de amanhecer Hermman levanta da confortável cama e acorda Sophia, esta o agarra pelos braços mas, ele balança a cabeça como não podia mais ficar, Ela faz uma feição de desolada, olha profundamente nos olhos do seu mais novo amor casual e saca da bolsa um talão de cheque e preenche um valor exorbitante para compensar a noite da mais pura satisfação que nunca lhe tinham dado.
Hermman sorri, lhe dá um beijo na testa e vira a costas, deixando ali a mulher e também o cheque.
Já se passava das cinco horas, apressado Hermman dirige seu conversível, ao chegar no apartamento  vai retirando o chapéu, o terno, calça...sapatos, meias...Sua pele vai ficando brilhante, seus lábios vão crescendo, em suas costas aparece uma corcova, e num salto e num mergulho profundo  em sua piscina olímpica  se transforma por completo num lindo e dócil boto cor de rosa.
A piscina situava num ambiente fechado e seguro,a empregada que vinha três vezes na semana, arrumava  o enorme apartamento e como essa ganhava bem mais de que outros lugares, nunca se atreveu a entrar no lugar que não lhe foi recomendado. Mas ela sempre teve curiosidade porque tanto peixe, moluscos e crustáceos  no congelador.

A ÚLTIMA NOITADA DO BOTO HERMMAN

Hermman caprichou como sempre no visual para ir a num show na melhor casa Paulistana, uma cantora de sucesso e por sinal belíssima e exótica, tinha vindo do Amazonas e ganhava público cativo em todos espetáculos.
O nosso enigmático homem senta logo na primeira fileira, depois de minutos a música de fundo...Uma voz atrás das cortinas ecoa fazendo a plateia se arrepiar com tamanho agudo e  afinação.
A cortina sobe, num sofá verde vitória régia uma mulher deitada de expressão teatral, magnífica e com as madeixas na cintura encanta os quatros cantos do teatro.
No final do espetáculo alguns convidados foram nos bastidores, lá tomaram um bom vinho branco e saboreavam  queijos nobres. Hermman estava mirando a cantora desde o palco, mas a magia da música e luzes impediam dela ser encantada.Mesmo no camarim esta estava rodeada de fãs e jornalistas, mas de súbito os dois se esbarram ao ir pegar um canapé de atum...Atração fatal mútua.
Como toda Diva... Poses e fotos e mais fotos, o flash incomodava Hermman o fazendo sair de perto da bela mulher. Mas depois de horas aconteceu o grande encontro e.a sedução prevista pelo mesmo.
Aquela noite seria mais que especial. Hermman decidiu levá-la para seu apartamento... Mas, com tudo medido e planejado, pois não podia se transformar na frente da bela cantora.
Sendo assim cada qual foi no seu carro, como ela era uma mulher decidida, liberal e bem vivida, não teve problemas nenhum em segui-lo.
Logo no elevador eles trocam caricias e palavras doces.
Hermman já tinha em mente como deixá-la após esse encontro, tinha o costume de se mudar e, já estava mais que na hora, pois este hábito dispersava gente curiosa.
A sala do apartamento estava já preparada para o ato singelo de amor... A meia luz, duas taças e champanhe gelada. Num instante ele coloca uma música com o som baixinho que ecoa na magnífica acústica do ambiente burguês e de bom gosto.
A noite estava quente, a lua era crescente; e já despidos no faraônico sofá se unem como um só ser...
Ela incansável, ele mitológico... Depois de horas, ela pede um banho, mas não um banho comum, esta queria mergulhar em sua gigantesca piscina, onde pedras brilhantes e pérolas situavam nas suas profundezas, pois essa mulher farejava águas de longe e a magia de cada ser que tinha a frente.
Ele abre essa exceção, havia tempo suficiente e, como ele já planejava retirá-la dali, pelo pretexto de que iria vir alguém fazer a manutenção logo cedo no apartamento, tudo ficaria,Ok.
De mãos dadas pulam na bela piscina  azul, ele pergunta seu nome verdadeiro e não o artístico.  Ela solta uma nota altíssima e pronuncia Iará...E mergulha nas águas cristalinas como fosse a rainha da mesma e, se põe  a cantar, já com sua calda de sereia.
Nada faria a bela sereia do Amazonas sair dali ,  o Boto que sempre era o caçador, foi cassado e dali nunca mais saiu pra suas noitadas.

Após meses num bairro nobre da cidade, uma linda mulher, dentro de uma banheira faz seu  parto e um bebê sai nadando como um boto...Sophia sorri e lembra daquele homem inesquecível que valeu ter por uma vez, onde tal encontro significou como fosse uma eternidade.


A MULA SEM CABEÇA




 
Diz a lenda que havia uma antiga maldição numa cidade do interior de São Paulo. Nas madrugadas aparecia uma Mula Sem Cabeça assombrando a população e animais nos campos.
E desta maldição surgiu uma paixão impossível de um jardineiro por uma bela jovem que vivia numa cidade pacata e de um povo corriqueiro e curioso.

Amélia não saia de casa por nada, salvo aos sábados que, religiosamente, ia à igreja assistir à missa do padre Otávio. Ela era uma moça bela. Sua pele era branca como o algodão, seus olhos negros característicos dos espanhóis pareciam duas jabuticabas enormes e seus cílios pareciam que iam tocar o céu de tão grandes. Sua boca delicada e vermelha emitia uma voz que envolvia a todos com um tom calmo e delicado. Aquilo prendia seu ouvinte, dando um ar de uma personagem da mais bela fábula já escrita.
Já era oito horas da manhã de um sábado chuvoso e preguiçoso, quando Amélia bateu à porta de madeira nobre do quarto da sua mãezinha. Seu pai já havia partido desta vida há tempos, quando somente as duas mulheres viviam no casarão. Ali quase se perdiam de tão grande que era a casa, e isto aumentava o ar de solidão e abandono. Apesar de que em breve dois empregados chegariam naquela casa, dando uma nova vida e sendo companheiros e amigos dos moradores.
Sua mãe sentou à mesa. Ela sorriu para sua filha e lhe deu um bom dia radiante. Amélia foi até a senhora e lhe beijou na testa. Na cozinha a água borbulhava na chaleira. A moça a pegou e a despejou numa xícara de porcelana antiga para um delicioso chá.O pão caseiro tinha sido feito por sua mãe um dia antes. Amélia foi ao pomar de casa e colheu uma bela fruta do conde, que era uma das suas preferidas.
Sua mãe neste momento perguntou-lhe:
– Vai à missa hoje, filha? Já está chovendo há uma semana.
– Sim, mamãe. Eu não saio de casa pra mais nada. Tenho que ver o nosso pequeno mundo lá fora também
– Eu aprovo plenamente isso. Acho que deveria sair mais, tentar se ocupar fora do casarão. Lá fora há tanta coisa para se ver. Quantas cachoeiras, árvores e pássaros, a natureza
em si, e você se priva vivendo somente aqui.
– Mamãe, já falamos sobre isso.
Após a morte de seu pai e seu único irmão, Amélia se trancou na vida. Ela era formada em pedagogia, mas nunca chegara a lecionar nas escolas. Às vezes alguma criança vinha ter aulas com ela no casarão. Sua mãe ficava orgulhosa e feliz quando isso acontecia.
A chuva deu trégua às cinco e meia da tarde. Parecia que tinha parado apenas por gentileza, para que a bela moça saísse dos seus aposentos. Assim ela colocou um véu azul turquesa com um vestido de seda longo branco, os quais fizeram com que sua cintura, seios e quadris ficassem moldados
e, devidamente, belos e sensuais. Amélia não se dava conta da sua beleza e sensualidade, pois era uma moça simples.e sem vaidades. No entanto, mas a vida lhe pregaria uma peça que jamais ela esqueceria.
A igreja estava cheia naquele sábado. Nem parecia que havia chovido tanto nos últimos dias. As folhas das árvores estavam mais verdes do que nunca, e as flores da praça em frente à igreja sorriam para o povo que procurava a palavra de Deus para suas humildes vidas.
Amélia se sentou bem em frente ao altar. Lá no púlpito,junto ao velho padre, estava um jovem que seria o substituto do padre Otávio, pois este havia sido nomeado Bispo. Aquilo fora uma surpresa geral, pois na falta brusca de um Bispo da cidade vizinha, tudo fora arrumado rapidamente.
O jovem padre era de uma beleza ímpar. Seus cabelos.negros e olhos se assemelhavam muito aos da bela Amélia. Ele era forte e de estatura grande.
As moças se encantaram com o que viam e Amélia não ficou para trás. Quando mais próxima daquele homem santo ela chegou, na hora de tomar a hóstia sagrada, ela sentiu.algo que nunca havia sentido na vida.
Seu rosto corou e seus olhos brilharam como nunca haviam brilhado quando fixou o olhar no jovem padre. Suas pernas bambearam. Era como uma súbita queda de pressão. Foi paixão à primeira vista.
A partir daquele dia sua vida se transformaria num caos.
Amélia foi dormir cedo aquele dia. Tinha o hábito de leitura, mas estava meio fora de seu mundo. E a imagem do belo e surreal jovem padre, o qual vira naquele dia na igreja a deixou inquietada. Só conseguiu dormir depois de horas.
A porta batia na sacada impulsionada pelo vento. Naquele momento, o relincho estridente da Mula Sem Cabeça cortava a madrugada e o barulho das suas ferraduras assombrava qualquer ser desde mundo. Até o mais corajoso tremia ao seu relincho.
A mulher do padeiro abriu a janela e espiou o movimento.lá fora. Deu um grito e fez o sinal da cruz. Ela enxergou o corpo de uma mula soltando labaredas de fogo pelo pescoço.
No outro dia a cidade inteira ficou sabendo do acontecido.
Muita gente foi à padaria. A mulher, agitada, contava a todos os clientes o que vira e, assim, a lenda viva não saía da mente do povo.
Dona Risoleta, a mãe da bela Amélia, chegou confusa
e descrente na história que ouvira na padaria.Logo que foi colocando o leite na mesa foi relatando a filha o caso.Amélia sorriu e disse:
– Mamãe, esse povo da cidade e muito fantasioso. Se acalme e vamos ao nosso delicioso desjejum.
Sua mãe continuava contando a história e falava da versão de outros que também ouviram algo estranho naquela noite.
Naquela semana agitada chega ao casarão os dois novos criados, um homem jovem que cuidaria do jardim e uma arrumadeira. A partir de então, a vida de Amélia teria muito mais espaço e tempo.
Sua mãe, Dona Risoleta, mostrou o casarão e suas tarefas aos recém-chegados. Eles teriam acomodações na casa, pois espaço e o que mais tinha.
À tarde Amélia foi ao jardim colher uma rosa e se deparou com o jovem que sua mãe havia contratado. Ela foi gentil com o empregado e lhe deu boas vindas.Este se chamava Victor.
O empregado, em suas conversas, disse que já havia sido cuidador de animais numa pequena fazenda e que aprendera.o ofício de jardinagem a pedido da ex–patroa. Esta via nele um homem de certa educação e sutileza nas maneiras de se portar. Victor não era um homem belo, mas era forte e grande com um touro, e quando iam lhe conhecendo encontravam.ali um coração de criança, sem maldades e malícias.
Toda as manhã e tardes, Amélia e o jardineiro trocavam algumas.palavras e, com o tempo, o relacionamento entre eles foi-se estreitando.
Aquela semana passou lentamente e sábado chegou novamente. Amélia se sentia indisposta para ir à igreja, mas sua mãe disse:
– Não, minha filha, não creio. A única forma de você sair de casa é essa e não quer ir?!
– Está bem, mamãe, eu vou.
Na igreja o padre rezou sua missa normalmente e os muitos fiéis foram, como sempre, receber a hóstia sagrada. Na vez de Amélia essa se sentiu mal. Victor estava na igreja viu a moça mais pálida do que nunca e estranhou aquilo. Assim, a socorreu e a levou para casa.Novamente o jovem padre havia mexido com suas emoções.
Já fora da igreja, Amélia foi voltando a seu normal, à medida que andavam e trocavam algumas palavras,
 naquele dia  o coração de Victor se abriu de uma forma inusitada e passional.
Ele notara a delicadeza, a fragilidade e a beleza de Amélia, tais como as flores que cuidava no jardim da casa. Desta forma, surgiu mais uma tenra e fresca paixão nos ares daquela cidade.
Amélia se deu conta da sua emoção e, assim, decidiu não ir mais à igreja. Iria inventar algo para sua mãe como desculpa. Iria lecionar aos sábados. Estava decidida veementemente se ocupar.

E chegou a madrugada de lua cheia. A praça se iluminava com a Diva noturna. Aquela noite seria uma noite histórica.
Os relincho da Mula Sem Cabeça se desembestou na madrugada, e as labaredas poderiam ser vistas de longe. O barulho dos cascos era de doer os ouvidos. Muitos acordaram e se puseram a rezar com medo. Não se metiam, portanto,a sair nas rua.
A mãe de Amélia se levantou e correu ao quarto da filha. Ao abrir a porta soltou um grito de susto e espanto.
Sua querida filha não se encontrava ali, e suas roupas estavam no chão. A janela estava aberta, com as cortinas voando ao vento.
Nisso Victor e a arrumadeira se põem de pé e caminham até a patroa.Trazem uma água com melado e se agitaram.também com a estranheza da casa.
Victor consolou a mãe e disse que ia a procura da filha. Em prantos, Dona Risoleta implorou que a trouxesse sã e salva.
Ele foi até seu quarto pegou uma espingarda carregada,uma faca e uma corda.
Victor seguiu o som da Mula Sem Cabeça, pois ele raciocinava que ali encontraria por perto sua jovem e secreta paixão.
E depois de muito andar, se deparou com um prado verdejante, iluminado pela lua e por labaredas fenomenais e assustadoras.
O jovem ficou estarrecido, mas a força da paixão falou
mais alto. Este sabia, por instinto, que, ao eliminar aquela fera, sua amada não correria mais perigo e que atravessando aqueles prados, com certeza, acharia a bela moça.
Mas ele não imaginava o que realmente se passava por ali, que de uma paixão proibida, por ela ter se apaixonado.pelo homem do sacerdócio, teria daí surgido a besta fera.
Ouviu-se o primeiro disparo, o segundo e o terceiro...
O barulho dos cascos iam chegando mais próximo do jovem Victor. As labaredas de fogo, ele já sentia na pele. Quando a Mula Sem Cabeça ia quase o atropelando, o rapaz deu um salto para a direita e, rapidamente, puxou o freio de ferro que havia no pescoço da fera. Magicamente esta se transformou em sua bela Amélia, nua como viera ao mundo.
Victor rapidamente tirou seu casaco e a cobriu...
Amélia, aos poucos foi retomando os sentidos e, em prantos, se abraçam. E aquela mesma paixão que sentira há um tempo pelo homem casado com a igreja, sentiu por Victor.
E, num beijo e abraço longos ao luar, surgia um amor que perduraria por toda a eternidade.

O RICO ESNOBE

 O sol estava brilhando como nunca naquela manha de verão,as pessoas desejosas  entravam na lanchonete para degustar da melhor esfiha da região.Quando o pico do movimento  passou, Ricardo começou a observar os transeuntes com suas roupas coloridas de verão e os belos carros na avenida.

Ricardo não gostava de trabalhar durante o dia, até não raciocinava bem mesmo, somente depois da 14:00 horas e que pegava no tranco.Naquele dia deu um fora com uma cliente,um dos maiores de todos, desde que trabalhou no comercio.Uma mulher obesa  entrou e fez seu pedido de esfiha,  quando pediu o refrigerante, Ricardo pergunta se é diet. A  mulher diz em tom alto e claro, N-Ã-O...é normal.,Ricardo não sabia onde enfia a cara, pois na mente dele, por ela ser gorda deveria tomar um diet, maior alivio quando está vai embora, após ter devorado quatro esfihas, dois salgados e dois refrigerantes.

Após a saída da excelente cliente,  na frente do estabelecimento para um  carro incomum,de cor preta, quatro portas, vidro fumê.Era a primeira automóvel turbo que Ricardo via na vida. Dele desce um homem 

com um óculos escuros , de andar firme e duro...Entra na humilde lanchonete, pois lá não tinha luxo algum, senta... Da um seco bom dia, e pergunta por um dos sócios.Sua voz era petulante e afetada.Carregava um micro celular, foi outro aparelho incomum, pois na época todos tinham o celular tijolão, suas correntes eram douradas e bem grossas .Mostrava ser um homem de posses, porém sua presença e jeito incomodou profundamente Ricardo.

Quando este perguntou por um dos sócios, Ricardo disse que ele devia estar comendo camarão na praia, pois era folga dele.Este fez novamente uma feição de afetado.

Ricardo anotou o pedido e de soslaio ficava observando a figuraça, pensou consigo mesmo,esse fulano já foi pobre, pois esse comportamento e de emergente. e até  o final ele vai dar um sinal do que estou analisando.Após  meia hora o bonitão pede a conta, Ricardo soma e lhe entrega.

Nisso o homem olha a conta, vira a cabeça e olha no painel os preços, ai tira do bolso duas notas

todas amassadas. Ricardo nesse momento sente seus olhos brilharem, o sorriso vem naturalmente.
O homem percebe na hora a feição de Ricardo e o que ele estava pensando a respeito da cena.

Nisso foi embora sem graça e nunca mais Ricardo o viu.
Educação vem de berço; quem  foi criado como  rico foi ensinado a ser humilde e não soberbo, demais  ainda guarda seu dinheiro corretamente numa carteira.



SHIRA A SEDUTORA
 
 

Ela era uma bela mulher de pele sedosa, onde  os dedos escorriam em seu corpo quando tocada,seu sorriso perolado encantava , e sua voz era rouca e sedutora.Gesticulou para sentar junto a si, mesmo a dois metros de distância, mas sem chamar a atenção, apenas sorrindo e movimentando suas mãos.Fui ao seu lado,perguntou o meu nome, e começou o seu jogo de sedução.

-Qual seu nome bonitão?

-O meu é Paulo, e o seu bela mulher?

-Pode me chamar de Shirha. Aceita  um pedaço de pizza -Tome um drinque comigo?

Paulo aceitou o convite e bebeu com à moça.

Onde você mora Paulo?

- Aqui mesmo no Rio de Janeiro.Paulo se esforçava para não encarar aqueles seios fartos que quase saltavam em seu rosto.

A cada pergunta Paulo tinha o prazer de ver seu lindo sorriso, ela chegava cada vez mais próximo, 
e Paulo se embriagava com seu cheiro delicioso e sedutor.

-Sou de Niterói, você conhece?

- Não conheço, mais dizem que eu estou perdendo em não conhecer.

- Posso lhe apresentar  vários lugares. Hum!... Que pizza deliciosa...Tem certeza que não quer?

- Já jantei, obrigado!

-O que faz Paulo?

- Escrevo.

- Ah!...Temos um escritor por aqui.

- Mais poeta que escritor.

- Não seja humilde, declame uma das suas poesias, meu poeta.

- Bom...Pode ser uma de amor?

- Fique a vontade.Ela estava toda eufórica e Paulo tímido.

E Paulo declamou a poesia:




O amor não tem raça, 
credo ou classe social.
 Ele transcende, edifica e até purifica um ser,
nos faz crer numa vida plena de felicidades
e numa  outra existência de maior elevação. 
E através da doação do mesmo e em recebê-lo
alcançamos o infinito e o ápice estado de luz.

No final, ela se levanta com a feição  fechada, como não tivesse gostado,e surpreendentemente da uma gargalhada e aplaude efusivamente.

-Que belo, romântico...E que vigor, parabéns

Paulo agradece e pede mais dois copos de vinho.

Ela perguntava mais do que falava sobre si, era uma mulher diferente, que Paulo não estava habituado a encontrar...Assim o tempo foi passando.

Paulo notava um brilho intenso em seus olhos que pareciam mais um par de jabuticabas gigantes e suas mãos tão agitadas O..deixava  tão tonto como o vinho.

-O que você faz em Niterói Shirha?

-Ainda nada, me mudei há pouco tempo pro Rio de Janeiro. E você está a passeio?

-Estou divulgando meu livro.

- Que maravilha escritor...Boa sorte nas vendas e inspirações cariocas.

Nisso o vídeoke se inicia, onde uma linda jovem canta a música: “Como uma onda” e em seguida uma internacional da cantora Olívia Newton John.

Shirha ao se levantar para o toalete se inclinou até Paulo e lhe deu um beijinho na testa, onde Paulo achou um tanto respeitador.Mas seu seio que parecia o pão de açúcar, o fez tremer na cadeira.

Ele observando-a de costas viu o restante de toda sua beleza de mulher, uma cintura fina com uma nádegas grandes e empinada, e umas pernas de parar o trânsito da avenida Brasil.Os cabelos longos e bem tratados chegava a acompanhar o balançado de suas ancas.

Enquanto ela se ausentava esse rascunhou um poema, mas não lhe mostrou ao voltar, guardou o no bolso.

Quando volta a mesa vem sorrindo , se abrindo toda para Paulo como já o conhecesse a tempos nessa vida 

Paulo lhe pergunta:

-Você canta? Pergunta.

- Às vezes.Se fizer um poema pra mim, eu canto.

Paulo sorri e disse:

- Não dá, agora não dá...Tenho que estar inspirado.

Ela se ofendeu.

- Está dizendo que não sou uma grande inspiração?

Paulo encabulado e rubro lhe responde nervoso.

- Não  isso, calma você me interpretou mal.

O jeito foi mostrar o rascunho que tinha feito, para se livrar da ira feminina.
Sacou do blazer o papel toalha e mostrou à mulata.

Ah! Meu poeta, além de escritor e malandro, já havia se inspirado, mas quis guardar o sentimento só pra você. E deu uma gargalhada, e mais outra quando leu o titulo do poema.

 

ERÓTICA



Como é bom tê-la de costas...

Cheirar tua nuca,

morder teus lóbulos,

descer de língua e morder

como uma serpente o teu calcanhar...

Para envenená-la de amor.

Como e bom tê-la de frente...

E sempre,sempre...Adentrar teus mistérios

e não ter nenhum critério para sermos um só.

Que bom tê-la de lado...

E lado a lado percorrer as mãos na tua pele toda,

como estivesse titubeando no escuro,

e como um muro duro ser no amar.



Bom mesmo e viver,

amando tuas várias faces e lados,

e como um cavalo alado voar

aos céus dos prazeres,

sem limites, sem pecados,

somente colado boca a boca

sem regras para ser!

Só uma regra,

deixar-se amar...



Bom é morder,

as juntas dos teus dedos

e delicadamente qualquer outra junta,

que junta minha boca no teu precioso corpo.

Mordê-la inteira sem eira ou beira...

Beirar e entrar nos loucuras fatais

como amantes canibais

que se devoram sem se sangrar...

Somente o amar, o amar...



Bom é cheirá-la

como nobre perfume,

que aos sentirmos instintivamente

pressionamos levemente...

Os dentes nos dentes,

de tão raro perfume no ar.

Ouvi-la desde a tua respiração

aos teus gemidos

e viver cada canto do teu corpo

a junção do amor.




O rabisco era difícil de ler, mas Shirha parece ter entendido o esboço perfeitamente, onde Paulo a queria exaltá-la.

Ela então disse:

- A rodada dessa vez é minha... Você merece. -Garçom uma garrafa de vinho!
e foram tomando e tomando...Até o clima ferver.

Paulo não conseguia ficar na mesa, então pediu licença e foi lavar seu rosto que estava em chamas,  voltando  à mesa , Shirha não estava mais no recinto. E assim o coração de Paulo foi voltando ao normal, afinal antes parecia que havia um colibri batendo as asas rapidamente em seu peito.

Que golpe! Pensou Paulo, comeu, bebeu e se mandou.

-Garçom a conta!

O garçom se dirigiu a Paulo e diz:

- A senhorita já pagou.

Ele ficou surpreso, pede mais uma taça de vinho e fica a pensar naquela mulher.
Após a noitada se dirige para seu apartamento.

Era um galpão velho e abandonado e Paulo amarrado pelos pés e mãos escutava os bandidos decidindo o seu resgate.
O suor lhe molhava a roupa, o pavor do inesperado e desconhecido quase lhe tirava os sentidos, e as vozes dos homens ficavam mais parecidas, como o barulho das ondas revoltas do mar, e quanto o som estava quase que insuportável, Paulo grita! E num salto se levanta da cama. Já  acordando e sem o  pesadelo,  caminha até o barzinho na sala de estar e serve de um bom Whisky  acende um charuto, onde raramente o fazia, abre a janela e fica espionando o mar na madrugada, e as ondas agitadas batem nas pedras, e o som sai como  estivessem gritando na noite Sem sono vê o nascer do sol.

No outro final de semana Paulo reencontra a bela mulher, com um longo vestido vermelho, um celular em mãos fazendo uma ligação e feições de uma diva de Hollywood.

Dessa fez foi Paulo que a convidou para sentar junto a ele.

- Por que a pressa na semana passada?

- Desculpa Paulo era negócios inadiáveis. Disse agitada.

O celular dela toca, e ela se levanta e cochicha palavras no aparelho, pede gentilmente para Paulo  levá-la até um ponto da avenida cruzeiro, nisso Paulo olha para a calçada e vê um sujeito estranho , sentiu que já o conhecido, O sujeito havia acabado de guardar seu celular, e Paulo lembrou de seu pesadelo, sendo assim se  nega a acompanhá-la.

Os olhos da mulher quando ouviu a negativa se transformaram, suas feições e voz mudaram e indignada sai violentamente do local e nunca mais Paulo a viu pessoalmente, a não ser numa foto no jornal, onde o titulo da matéria dizia:

Presa quadrilha de ladrões e sequestradores. 
Chefiada por uma mulher de nome Maria Dolores, 
a mulher usava o pseudônimo Shirha.

 Paulo ascende um raro charuto e sorri de sua boa sorte.






 FUGA DE SÃO PAULO 

Depois de tanto tempo  num trabalho quase inútil em uma lanchonete na cidade onde nasceu, algo marcante, frustrante e irreparável aconteceu na vida de Ricky. Recebeu o convite  de um grande amigo para trabalhar nesta  lanchonete .Era  algo novo e desconhecido para ele, mas como já tinha o pé no comercio há dezesseis anos, não foi difícil inovar, pois somente mudaria de produto , antes vendia calçados e confecções.
No Fast- food Ricky era diplomático , extremamente educado na forma de falar e agir, até o confundiam com o dono do comercio, e isso o deixava vaidoso e ai que focava e direcionava seu trabalho.Ele vestiu a camisa da microempresa desde os primeiros dias,  dedicou  parte da sua juventude a este comercio, porém depois de cinco anos trabalhando seu amigo vende sua parte da sociedade a um homem ambicioso e de visão administrativa aguçada. no inicio Ricky ficou chateado pela amizade que tinha com o ex-sócio, mas foi se adaptando ao jeito..do..novo dono, e assim...foram se passando os anos, onde completou mais cinco de muitas correrias e fins de semana preso ao oficio.
Numa tarde de verão chegou ao trabalho, porém  de um modo meio estranho e injusto Ricky foi demitido.
Sem ao menos saber o porquê? Inconformado perguntava para uns dos sócios  esse então pediu para vir conversar mais  tarde com seu sócio , pois ele que tinha decidido o feito.
Sendo assim Ricky sem saber o  porquê foi até a lanchonete e ficou na espera. O homem foi chegando com uma feição  de despeitado e olhar de mal educado. Ricky perguntou  o que estava acontecendo, o motivo da dispensa.
O homem friamente disse que ele  estava lhe roubando.
Ricky ficou pasmo , se sentiu enorme, gigante... e aos gritos e ofensas verbais foi chegando perto daquele que o ofendera covardemente,   ia vociferando -Eu te mato seu bastardo, eu te mato, pensa que você e dono do mundo porquê tem esse comercinho,  e com as mãos ia batendo bem na frente da cara de cavalo  do sujeito. O homem bastardo  empalideceu, estava amedrontado , atônito , sem palavras , pois Ricky nunca mostrara esse lado de sua espécie humana.Querendo evitar fiascos maiores fugiu pela porta que estava semi aberta, e  entre muita gritaria e revolta Ricky foi remoendo aquelas palavras como um louco alucinado.
 Decidiu ir com o sócio do bastardo até o centro da cidade, onde resolveu ir à delegacia, contou o caso ao delegado, ele enxergava o estatura mediana. O delegado  demonstrando muita calma em ouvi ló, apesar que Rick estava muito transtornado e fumava sem parar.
Ricky  disse orgulhosamente que era mais fácil de ele estar ali preso por tê-lo agredido do que tê-lo roubado. O delegado ainda pacientemente dizia...Quer ou não abrir a queixa? 
Mas após desabafar , acabou se acalmando, aonde vai embora para encher o tonel e descansar de toda infâmia.
Na mesma semana, Rick vai novamente a delegacia, onde queria agradecer ao delegado,ele não sabendo o nome diz a data em que esteve no recinto e que o delegado era um homem de baixa estatura. Para seu espanto o delegado era enorme. Aí se deu conta de como estava seu emocional naquele dia da ofensa moral..
Ricky no decorrer dos dias seguintes, após  várias noites foi acometido de suores noturnos, onde  martelava em  seus pensamentos um plano para acabar com seu opressor.
Mas graças a um convite da irmã  caçula de passear numa cidade de Estado diferente  do seu, decide seguir sua vida em frente, onde  decidi ir conhecer a nova casa de seus parentes, fazia quase seis anos que sua irmã e cunhado mudaram, mas nunca havia os visitado. Ficava no sul do país.
 Ricky  ficou encantado com a paisagem, o ar límpido, a calmaria e a liberdade. Isso  o fez se entregar naquela vida paradisíaca. 


A CIDADE DAS FLORES - JOINVILLE


Os dias na nova cidade eram chuvosos e continuamente chuvosos, nunca Rick tinha presenciado tantas águas do céu, o jeito foi deixar as noitadas de lado e curtir a família e o sagrado descanso do corpo e da alma.
Na primeira semana deve um sonho inesquecível...Sonhou que estava em um grande vilarejo, no centro da floresta,onde homens receptivos e mulheres felizes , trajando roupas coloridas, dançavam e cantavam , onde a bebida e comida eram servidos a bel prazer, pareciam que eram da Suíça ou talvez da Alemanha. Rick dançou, bebeu e comeu das iguarias, o sorriso nas faces eram contagiante, mas este anfitrião tinha que ir e se despedindo da festa e do sonho este entra na vida real por uma janela o mais curioso foi quando Rick estava acordando o cheiro das flores estavam ainda na suas narinas e o mais incrível é que não tinha nenhuma flor ali por perto de onde estava seu quarto de dormir.Após um mês de descanso, este resolveu sair. Sua irmã lhe diz
 - Vai sair nessa chuva, ele diz que se não fosse, quando iria, pois a chuva não cessava.Então riram ... e de madrugada o boêmio voltou mais embriagado pelo sono do que pelas bebidas. E assim sucessivamente foi conhecendo a noite Joinvillense e seus curiosos habitantes.Mas seus sonhos leves coloridos acabaram, as imagens eram outras, que nosso amigo via.
A convite de um amigo, foi conhecer a cidade de Balneário Camboriú, além da saudade que matou da família do amigo que já eram conhecidos há anos  em São Paulo. Foi convidado a ficar uns dias hospedados na casa de praia de três andares, a onda quebrava nas pedras onde o incomodou ao  dormir no primeiro dia, mas no segundo parecia música sinfônica,onde lhe fez muito bem. No terceiro andar este via de um ângulo apenas o mar, o firmamento e o céu, onde este viu um dos mais lindos espetáculos da vida.
Que sonho...Tudo perfeitamente encaixado...A natureza onde as praias, os morros e o céu límpido encantavam. O conforto onde a infraestrutura da cidade era perfeita, desde as variadas lojas aos restaurantes e as casas noturnas agitadíssimas onde ficavam recheadas de gente bonita e feliz.
Foi lá em Camboriú onde que pela primeira vez viu o alinhamento dos planetas, onde ficou até mais sensitivo na época e nem sabia o porque? Rick estava cozinhando e de repente lhe deu uma tristeza, como não tinha hábito de ficar com o rádio ligado, para espantar a tristeza ligou-o para ouvir alguma voz. Em segundos a jornalista relata o alinhamento dos planetas, sendo assim esse vai a noite sentir o prazer de observar o fenômeno  onde sentado no banco em frente à praia, ficou vários minutos olhando ao céu.


UM DOS MAIORES ESPETÁCULOS DA TERRA


Era uma grande temporada no Balneário Camboriú, em Santa Catarina, o céu límpido ajudava a ver o que nosso amigo sempre sonhou em registrar no sentido material , físico e espiritual
Aos poucos o firmamento foi clareando em tons azul bebe, onde o astro rei estava prestes a subir e  num piscar de olhos, ele como uma gigante gema de ovo alaranjada apareceu, Richy sorri como criança, aos poucos se tornou uma grande gema cor de ouro , onde as vistas não conseguiam fixar de tanta luz emanada, ele vinha tingindo o grande mar de dourado rapidamente ,mas como tivesse correndo o grande mar até a orla, Rick corria as escadas subindo e descendo os andares  para ver o nascer  do sol de todos os ângulos.
Tudo se iluminou! O céu , o mar, as árvores, as rochas...Seus olhos, a alma e a vida naquele raro momento de Rick..Onde seu passado triste morreu, e ali foi feliz por anos.



AVENTURAS DO ÔLOKO


Esta é uma história de pura ficção que passa muito longe da tranquilidade de muitos lugares que desejamos estar às vezes, é... Quase sempre, digamos verdadeiramente sempre!

Nosso herói ÔLoko caminha agitado para sua dura missão nos fins de semana, que é trabalhar em uma lanchonete de entrega de pizzas no centro da cidade central.
Ôloko entra no metrô bonde a lazer, quando a porta fecha, sua gravata de seda italiana fica presa na porta, paciência a viajem continua.
Como sempre o metrô bonde está lotado e todo perfumado, devido à coqueluche do momento  era se banhar com o perfume Jaguar, o aroma africano mais procurado. Ôloko depois da próxima estação se livra da porta que prendeu sua gravata,  apressado se ajeita num micro-espaço e  logo chega ao seu trabalho.
Na entrada do Ocêquemanda, antes mesmo de pisar no chão do estabelecimento, ele ouve uma degradável cobrança:
- Ôoooloko tá atrasado 56 segundos!Vou descontar do seu salário.
O raquítico do Senhor Bola nunca deixava passar nada em branco.
Nosso herói sorridente coloca rapidamente seu uniforme de batalha e mal acaba de se arrumar  escuta um sutil grito:
- Ôloko!... Me dá um chopeee, esquenta o copo antes de servir que estou gripado...Aaathimmmm!...Maldita gripe do avestruz.
Seu Barriga faz um pedido incomum.
- Ôloko, eu quero um chope sujo.

- Como assim, seu Barriga!?

- Oras pois...Com a borda do copo molhado no limão e passado no sal.

- Precisa pimenta? Diz Ôloko brincando.
- No kibe japones sim!...
O telefone intergalax toca, Ôloko atende.
-Ocêkmanda, bom tarde! Loko ao seu dispor.

- Quero dois pedidos: Um Madagascar de presunto e queijo de cabra celeste, sendo um sem tomate e maionese... o outro sem presunto e maionese.

- Então um deles é... só de queijo de cabra celeste e tomate?

- Isto mesmo mocinho!...
Diz o cliente com voz de entediado.
Nosso herói pensa...
Que cara complicado.
- AH!... A kokajola ingordiet da ultima vez estava gelada e com gás...Quero com temperatura ambiente!Cuidado com a camada de plutônio, vocês podem ser multados!

Ok!... SENHOR, MANDAREI EM 33 SEGUNDOS!

-Cancela!...

-Mas meu Senhor!...

-Nem com senhor ou sem senhor, no concorrente entregam em 32 segundos, cancela!

É!... Só uma fração de segundos, mando em 32 segundos e meio.

-Melhorou, pode entregar.
O Loko se agita e digita o pedido na máquina de salgados a laser, em frações de segundos estão prontos. E assim chama o entregador.
- Salviano!... Salviano... Droga de comunicador tinha que quebrar logo agora, logo nesta época de abono emergência do povão.
Logo aparece um polido e elegante entregador também com uma vistosa gravata de seda Italiana, fora de moda é lógico...Porém não deixava de ser nostálgico e bela.
-Entrega para a balão do subterrâneo, rua gato preto sexta-feira 13.

Ih!...A inconformada de novo? Da última vez ela reclamou que estava faltando um salgado, Expliquei que a máquina não falhava, mas ela retrucou: Mas o atendente falha!!!

-Tudo bem Salviano, desde que você entregue no prazo, o resto eu me viro!
Salviano em frações de segundos sobe na sua mototerrânea e desaparece do Ocêkmanda.

-Ôloko cadê meu lanche que pedi há cinco segundos? To com fome e atrasado para jogar golfe de rua.
Droga! ...Um dia mudo de vida e me torno um grande Contista... Não!...Um grande escritor.




MEDONHO, João


O quarto passava pouca luz, deixando o cômodo úmido, João Medonho ali vivia com móveis simples, mas era feliz a sua maneira, nunca havia se casado, era solitário e um tanto esquisito aos olhos da vizinhança.
Em sua casa havia várias caixas de papelões contendo suas roupas antigas,porém bem conservadas, uma TV que quase nunca funcionava, afinal nunca a ligava,uma cama de casal com um colchão de penas de ganso,uma vitrola antiga ,entre outras coisas velhas e saudosistas.
Sua cozinha tinha uma pequena pia de mármore, uma cristaleira de madeira antiga que fazia par com uma pequena mesa; sua mãe deixou  ao partir dessa vida terrena.Era tudo que tinha na vida material.Mas João Medonho era dotado de um dom culinário tremendo, onde produzia pães no grande quintal, pois lá havia um fogão e um forno a lenha que João Medonho usava frequentemente.
O toalete era espaçoso, limpo e organizado,havia fotos de artistas colados numa parte da parede, era bem incomum isso, mas como vivia a sós, ninguém podia criticar seu hábito.   
Medonho recebia uma pequena ajuda do governo devido a seu problema físico e ainda o aluguel da humilde casa que ficava na parte superior, a casa era herança dos pais, assim vivia em meio a revistas velhas, onde recortava e guardava fotos de artistas ou de pessoas belas e cheias de vida, ao mesmo tempo em que ia recortando as fotos das revistas escutava musicas clássicas, pois havia um grande acervo em sua casa ,seu falecido  pai deixou centenas de discos e revistas de músicos e cantores, e em baixo volume vivia a ouvi- los.
 João Medonho tinha o nome de batismo de João Carvalho, seu sobrenome era próprio das suas características, afinal era duro nas feições, mas em contra partida um tanto paciente, principalmente com a chacotas e versos que os adolescentes faziam quando passava na rua, infelizmente ele tinha a aparência medonha. 
João Medonho tinha um desvio na coluna, que fazia seu corpo ficar inclinado para a esquerda e seu grosso pescoço tinha outro desvio que deixava sua cabeça um pouco virada para o lado direito, seus cabelos loiros eram belos e brilhantes combinando com seus  olhos azuis, que aparentavam tristes, mas bondosos e em paz, realçava com seu belo sorriso quando ele o mostrava, pois era raro sorrir.
A única pessoa que João Medonho conversava e simpatizava era Lílian, uma moça jovem e de boa família.Quando João Medonho ia  comprar suas revistas velhas nos sebos, geralmente nas quintas-feiras, colhia flores e no caminho deixava no portão de Lilian.Ela sabia quando  iria passar , e às vezes quando estava na varanda o chamava para uma conversava amigável.
Certo feito ao ir ao sebo do Sr. Nicolas, alguns adolescentes zombaram com o verso:

Lá vem medonho, ai que medo!
Sua costas vai para a esquerda,
Sua cabeça pra direita...
E nos vamos pra trás.
Xo! Medonho...

Medonho não dizia nada, continuou seu caminho, mas ficou profundamente triste e lembrou da sua infância onde sempre vivia solitário, pois outras crianças não ficavam perto dele devido suas anomalias e esquisitices, mas sua mãe o protegia e o tratava com muito carinho, mas seu pai era frio e distante.
No dia da chacota Lílian estava no portão e vendo o passar pediu para que ele parasse para uma conversa, ela percebendo sua tristeza  o forçou a contar o acontecido.
Lílian ficou indignada com o preconceito e discriminação ,e assim após sua saída,  foi até a rua onde João Medonho morava, certificou dos jovens que haviam maltratado seu amigo e passou o maior sermão e completou dizendo que quem mexesse com ele estaria comprando briga com ela na justiça. Depois dessa nunca mais mexeram com João.

Medonho tinha outro prazer na vida além de colecionar fotos de artistas, que era cultivar flores, plantar verduras e temperos em seu quintal e  cuidar devidamente das árvores frutíferas como de um de pé de limão, outro de laranja lima e um grandioso pé de abacate.O perfume das variadas flores invadia a pequena casa dando um toque de conforto, beleza e ar interiorano.
Certo dia, Lílian fez uma visita a João Medonho que estava naquele momento nos canteiros trabalhando e  passando o tempo como mais gostava, pois para ele era um hobby.

- Olá João como esta? Ela dizia sorrindo feliz.
- Tudo bem Lílian, vá ate a porta - Ela estava o vendo através da cerca do lado da casa.
- Não irei atrapalhar,João Carvalho?...

João sorri e meneou a cabeça, no caminho ele lavou suas mãos cheias de terra no tanque, entrou pela cozinha, foi até seu quarto que dava entrada para a casa e foi receber sua amiga.
 Lílian ficou impressionada pela quantidade de caixas que havia em seu quarto.  

-Ora Lílian que felicidade de vê-la aqui na minha humilde e pequena casa.
Ela a abraça,ele ruboriza.

- Trouxe lhe um presente, espero que goste João?
Medonho ao abrir o pacote encontrou um tônico e pomada contra acnes e um xampu para cabelos oleosos.

Ele sorri e agradece, Lílian ficou com medo dele se ofender, mas seu carinho por ela era acima de qualquer mal entendido ou expressão involuntária  e Lílian sentia se confortável por isso.   

- Como usa mesmo esses produtos Lílian?!De fato eu não sei...como.

João medonho vivia fora do mundo, criou o seu e vivia dentro dele, de pouco sabia, quase nada de informação do mundo lá fora e muito menos tinha amigos ou parentes que se relacionava a não ser Lilian.

Lílian paciente e carinhosa reponde:

- E simples João, o xampu você molha a cabeça coloca umas duas colheres pelo volume do seu cabelo, esfrega, enxagua e depois repete a operação e pronto. Já o tônico, primeiro você lava o rosto com o sabonete, molha  um cotonete com o tônico,depois e só passar pouquíssima pomada cicatrizante,você verá lhe dará uma melhor aparência e autoestima.

 João andava sempre com as roupas limpas e cuidadas, mas não sabia como eliminar alguns problemas do seu corpo e sua amiga Lílian lhe deu algumas dicas sutilmente e humana.
A visita durou pouco, onde João medonho ofereceu um suco de couve com limão que colheu fresquinho de seu quintal, e em poucas minutos se despediram e Lílian ficou em voltar  com mais tempo.

No outro dia João Medonho levantou feliz da vida, foi tomar seu banho e lavou seus cabelos com o xampu que Lílian o havia presenteado e tonificou sua pele e aplico a pomada.
Tomou seu café delicioso, onde mistura uma colher de cevada o deixando mais aromatizado e se fartou do pão caseiro que ele mesmo fazia.
Colocou sua melhor camisa, penteou devidamente seus cabelos e já havia uma notória melhora em sua pele oleosa, seus cabelos ficaram com um certo topete, lhe dando um ar de cabelo de modelo, seus olhos brilharam ao se ver no espelho, a sua sensível mudança. Sendo assim foi comprar novas revistas e como sempre passou em frente à casa de Lílian, mas ela não estava em frente a casa e as janelas e portas estavam fechadas.

No crepúsculo primaveril lá estava João Medonho sentado em sua cadeira,  , olhava o cair da noite, era um belo espetáculo da sua janela, o sol ia se pondo e as nuvens ficavam coloridas em tons alaranjados, amarelos ,e azuis...Até a noite engolir o dia e as majestosas estrelas darem o ar da graça, e com a sua tesoura ia cortando e cortando fotos de belas pessoas, assim ia guardando em suas caixas.
E entre o quarto, a cozinha e a sua horta, vivia a semana inteira e religiosamente saia as quintas feiras para as compras, onde sempre observava a casa onde sua amiga Lílian morava.
A semana passou rapidamente e novamente João medonho se preparou, colheu alguns lírios e ao ir ao sebo do Senhor Nicolau passou em frente à morada de Lílian ,só que desta vez apertou a companhia e esperou ela sair.

Um homem de aparência triste apareceu de repente e  pergunta:
- O que deseja?Fale logo que tenho pressa, não tenho nada para dar!

João intimidado se apresenta e pergunta baixinho:
- Desculpe o incomodo, meu nome é João Carvalho...A senhorita Lílian esta? Sou florista e gostaria de deixar esses lírios que ela encomendou...
João mente em relação ao dar as flores, estava com receio do pai dela se irritar. 

O velho pergunta:

- Precisa pagar, não tenho dinheiro  no momento, e mesmo se tivesse não pagaria.
- Sou o pai de Lílian, ela se encontra na cidade neste momento, não me disse nada em ter encomendado flores!
Diz ele com ar de desconfiado. 
João Medonho entrega as flores e se despede sem muitas explicações, e pensa com seus botões.. que falta de sorte!!!                                
Passaram três semanas desde a visita de Lílian, e quando ele menos a espera essa surge numa manhã chuvosa e fria.

Ele grita ao vê-la passar e corre para abrir a porta.
Lílian! Que surpresa... Saiu nessa chuva e frio, por que sumiu por tanto tempo, tenho passado em frente a sua casa e não te vejo, aonde foi... Está tudo bem?

Lílian sorrindo diz:
- Calma quantas perguntas ao mesmo tempo! Estava na casa de minha tia-madrinha, irmã de minha falecida mãe. Ela estava doente, mas já se recuperou da gripe mal curada.  

Ele lhe conta que conheceu o pai de Lilian.

- Pois bem, conheceu o Sr. Joaquim, é a sutileza em pessoa. 

E os dois riram.
Lílian continua a falar:

  - Obrigado pelos lírios, os encontrei murchos, fora do vaso com  água, mas...Valeu sua bonita intenção .

Nisso ela grita assustando João Medonho e diz efusiva:
- Sua pele está brilhante...Limpa, e os cabelos que graça!
  
   João medonho ruborizado como uma pimenta malagueta.
- Ora Lílian assim você me deixa encabulado.

- É um belo homem e deveria sair mais, além de se limitar somente seu mundo particular.

Ele suspira e diz:
-Não precisa mentir para mim Lílian, sei que sou estranho.

Lílian não se conformava com a depreciação de João. 
-Pare de dizer isso João, olhe seus olhos, seus cabelos bonitos e quando você sorri, deveria sorrir mais, está até mais jovial, não me diga que apaixonou por alguma jovem enquanto estava em minha tia.

Ele nervoso e gaguejando diz:
-Ora, foi o creme e tônico que me presenteou..

Aquele dia Lílian ficou mais tempo em sua casa e amigavelmente ajudou João medonho na horta, a assar pães e cortar fotos de revista. E entre uma brincadeira e outra, um chá ou um saboroso café o tempo passou, e quando Lílian ia embora lhe deu um abraço, e retirou um telefone antigo de sua bolsa e entregou para João medonho aonde disse:

- João Carvalho, preste bem atenção esse e um telefone raro e pertenceu a uma grande pessoa, sei que gosta de objetos antigos e por isso estou lhe presenteando, consegui o com muito custo em uma loja de antiguidades, diz o dono que não queria vendê-lo, mas mudou de ideia quando disse que era para presente  pra um amigo que vivia excêntrico e de muito valor, então ele disse que eu tinha pronunciado duas palavras mágicas que era muito e valor Por isso me vendeu, achei estranho, mas fiquei feliz pela aquisição e por presenteá-lo  meu amigo.


Lilian entregou efusiva o telefone a  João medonho que ficou extasiado pelo presente e se despediram...Esta foi a última vez que João Medonho viu sua amiga Lílian, pois essa foi acometida de uma virose que nenhum tratamento a salvou, e com os pulmões fracos e cansados deu seu último suspiro no final de uma  linda florida manhã de setembro.
Poucos ficaram sabendo do enterro, afinal sua tia custeou todo velório e enterro e levou seu corpo para ser sepultado na sua cidade natal, mas seu espírito e boas lembranças com certeza ficariam naquela pacata e bela cidade do interior.

 João medonho sem saber de nada foi levando sua vida pacata e passava em frente a casa de Lílian e nada de vê-la,depois de meses  um dia impaciente e com saudades tocou a companhia.
Sai o velho pai de Lílian cabisbaixo e não tão arrogante e pergunta:

- O que deseja?Ah!... E você seu João florista.

João leva um susto:
- Como sabe meu nome?

Sem nenhum tato ao cuidado o velho diz:
-Antes de Lílian morrer me contou da amizade que tinha com você, e pediu pra tratá-lo com muito respeito por foi um grande...
João empalideceu, não sentiu as pernas ,e sem fala alguma cerrou os olhos e desmaiou. O choque foi grande demais, sua amizade e sua mentora de outrora partiu sem ao menos dizer um adeus, daí por diante tudo mudaria na vida aquele pobre ser.


João abre seus olhos, vira de lado e vê sua janela aberta com  um a fraca luz, sorri e pensa que tudo foi um pesadelo, mas ao virar a sua esquerda uma velha senhora parecendo Lílian mas com mais idade esta sentada ao seu lado.Era a tia de Lilian, meneando sua  própria cabeça.

Ele grita desesperado
-Por que?...Oh! Meus Deus...Que dor! 

A senhora de voz macia e fraternal diz:
- Meu jovem você não sabe a dor que sinto, minha afilhada foi tão boa comigo, tão especial, em planto continuou...Cuidou de mim dia e noite e quando recuperada partiu e eu não pude fazer nada para ajudá-la.
Ela me contou sobre sua amizade faz um semana que você está em coma, estávamos cuidando de você e esperando sua volta, não desista, ela não gostaria de que você desistisse.

O tempo foi passando e João Medonho aos poucos se recuperou  e quando se levantou do seu leito a primeira coisa que fez foi ver sua horta e flores. Estava tudo bem cuidado pela tia de Lílian. E com muito pesar no coração João foi voltando a sua rotina.



 O telefonema 2


 Era a segunda semana de maio quando algo espantoso aconteceu na casa de João Medonho,o telefone que ganhou de Lilian misteriosamente toca precisamente as três da madrugada.
O telefone não estava nem ao menos conectado, João levanta da cama e o pega bruscamente e diz:

-Alo!...

Uma voz feminina e familiar diz suavemente:
- Meu querido você tem que se cuidar, olhe, essa aparência triste, seus cabelos, suas unhas...Trate de si devidamente...

João atônito grita:
- Quem esta falando

A voz responde:
- Sou eu meu filho, sua mãe...

João solta o telefone, que cai no chão, ao pegar o telefone se encontra mudo.
E assim volta para sua cama sem saber os por quê? Pensa que ainda está em situação de choque, pela morte de Lílian...E ao som de uma pesada chuva que caia naquela noite,ele dorme ao som harmonioso das gotas de água no telhado.

 As flores estavam cada vez mais encantadoras e  João Medonho cada vez mais  mal cuidado, não saia de casa e não comia devidamente,ele sentava sempre a tarde onde de olhar parado  e penetrante  via o fim- do- dia e os últimos raios solares que despontavam ainda no céu.  Parecia querer também morrer, mais a morte não buscava quem queria e sim quem já estava pronto para levar.


Após sete dias contados e no mesmo horário, as três da madrugada o telefone tocou novamente.

João deu um salto e levantou da cama e agarrou o telefone e disse:

- Que brincadeira é essa, pare com isso...

 A voz pronunciava:
Sou eu João, você não me obedeceu, se cuide Joãozinho,,, saia de casa e a voz foi ficando mais fraca e sumiu de vez.

Somente uma mulher o chamou na vida inteira de Joãozinho e assim ele caminha até o banheiro meio que sonolento e desacreditado.
João pensou que estava febril  e no mesmo instante foi ao banheiro, se banhou e  sentiu forças, procurou  um pequeno espelho quebrado que estava numa caixa embalado e se barbeou. Quando deitou, suspirou profundamente, a chuva começou a cair. E João dormiu tranquilamente, leve e com uma boa expressão no seu rosto.
João Medonho ao acordar sentiu se forte para sair e ir ao sebo de sr Nicolas, quando saiu notou que à rua estava seca, parecia que não havia chovido, e assim ficava mais um mistério em  sua vida.
Ao caminhar para a loja ele fez um caminho diferente, não queria passar em frente de onde Lílian morava, seu Nicolas ficou feliz e solidário ao ver João Medonho naquele dia que  nem cobrou o que ele levou e ainda lhe presenteou com um pequeno livro que servia como oráculo.
E os dias de João foram voltando ao normal ,a não ser pela ligação que recebia toda quinta-feira nas madrugadas as três em ponto.
Com o tempo João foi se refazendo do acontecido e se acostumando das sinistras ligações, um dos últimos diálogos com o além foi definitivo para mudar sua vida.
Ele já havia recebido ligações da sua mãe, pai, amigos e até dos avós, mas um dia o amor fraterno rompeu as barreiras do desconhecido e sua adorada Lílian se conectou ao mundo carnal e depois disso nunca mais o telefone tocou.

   

O SONHO E A VISITA- FINAL

Era véspera de natal e o solitário João Medonho tinha colhido alguns lírios e colocou num vaso em cima da mesa, ascendeu um incenso suave de flores campestre, preparou um pão de frutas cristalizadas e sem ser de costume abriu um vinho tinto suave e sorvia pausadamente um cálice e depois foi dormir.
João via vários quartos claros e arrumados e sua horta e pomar extensos e variadas árvores frutíferas como pés de jaca, cajueiros jabuticabeiras, bananeiras, mangueiras entre outras e curiosamente várias crianças sorridentes ao redor.
Havia mais fornos a lenha e vários pães estavam sendo produzidos em serie, e o aroma era delicioso, e João despertou do sonho sentindo ainda o aroma dos pães em suas narinas. 


A tia abastada de Lílian foi visitar João Medonho durante a última semana do ano e carinhosamente lhe propôs uma sociedade para construir uma instituição de abrigo a jovens carentes da cidade onde João morava e das cidades vizinhas.
Naquele dia João a recebeu, porém estava mais introspectivo do que nunca esteve antes, pois seu sonho não saia da cabeça, e sabia o que deveria aceitar a proposta da tia de Lilian.e sendo assim no ano novo foi visita-lo.

- Bom dia meu caro jovem, lembra de mim, a tia da nossa querida Líliam que infelizmente partiu?
João cabisbaixo responde que sim.

A bondosa mulher conta-lhe que comprou grande parte de terra que fica aos fundos de sua casa e que gostaria que ele a ajudasse no projeto de construção do abrigo para jovens órfãos e que ele tinha um grande dom natural e que ele seria ideal para ensinar as crianças os ofícios de cultivar hortas e confeccionar pães.

João sem pensar recusa na hora – Ela desconcertada pede para ele pensar melhor, dá o numero do seu telefone e se retira da casa.


Noutro dia João Medonho  na área que dava de frente as suas plantações vê uma luz em forma de mulher e como um vento fraco uma voz lhe sussurra os ouvidos.
- João esta na hora de você se doar pra humanidade e mudar sua rotina... Aceite a proposta da tia Alberta, faça aqui da sua morada o projeto que ela lhe propôs...   

A luz foi sumindo aos poucos.

Após a visita de Lílian naquela linda manhã, João Medonho liga para tia Alberta e diz que aceita  em sua  casa seu projeto.
Quando tudo realizado, após longos anos várias crianças foram ensinadas a arte de cultivar flores, frutos e assar pães artesanais e vários cidadãos vinham de longe a procura da "Casa Feliz de João Carvalho" para comprar seus produtos e escutar a velha lenda da cidade.
 E após a morte de João Medonho outros sucessores vieram, mas sua  foto em grafite na parede que foi feita por um menino corcunda e esquisito ficou por toda eternidade naquela instituição...E numa linda noite de primavera o telefone toca... Assustada Dona Olinda atende.  
Alô... Dona Olinda aqui quem fala é?... 





CAFÉ COM BOBAGEM



Certo feito em um pátio onde se reuniam trabalhadores para uma pequena pausa e tomarem o costumeiro cafezinho ao lado de uma portaria, sempre havia uma boa conversa, observação curiosa ou até assuntos levianos. Neste dia era uma madrugada fria onde essa pedia um café encorpado que espantasse o sono e o tédio, e em conjunto de boas risadas quem sabe surgiria algo edificante nesse mundo sórdido, e como o dia pedia, a conversa se estendeu por minutos.Três dos trabalhadores vieram calmamente andando é já com risadas soltas, e assim serviram do café da portaria que era uma cortesia da casa. Os dois supostos vigias eram todo ouvido pra situações , comentários e piadas... Mas, como sempre era quase sempre as mesmas, um dos trabalhadores ,o famoso Mané, que se destacava pela falta de criatividade e por fazer comentários indiscretos e quase sempre ácidos disse:

-Você viu a mulher do pintor de rodapé , a mulher é uma jamanta, dá três do menino e que figura mal acabada, parece um rascunho...Há., há , há... E todos eles riam a custa da diferença alheia, e entre uma piadinha e outra a garrafa de café ia se esvaindo.Um dos mais novos em idade ressaltou:

-Não acrediteiii mano!... O cara disse na cara do fulano...sua mulher é feia heim!...Pensei que era brincadeira...há! há!, há!

A mulher de fato ela não era uma miss, mas também não devia esculachar na frente do colega.E continuaram com os risos.

Um dos guardas já conhecia a mulher por foto, onde o colega de trabalho já havia lhe mostrado quando esses trabalhavam juntos em outra ocasião.

O alvo do apedrejamento feminino era segundo o caboclo, o seu marido,uma grande companheira onde o impulsionava na vida , cuidava bem dos seus filhos, ajudava-o bem nas despejas de casa e ainda era jovem e forte onde demonstrava ser uma ótima parceira pra festas conjugais,pra que mais, o casal era perfeito,, divertido e nos parâmetros da vida, o que é mais importante...Feliz! O pior é que o guarda tentou defende-lo na causa, disse que ele já a havia apresentado através das fotos num celular...ia complementar que o caboclo comentou que sua esposa era competente e virtuosa e que de fato eles se combinavam perfeitamente... 

Porém foi interrompido por outro trabalhador que disse:

-Nossa ele mostrou a foto da esposa, eu não fico mostrando a foto da minha pra ninguém!.. Bom o caso é que o homem era simplório, sem malícia e se sentiu à vontade com o guarda...mas como a maldade impera na espécie humana.Assim o diálogo foi sem fundamentos e de maledicência...


No outro dia ,outros dois diferentes trabalhadores chegaram pra o “café com bobagem” e iniciaram uma conversa...Você viu a mulher do Mané, apareceu aqui na madrugada ,que coisa mal arrumada... E riam nas costas do Mané...E o café ia se esvaindo e os guardas se divertindo e se instruindo.


Moral da história: Enquanto você olha e pincha o que é dos outros, outros estão a pichar o que é seu.


A ETERNA PROCURA DO HOMEM

Certo homem parou no caminho que percorria e numa pedra grande protetora sentou e ficou. Ali dormia, se alimen­tava dos frutos que o cercava , bebia da água do céu e das rochas. E por muito tempo assim sobreviveu.
Certo dia um ancião passou e lhe disse:
 Por que vives assim!...Deves conhecer o mundo, ele é perfeito lindo e prazeroso.
Quando o homem sentado na pedra levantou sua ca­beça e seus olhos tristes nada viram. Sendo assim pegou seus poucos pertences e caminhou mundo afora. Conheceu lin­das cidades, pessoas distintas e outros maus intencionados. E num certo dia parou perto de uma roda de senhores e um homem lhe disse:
 – Some daqui infeliz! Que maltrapilho tu és... Não sig­nifica nada, não geras nada e ainda quer viver nesse mundo que nós grandes homens construímos e mantemos em perfeição... Olhe ao teu redor! Vê essas madeiras nobres que re­tiramos da natureza e construímos essas suntuosas peças que gera grandes casas, mobílias e trás conforto aos homens, é tudo fruto de nossos esforços;  olhe também essas riquezas que extraímos do solo para levantar cidades e mais cidades, analise bem de perto essas roupas perfeitas de linho puro, até caçamos e nos arriscamos para tirar de certos animais nosso material... Agora olhe pra você, que ser pequeno e sem posses... Sem um nada.
O homem calado olhou e ficou; assim continuou sua jornada e depois de muita caminhada, reflexões e da sua necessária solidão e silencio, encontrou um lindo lago límpido, onde flores exóticas embelezavam o lugar, pássaros felizes ali gorjeavam; os peixes pulavam alegres ao vê-lo, as árvores ao seu redor tinham copas milenares. Ele então suspirou, sorriu e pensou e, seus pensa­mentos foram além dos seus sentidos, lembrou-se daqueles homens que se viam perfeitos, que um dia iriam destruir toda aquela beleza.
Qual mundo é o verdadeiro? Pensou ele... Quem sou eu e pra onde vou?
Refletiu seu passado e presente, em seguida se joga no límpido lago, afunda profundamente e depois de horas, dias ou meses retorna a superfície. Ao abrir seus olhos, vários homens, mulheres e crianças com vestes brancas feitas com linhas douradas e prateadas estão ao seu redor. Aquelas feições que nunca tinha visto antes no seu mundo o surpreen­deu, assustado pergunta a um deles:
 – Onde estou meu senhor?
– Você está no planeta Terra!
Então ele sorri e, quando se olha, está vestido igualmen­te a todos àqueles que estavam presentes.E todos ouviram um grande estrondo ao redor do céu e da terra, mas aquele lugar ficou intacto e paradisíaco como sempre foi e deveria ser.




A SENHORA E O PLANO FUNERÁRIO


Quando um amigo meu vendia plano funeral ele vivia a me contar dos impasses do seu dia a dia de vendedor,
certo feito ele de porta em porta com sua pastinha, todo social  e "animado" feito uma viúva pobre 
e abandonada. Bateu palmas , apertou a campainha e veio uma senhora toda simpática atendê-lo.
Ele começou com o cordial bom dia e as perguntas básicas,como se ela tinha plano funeral, se conhecia a 
empresa e se já tinha ouvido falar do slogan que dizia: "Se despeça com alegria e tranquilidade". 
Ela disse que não, dai era o gancho que ele tinha pra vender seu produto.  
Mas aquele dia ia ser diferente, a senhorinha tinha muito que falar e tempo também, e aí começou:
- Olha eu não tenho o plano não, porém tenho já o jazigo; eu tinha um jazigo no cururu, mas troquei pro um perto da serra da Cantareira, o do cururu tem muita barata e o terreno e muito seco, já o da colina e muita mais úmido, conserva mais as pessoas.- Severino tinha acabado de tomar café, seu estômago estava revirando pela conversa tão ampla e a observação tão instrutiva...e a senhora continuava sem parar.a.prosa. 
- Meu marido morreu este ano, foi muito bem tratado pelo empresa que contratei, mas aquelas moças simpáticas pegando o numero de telefone dos familiares,humm...Achei um tanto estranho naquele momento tão delicado, mas tudo bem, a família inteira comprou o plano depois das ligações, porém eu não precisei pois minha sobrinha me adicionou, quando meu marido foi enterrado, aconteceu um caso muito interessante , um pequeno caixão ia sendo levado pra ser sepultado e achei o cúmulo , ninguém da família, vizinho, ou sei lá, estar naquele momento se despedindo daquela pobre criança e, assim eu e minhas vizinhas fomos seguindo aquele sepultamento, pois o meu marido já o tinha sido, e assim todas nos choramos e rezamos e no final um das minhas amigas perguntou ao coveiro, moço por que ninguém da família está presente no sepultamento do anjinho; o coveiro depois...disse que era uma perna amputada e caíram na gargalhada, assim nos retiramos e mais consoladas e até rindo do acontecido, descobrimos também que os membros amputados  são  enterrados.- A conversa estava interessante e Severino ia escutando veemente aquela senhora. - Aí moço triste mesmo foi aquela família que não tinha dinheiro pro enterro e todos se reuniram no dia pra conseguir as moedas, mas o pior foi quando estavam no 
cemitério e não havia vaga e ficaram de cemitério e cemitério, o corpo já estava até passando do ponto.
- Bem senhora, tenho que ir, foi um prazer ouvi-la,
-Nisso ela grita:
 Oh!... Maria o moço do plano funeral tá aqui!-  E vem uma grande e pesada senhora- Bom dia moço... eu to de saco cheio do pessoal da sua empresa ficar ligando aqui em casa, já troquei até o número e ainda assim me descobriram, e outra, a mulher que liga aqui é a ex -mulher do meu ex -marido, conheço muito bem a voz daquela dissimulada, entra aqui vamos resolver essa parada vou me adicionar ao plano familiar,assim aquela lambisgoia não me liga mais- E deu uma gargalhada- Assim Severino ganhou o dia com a venda, e como de costume parou no bar, tomou sua pinguinha e me contou todo o fato.
.É amigo Severino...A vida tem dessas coisas.


O MENDIGO BORRADO





Certo feito o poeta- cobrador...de débitos bancários a viajar durante o café da manhã, presencia um fato diferente, um mendigo, pedinte, idoso e largado ao passar em frente a lanchonete, pede um refrigerante lata e paga, porém quando pega o produto se apossa de um de 600 ml. Onde o gerente interpela:
Ops!...O que você pediu foi um refrigerante de lata! Não de 600 ml... Pô!
O mendigo se defende :
- Eu tenho dinheiro, não to roubando.
O dono do estabelecimento retrucou:
- O problema não é o dinheiro.
Antes de terminar de falar o mendigo diz :
- Vocês são preconceituosos, se eu tivesse de gravata, me trataria bem!
O dono de cara inchada pela conversa diz baixinho :
- Você tá todo cagado, sujo, os clientes estão comendo.Vê se têm consciência e decência.
Que difícil a situação,mais difícil e estar em frente uma das maiores prefeituras do mundo...E fecharem os olhos, cruzarem os braços pra tantos problemas sociais na cidade. A noite ao  redor da prefeitura vira um dormitório de mendigos, os prefeitos chegam de helicóptero, eles deviam entrar de baixo para cima também, para ver o festival de horror.
Acorda São Paulo!!!
A LOIRA


Um dia alegre cheio de amigos e convites para diversões, lá fomos nos para noite paulista atrás de emoções e loucuras.
Márcia com seu Willy, que era um fusquinha ano 64, cor bege, estava feliz por ter deixado o marido em casa e estar com os amigos, que eram eu, Bia e Edvaldo.
O forró estava em alta, e de bar em bar de mesa e mesa, estávamos nós a nos divertir.As meninas estavam com suas lindas pernas de fora, eram torneadas e firmes, seus seios opulentos quase saltavam de seus decotes, mas não estavam vulgares, afinal era inverno e além de elegância a sensualidade ficava no ar.
Edvaldo adorava um conhaque e quase sem roupa de inverno suportava tal frio, eu bem agasalhado e embriagado pela cerveja, dançava e ria feito louco.
Tudo estava indo bem até o fusquinha não querer pegar mais devido ao frio ou sei lá -Mais o que...Dizia Márcia- Não me decepcione Willy! Não me deixe na mão - E incrivelmente, o carro parecia que a ouvia e logo funcionava pra alegria de todos.
A Última parada foi num lugar simpático e alegre, as meninas dançavam sem parar e o copo de Edvaldo sempre cheio, de repente a tristeza tomou conta de mim.
Márcia que era mais sensível e a dona do volante logo me pergunta se estou bem, mas não estava, uma  tristeza tomou me por encanto.
Fazia pouco tempo que havia saído do emprego, e tinha promessas de um novo e com ótima remuneração, porém tudo seria novo e desafiador.
Márcia pergunta se poderia me ajudar em algo e peço para sair daquele ambiente e irmos para onde iria trabalhar, o pessoal não gostou nada e a contra gosto fomos pra tal lugar.
Quando íamos chegando ao local algo estranho aconteceu, uma linda mulher de cabelos loiros  bateu as mãos no capo do carro e gritava por socorro onde dizia:
 -Eles vão me matar!...Me ajudem! - Márcia pedia calma e questionava o que estava acontecendo. De repente  olhamos ao lado e havia três homens, a mulher ensandecida atravessa a avenida, onde por pouco não é atropelada por um automóvel.
Uns dos homens depois fiquei sabendo que era seu namorado, outro um dos donos da casa noturna e o outro funcionário da casa.
Segundo uns dos funcionários naquele dia o namorado da mulher loira batia a cabeça dela na parede varias e várias vezes, além de ameaçá-la com seu revolver, os outros assistiam a cena e nada faziam... Talvez ela não valia grande coisa, mas nada justifica tais agressões.
Minha tristeza não foi por acaso, afinal num lugar sombrio e deserto seria um ótimo lugar para eliminar certo ser, mas tudo acabou bem com todos indo para casa. A segunda parte do mistério e desvendada repetidamente, mas com outras nuances no conto Nádia a enigmática.


O SUMIÇO DO TAPETE



Que desagradável presenciar alguém, ainda mais uma senhora, ser roubada descaradamente, quem o é com certeza sente-se impotente e lesado.

E que mundo em que vivemos, cadê a privacidade, a segurança, a liberdade?... Hoje vivemos em um mundo civilizado, mas com certeza com seres não tão civilizados, mas a educação continua com passos de formiga e com vontade, como dizia os nossos velhos sábios.

O caso do sumiço do tapete começou quando a inocente domestica, que era toda inexperiente e embaraçada procurava um lugar apropriado para deixar o tapete que supostamente iria para a lavanderia, mas este obteve outro rumo, o carro da sua patroa ficava na garagem principal, onde ela deixou o objeto ao lado do portão de grade de ferro, onde duas jovens abriram o portão para a moradora e a empregada, afinal nem a chave a mulher ainda tinha.

Nosso já conhecido e paciente ascensorista observava toda cena, onde um velho tapete cor de vinho, lembrando um tapete persa ficou escorado na parede ao lado do portão da garagem. De certa forma este ficou até convidativo as pessoas de mal costume levá-lo embora.

Sendo um prédio familiar, a inocente empregada domestica e a moradora não sabia da possibilidade de roubo, além do mais a sua patroa já estaria descendo para pega para coloca-lo no automóvel.Mas o tapete voador sumiu numa fração de segundos, isto aconteceu quando o lixo estava sendo recolhido dos apartamentos. O ascensorista ficava neste espaço de tempo no salão de festas, afinal, o elevador ficava repleto de sacos enormes de lixos e depois era limpo e aromatizado novamente como estivesse imaculado, sem ter nunca carregado lixo.

Quando o ascensorista estava sossegado na cozinha do salão de festas, escuta a porta se abrir, e uma voz doce ecoa. educadamente.

- Joana! Você viu o tapete que minha empregada domestica colocou na garagem - Pergunta a moradora à faxineira do prédio nega ter visto.

Nosso amigo ascensorista ao ouvir a conversa interpela e diz:

- Eu a vi deixar o tapete encostado na parede do portão da garagem, onde a senhora guarda o seu automóvel. -Nisso os três descem a procura, vasculhando todo o local, mas, logo desistem, pois foi inútil a busca.

Nisso ficou o mistério do sumiço do tapete, onde quem é perceptivo e tem o dom de deduzir como um detetive sabe quem causou o roubo.

À tarde a moradora toda sorridente vem andando com dois tapetes novíssimos, onde nosso ascensorista lhe diz: 

-É isso aí, deixa os pobres de espíritos, com os objetos dos outros e seja feliz com o seu novo tapete sem ácaros - E os dois se põem a rir da situação, pois quem tem bom humor e paciência nesta vida vive mais.
O CHATO


Vida de um ascensorista não é fácil tem que ouvir cada uma, mas nem sempre Severino ficava calado.Severino..lia..uma..coleção da "Folha de São Paulo.
Depois de várias subidas e descidas no elevador do prédio o primeiro e desagradável contato verbal com o morador, que era um assobiador ambulante foi feito:
- Hummm. Esta coleção da "Folha de São Paulo" não vale nada! Onde já se viu bolinho de bacalhau com farinha de trigo? Ha! Há!Ha!
Ficou mudo e estarrecido o ascensorista.
Severino nunca teve uma função tão massacrante; quente,e abafada.Nunca estivera preso em um lugar tão pequeno, por isso devido gostar de se aventurar na cozinha começou a colecionar receitas do mundo da "Folha de São Paulo".
O Segundo contato com o chato:
- Este é um prédio de família! Dizia para dois moradores.
Severino não se conteve, era a sua grande chance, então disse:
- Humm... Tenho duvidas, onde já se viu jogar lixo pela janela! Imagina se acerta uma mulher grávida, acerta uma criancinha ou mesmo uma pessoa cardíaca... Sem contar que tem fulano que cospe pela janela, joga bituca de cigarro acessa, quebram o elevador, chutam a porta de vidro... E até tubulação de esgoto eles danificam! Esse final de semana a garagem ficou cheia de excremento devido ao vandalismo.
Um dos dois moradores interpela:
- É verdade, um dia estava na garagem e jogaram um saco com água quase que pega minha cabeça, sem contar as camisinhas voadoras!
A terceira moradora, uma simpática cozinheira nipo-brasileira, ficava cada vez mais boquiaberta.
Esta pequena polêmica durou entre o térreo e o  15° andar. O mal observador, talvez ficasse irritado com a controversa do ascensorista, mas seria muita injustiça com a administração que era alvo de fortes criticas de moradores alterados e que nem sempre sabia das verdades.
Terceiro contato com o chato:
Depois de algum tempo Severino continuou lendo feliz o seu livrinho de receitas. O chato entra no elevador como sempre e solta um torpedo:
- Nossa essa coleção não vale nada, só sendo um trouxa para comprar... Há!Ha!Ha!
O ascensorista Severino dá um olhar de desprezo e fica na sua.
O que o chato iria pensar? Não importa ele é apenas um chato mesmo!
 A PÁSCOA


Severino nosso amigo do sobe e desce, nunca tinha em vida presenciado tantos ovos de chocolate e coelhos imagináveis em sua frente como no ano de 2005.
Foi num lindo domingo ensolarado, de céu azul - turquesa e sorrisos perolados e olhinhos felizes, onde as crianças gritavam nos apartamentos a cada visita que carregava um ou mais ovos de chocolate em mãos e às vezes até uma cesta repleta deles.
Depois de tantos trabalhos distintos em sua vida, este figurão encarou de trabalhar em um elevador de mal funcionamento e com os moradores em polvorosa. Imagine leitor o que se passa entre o entra e sai de um elevador. Um rosto feliz e outro amarrado, moldados stress do dia a dia do paulistano.
Mas, vai ser um dia feliz, emotivo e doce esse domingo trabalhado.
Dia de Páscoa!
As criançadas estavam felizes, radiantes e saltitantes como coelhinhos livres no campo, na expectativa para receberem os seus ovos do mais tradicional aos mais sofisticados, afinal os tios, padrinhos e amigos dos familiares nessa data desembolsavam alguns níqueis para alegria geral.
A páscoa como todos já sabem é um grande dia de confraternização entre as famílias, e mesmo Severino estando trabalhando sentiu o clima e a sensibilidade no ar do que essa data estava significando a cada um naquele dia. Mas não era só isso que Severino sentia no ar, era também o cheiro gostoso dos pratos de bacalhoada e peixes no ar, aonde estes iam sendo preparados dos mais variados jeitos, impregnando o ar e, dando um  toque especial no quadro de domingo. Isto fazia nosso amigo lembrar-se da bacalhoada que sua mãe sempre preparava, fazendo-o lembrar de que tinha família e também com quem festejar.
Severino observava os visitantes e do nada ou do tudo surge uma moradora que era professora primaria onde carregava um carrinho repleto de ovos, supostamente, talvez era para seus alunos, ela lhe estica os braços e carinhosamente lhe da um micro ovo numero zero, mas sua expressão e carinho era mil. Ele sorri e agradece.
Logo após um simpático casal que sempre transmitiram simpatia, presenteou Severino com um grande ovo de páscoa, onde esse agradeceu efusivamente.
Apesar de ser um domingo de trabalho, o dia para nosso amigo passou rápido e doce, onde após o termino do dia este foi para casa saborear a comida caseira e festiva, onde em sua casa a mesa estava repleta de doces, salgados e bebidas dos mais variados, afinal tinha cinco irmãs ,onde a casa da mãe sempre estava repleta. E assim ficou marcado em sua vida e memória um domingo de páscoa diferente, em um prédio de várias histórias e fatos curiosos.


A FAVELA EM PÉ


Por mais que o homem tente ser correto, justo, sempre haverá vítimas e também pessoas que se fazem de vítimas.
O ascensorista Severino sabia do sistema de trabalho de recolhimento de sacos de lixos, onde fielmente eles eram recolhidos de segunda-feira a sábado.E mesmo com os elevadores não funcionando os lixos eram recolhidos de andar a andar pelos valentes funcionários, e desciam os dezoito andares com toda lixarada.
Certo dia, no começo da noite, uma moradora despreocupadamente andando na calçada do prédio quase foi alvejada por um saco de lixo que foi jogado de um dos andares do prédio.
Meu Deus! Ainda há pessoas que dizem que é um prédio familiar.
Talvez! Porém, alguns dizem que é uma favela em pé!
O motivo desse ato e o morador não ter colocado o lixo no horário correto É...O seu pouco caso de se viver bem em comunidade quase causa mais um caso de polícia


FALSO GOLIAS
 
 Certo final de semana Severino ficou a par de outro caso de policia , aconteceu no período noturno na alta madrugada. Nosso heroico ascensorista ficou sabendo através dos moradores e também dos colegas de trabalho de toda a situação caótica. 

E tudo foi se encaixando, o porque de algum comportamento arredio em meio à sociedade, os moradores do condomínio.

Dois irmãos muito machos e pra lá de Bagdá, depois daquela balada, ao chegar ao prédio queriam colocar o carro na garagem porém o controle estava quebrado e só poderia ser aberto manualmente, mas como o Senhor que trabalhava na guarita e o vigia não souberam administrar o caso, o sururu foi armado.

Os rapazes alterados queriam falar com o vigia ,afinal o Senhor da guarita não conseguia resolver o caso, mas ele já havia sido comunicado pelo rádio do que estava acontecendo, pois os rapazes estavam fazendo aquele escândalo na noite.

Um sujeito arrogante e cheio de razão surgiu de peito estufado e o sujeito era grande, de poucas boas palavras bem articuladas, surgiu cheio de razão e em vez de resolver o problema diplomaticamente foi bater boca com os rapazes embriagados, eles eram de baixa estatura, mas fortes. 

E os jovens alterados já estavam dentro do corredor que ficava ao lado da guarita e o bate- boca foi geral.

O resultado não podia ser outro, um dos pequenos agarrou o vigia e o grandalhão que se achava autoridade e subestimou tais pequenos homens, e foi jogado ao chão.

No final da historia sua cabeça foi rachada e resultou no seu afastamento do serviço temporariamente. Os jovens continuaram seus percursos na vida, apenas com um B.O. nos seus currículos final a policia foi convocada.

Moral da história o valentão Golias foi derrubado pelo pequeno Davi e a historia do arrombamento do elevador foi ficando para trás.


JOÃO PEDRO




Era uma pequena e velha casa onde viviam várias pessoas em família, a matriarca vivia sempre ocupada e nervosa, tinha que cuidar da casa, filhos, marido e da administração de tudo, o que entrava de ganhos e saia do lar passava tudo em suas mãos,, onde nem sempre o dinheiro dava para as despesas do mês. Os filhos mais velhos ajudavam a custear os mais novos, onde todos tiveram chances aos estudos e até algum curso extra para estar realizando uma vida melhor no futuro.

O patriarca era trabalhador e honesto, mas antes da volta do trabalho, sempre passava nos bares da vida que aparentemente o aliviava-o do fardo do dia a dia e também não tinha que escutar de cara limpa uma mulher queixosa da vida.

Das cinco filhas uma namorava um jovem rapaz comerciante. Eram dois pombinhos apaixonados na época, porém o noivo que se chamava Ricardo era extremamente ciumento e Dalva extremamente vaidosa, aonde usava roupas de cores berrantes, com muita maquiagem e infinitos adornos entre brincos e pulseiras. O irmão caçula sempre era escalado pelos pais da moça para ir de acompanhante, quando os dois iam passear de fim de semana, pois durante a semana era o famoso namoro de sofá, aonde sempre tinha alguém da família por perto.

A época era de militarismo no país e dentro do lar, onde a criançada ainda cantava o hino nacional toda vez ao entrar na sala de aula e ainda se pedia a bênção aos pais.Época dos novos baianos, dos mutantes e do movimento hippie.As calças bocas de sino tanto para homens como para mulheres, o cabelo comprido nos homens em conjunto da barba e ainda cinturões de fivelas vistosas e correntes de prata grossas e pesadas no pescoço e nos punhos.O machismo corria solto. Aonde as mulheres ainda aceitavam caladas imposições do ser macho , mas foi mudando através do tempo e de grandes personalidades femininas.

Certo feito Pedrinho saiu  num fim de semana como a função de vela, foi logo no inicio do namoro, esse ficou na praça sentado em um banco e o casal em outro a alguns metros, quando deram o primeiro beijo, Pedrinho olhou para outro lado, o cunhado vendo que este não era tão inconveniente, na volta para casa o encheu de balas e doces.

Com o tempo àquela situação melhorou para o casal, após algum tempo não levavam mais Pedrinho para suas saídas de fim de semana, a não ser quando iam viajar. Em um ano noivaram e aí aconteceu uma das coisas mais marcantes na vida de Pedrinho.

Sua irmã foi lavar suas roupas durante uma tarde de sábado, após algum tempo notou que tinha perdido a aliança, procurou, mas não achou por nada , e entre lágrimas e espanto foi chamar sua mãe que também se desesperou pelo fato.

Era uma época em que os bons e velhos costumes valiam cada centímetro, virgindade, fidelidade e honestidade eram valores preciosos.

O que Ricardo pensaria?A mãe já advertia, e agora o que ele irá pensar?

Pedrinho presenciava tudo calado,e quando as duas subiram para casa, ficou a olhar o quintal onde elas estendiam a roupa e lá só via pedras, paus, gramas e entulhos. Pedrinho olha para o céu e pede com toda sua inocência e fé aos céus ... ele ouve uma voz no seu interior que dizia,olhe para lá...Quando virou sua cabeça e baixa a vista, vê o intenso brilho da aliança de ouro, onde feliz a pega e entrega a irmã e mãe aflita, e tudo ficou em paz...Onde um dia se deu o primeiro casamento da família.E Pedrinho teve sua primeira experiência marcante de fé realizada.




A COZINHEIRA ENCRENQUEIRA





Eles chegaram em um alegre dia de domingo, tinham um casal de filhos pequenos, um menino chorão de apenas dois anos e uma garotinha manhosa de cinco anos. 


 O marido  apelidado de Tonho um jovem caboclo, era mais jovem que a sua mulher, mas aparentavam a mesma idade, afinal esse bebia uma pinguinha e fumava como o mundo fosse acabar naquele momento,era também de pouco sono.


Era magro apesar de comilão, tinha a estatura mediana, nariz adunco que deixava ainda mais suas feições duras, a  barba quase sempre estava por fazer, dando lhe características de brucutu. Era um tanto calado.porém desatava a falar quando tomava umas caninhas a mais, adorava jogos, cachaça e um rabo de saia ,e comia como rei às delicias que sua mulher cozinhava.



Sinhá sua esposa, era uma robusta nordestina de cabelos longos, ondulados e castanhos, eram maltratados por falta de recursos financeiros, afinal cabelo grande exige bons cabeleireiros e tratamentos, mas não deixava de ser uma bela madeixa pelo seu volume, que mais parecia uma juba de leão, além da cor que contrastava com sua pele morena clara e bem conservada devido a sua rica alimentação e cremes baratos que viviam besuntando o corpo.



Tinha uma plástica de fazer inveja as moças, apesar de ter mais quatro filhos do primeiro casamento, sua cintura era bem definida, as nádegas e seios empinados e as coxas bem torneadas, eram valorizados pelos vestidinhos de tecido barato mas  bem recordados,onde deixavam suas pernas levemente a vista. Seu sotaque era bem carregado e estridente, ardia aos ouvidos de quem a ouvia quando ficava agitada e nervosa.



Suas mãos eram abençoadas para culinária, mas o que tinha de cozinheira tinha de encrenqueira, o seu próprio irmão Valdir já havia informado aos colegas Cristiano, David, Marcos, Marcelo e Júnior, sobre o lado prestativo da irmã e o lado corriqueiro, pediu assim cautela para evitar brigas futuras, e como este tinha sido o locatário do imóvel e devia favores à irmã, não teve como negar tal favor, afinal tinha cuidado de sua saúde anos atrás, se não fosse por ela ,não haveria de ter resistido à morte. Sua irmã era sem duvida prestativa, mas não deixava de cobrar sutilmente tais favores quase que eternamente, era de uma esperteza e lábia incrível ,e ainda tinha o dom de perceber tudo ao seu redor e de se envolver com o que não lhe dizia respeito, chegava a ser perigosa nesse campo, e o marido sempre a alertava  desta péssima mania de se meter na vida alheia. E várias vezes ouviam Tonho pronunciar -Sinhá...Cuidado com o que você fala dos outros, qualquer hora vai sair briga feia. Mas ela se fazia de desentendida, e sempre dava no que dava, sempre uma boa discussão entre quem estava envolvida diretamente ou indiretamente a sua vida. 



Era uma casa velha e grande, tinha quatro quartos espaçosos e una suíte, ali foram hospedados os parentes de Valdir que era o morador que alugou a casa velha .A entrada que todos usavam era pela lateral da casa onde tinham o costume de entrar pela cozinha, pois a porta da sala sempre estava trancada.

A sala era mediana e logo quando o casal chegou foi estalada uma bela rede azul da cor do mar, onde Tonho sempre se deitava,onde ali roncava, e fumava, sem dar chance à outra pessoa de usufruir da mesma.

A cozinha dava vista ao grande quintal, onde as árvores frutíferas da casa alegravam as vistas de seus espectadores e faziam a alegria de todos quando colhidas.

Havia cinco árvores frutíferas, uma goiabeira, um pé de acerola, um de carambola e um enorme abacateiro, que nas épocas de colher bons frutos estes chegavam até as mesas dos bons amigos e vizinhos.


Os quartos eram divididos da seguinte forma, o irmão de Sinhá ficava no quarto dos fundos e dividia com Junior que trabalhava em um  comercio, mas como todos os outros não conseguia alugar por si só um imóvel, sendo obrigado em partilhar amigavelmente a casa velha.
Os dois irmãos Marcelo e Marcos vendiam carros usados e dividiam o penúltimo quarto, nem sempre conseguiam obter grandes vendas por este tipo de comercialização era um tanto instável e no futuro tiveram de sair sutilmente da casa tanto pelos custos como por desentendimentos. 
David e Cristiano que trabalhavam com informática tinham bons resultados financeiramente, porém seus nomes foram restritos por falta de pagamentos de algumas compras, quando entraram em crise perderam seus credito, isso o impediram de se acomodarem em alguma casa ,vivendo uma vida só os dois, então se acomodavam no quarto ao lado do de Valdir,mas ficavam pelo menos longe de ouvirem o coro de crianças chorosas.
Esses jovens rapazes faziam a alegria da redondeza e sempre no final de semana a festa rolava, mas as coisas não seriam mais como antigamente, afinal tinha um casal de crianças e uma mulher que tinha já antecedentes de encrenqueira.

Sinhá tinha o costume de estar desde cedo cuidando dos afazeres da casa, era uma mulher extremamente organizada, higiênica e rápida.As mamadeiras de suas crianças sempre eram bem esterilizadas, os lençóis das camas bem esticados e sempre alvos, pareciam até de hotelaria, ia à feira livre ou super mercados constantemente, onde isso colaborava pelos seus talentosos pratos culinários, a fruteira sempre com belas frutas frescas, variadas e bem escolhidas,  perfumava a cozinha e dava até um apetite a mais na turma. 
Tudo no velho casarão ficou em ordem e diferente com sua presença, tudo mesmo, até o comportamento dos rapazes. Foi discutido também para que os jovens deixassem que Sinhá lavasse suas roupas, onde era pago por peça. Os seus intentos já estavam a ser realizado, que eram se estalar e ganhar o dinheiro para o sustento familiar, afinal, da terra que saíram era concorridos os empregos e difíceis tais ganhos como em São Paulo. 

O primeiro almoço juntos foi um sucesso de sabores, e a harmonia que estava na velha casa fez dar inveja a muitas famílias desajustadas, o cardápio foi bem elaborado e obviamente de pratos típicos do nordeste.





Os cobres que eram arrecadados entre todos sempre aparentavam ser maior do que foi comprado, mas nunca ninguém dizia nada, mesmo assim valia apenas pelo trato que Sinhá oferecia na mesa e na casa. 


Tinha bons olhos para comprar todos tipos de carne, entendia do corte ,das partes boas do boi, porco, carneiro e similares, afinal tinha sido criada com  criadores de gado, sendo assim dificilmente algum açougueiro lhe enganava, mesmo ela dando as costas para o pedido. 


A folhas das verduras eram lavadas e colocados em uma solução um litro de água filtrada e uma colher de chá de cloro e deixados por uns vinte minutos, era lavada novamente cuidadosamente para retirar todo cloro.Os legumes cortados com uma rapidez e perfeição que poucos cozinheiros tinham, a panelas no fogão flamejavam cozinhando juntos as carnes e raízes cortadas no tamanho ideal, eram bem temperadas e escolhidas a dedo nos supermercados e feiras livres.



Os bolos, pudins e doces em caldo, feitos de frutas, de tubérculos como Cará, a batata-doce, e a mandioca, entre outras raízes predominavam no gosto principal, não dando espaço ao açúcar onde muitos pecam no exagero do mesmo, tirando o sabor dos quitutes.

As farinhas, a manteiga, o leite eram todos misturados na ordem, na medida certa para manter a textura desejada do que se propunha a fazer.



Sentados à mesa os rapazes arregalaram seus olhos diante da vedete que foi uma galinha cozida na pressão com um caldo encorpado com uma finíssima farinha de milho, onde secretamente Sinhá tinha batido algumas tenras espigas de milho verde  para acentuar o gosto do milho e ainda acrescentou algumas preciosas azeitonas verdes que havia mareado em azeite extravirgem.

O arroz era branco, solto e perfumado, aonde o feijão enriquecido com pedaços de carne não ficava para trás no visual e no aroma.

Nunca tinham visto e apreciado uma farofa de farinha de mandioca tão rica como aquela, só ela já bastaria para alimentar, era constituída de ovos, tomates, pimentões, cebolas, manteiga, bacon, temperos verdes e tinha um toque levemente apimentado. 

As saladas coloridas com pimentões de cores diversas e folhas mistas entre rúcula, alface e couve manteiga, havia um suflê de repolho com minúsculos cubos de cebola e de maça verde, simples mais inovador na mesa pelas especiarias usadas como a noz-moscada, azeite de dendê e pimentinha do reino branca, entre outros segredos.



A sobremesa foi um estupendo doce em calda de jaca mole, onde o açúcar refinado mal se sentia, dando a sutileza ao caldo como o néctar tivesse saído da própria fruta, pois era o gosto da própria. O doce de manga verde era surreal.

Como era rápida e eficaz e tinha Tonho seu marido de apoio para olhar suas crianças e até em algumas tarefas na cozinha quando os filhos estavam dormindo.

Ainda deu tempo dela assar uma carne bovina recheada com legumes para aqueles que não comiam galinha, mas não teve alguém sequer na mesa que rejeitou algum dos dois pratos principais.
Antes do banquete obviamente que rolou muita cachaça, este foi o fato do começo de toda encrenca na velha casa.

De repente a cozinheira fechou a cara e foi aos seus digníssimos aposentos descansar, apenas Júnior percebeu algo de errado, de certo o irmão e o marido sabiam onde o angu tinha desandado.
Júnior chegou até ao amigo e perguntou o porque do descontentamento de sua irmã, disse que era pelo excesso de bebida alcoólica, então Júnior ressalta, mas Tonho seu marido foi o que mais bebeu. 

Pensou com seus botões...Que coisa estranha encobre o marido e torce o nariz para os outros. E ficou por isso mesmo o fato.

Durante a semana parecia outra mulher na casa, de cara fechada e de poucas palavras, mas ficava falando sozinha às vezes, aonde chegava a ser curioso e engraçado para alguns.

O banquete pareceu ser uma armadilha que reuniria a turma toda para ela estudar e depois revidar com sua língua ferina.

Uma das primeiras reclamações que foi levado a serio foi sobre o carpete do quarto,  dizia que era velho e que estava adoecendo suas crianças devido ao pó, e que Tonho ainda não estava empregado, mas que em breve iriam se estabelecer. Que só tinha cachaça naquela casa, e que os rapazes não colaboravam.
Seu irmão suspira, serra os olhos. 

Valdir já havia levado o currículo do cunhado para ser contratado na casa lotérica em que ele próprio trabalhava, mas ainda não surgira à vaga prometida, e sua irmã era bem impaciente e suas lamurias era um tanto exageradas.Os sensos dramáticos de Sinhá eram de impressionar e Júnior começou a observá-la e tentar descobrir sua verdadeira personalidade, mas era bem difícil.

O impressionante é que o tempo que ela se fechava para as pessoas, Tonho se abria razoavelmente com as pessoas da casa, e até chegou a ir numas noitadas alegando a mulher  que ia ver emprego nas casas de jogos , mas era cachaça, mulher e forro que procurava.

Os irmãos Marcelo e Márcio se incumbiram de levá-lo nas noitadas,   isto apressou suas saídas da casa velha, pois o cheiro de perfume de outra mulher,cigarro e cachaça eram evidentes em Tonho, e os rapazes já estavam na mira da esperta mulher que os culpavam de más influencias. 
O irmão de Sinha  era pressionado psicologicamente por ela,  tentou amenizar o descontentamento da irmã, mas nada do que fazia parecia que lhe agradava e mudava a sua opinião e essa má situação. 
Chegou a retirar o carpete, mas o chão rústico também não a agradava, e sempre ela ressaltava o fato de  ter lutado junto ao irmão na doença que contraia  anos atrás,  que além de tudo, outro dia haviam visto ela de camisola na cozinha, (os dois irmãos Marcelo e Marcos quando voltavam da farra na madrugada). E que ela tinha uma família, que não era justo passar por isso.


Era óbvio, quando chegou ao ouvido de Marcos e Marcelo esses foram se retratar com Valdir, como nunca tiveram problemas entre si conversaram diplomaticamente, e após algumas cervejinhas bem geladas ficou decidido entre os irmãos que eles iriam procurar outro lugar para morar, pois eles mesmos estavam incomodados com o choro das crianças ao lado de seu quarto, e das farpas que tinha lançado no ar a atual dona da pensão.


A VISÃO DE JUNIOR.



Era manhã e Júnior ao entrar na casa velha viu Sinha em frente a pia de lavar louça, ao seu lado uma tábua de madeira de cortar carne  e uma faca, seus olhos semicerrados e algumas ruguinhas ao  redor dos olhos,Júnior percebeu algo estranho e foi direto para seu quarto,quando Júnior deitou sentiu algo molhado no colchão, num impulso grande se  senta na cama, acorda do pesadelo  transpirando muito, com o coração acelerado, olha a seu redor e vendo que está tudo em paz volta a dormir, mas antes faz uma prece para a casa toda.


Após uma semana, algo desagradável  que poderia chegar à morte e caso de policia foi relatado na velha casa.
Sinhá em prantos conta gritando ao marido e ao irmão que outro dia quando Marcelo chegou em casa passou pela sua cabeça de esfaqueá-lo e que ela poderia estar presa se acontecesse isso.


Júnior que ouvia a historia lembrou de seu sonho e da prece que fez no dia e novamente agradece aos céus por nada ter acontecido aos colegas.Na mesma semana os irmãos Marcelo e Marcos se despediram da casa, pois decidiram se instalar na loja onde trabalhavam. Fecharam com chave de ouro a sua saída promovendo um churrasco. Convidaram algumas mulheres e amigos. Sinhá inchou a cara devido aos rabos de saia.,mas de nada adiantou suas queixas ou feições, pois bem bêbado seu marido Tonho rodopiou os quatros cantos do quintal, Sinhá não despregava os olhos do mesmo.Valdir que também era festeiro cai no axé e no forró, seguidos pelos outros amigos, A festa durou até a madrugada,  o bicho pegou, quando a vizinha da direita abre sua janela e reclama do som que está alto.Sinhá se coloca como uma cascavel  em posição de ataque, e vociferando  ataca com palavras de baixo escalão,a mulher diz umas boas pra Sinha e fecha sua janela,era óbvio que Sinhá iria querer aparecer e tentar demonstrar a outras mulheres sua bravura e conseguiu de fato, aonde saíram  de mansinho quase todas elas,a não ser uma baixinha arretada de beber, fumar e dançar. quando de repente essa mulher se aproxima de Tonho e o tira pra dançar, o sururu foi armado.  Sinha pegou a mulher pelos cabelos e  fundilhos da calça e a jogou na calçada, a mulher praguejava e se debatia , mas Sinha era mais forte.A festa terminou ali, e todos foram pro seus cantos.


No final do mês o clima mudou consideravelmente, Tonho foi chamado para trabalhar e Sinhá ficou resplandecida como a lua.cheia, andava até cantando pela casa.Sem mesmo o marido  receber, foi ao cabeleireiro e deu um corte no cabelo, os tingiu e fez as mãos e os pés.
Quando o marido chegou encontrou uma nova mulher, e  Sinhá no outro dia levantou mais tarde e com uma leve olheira que estava visivelmente a festa do casal durante a noite.


Sinhá depois de um tempo arrumou um jeito de trazer sua filha Cristina Carla do primeiro casamento para morar junto a eles, afinal havia um quarto vago, onde Cristina Carla poderia se instalar, Sinhá precisaria de alguém lhe ajudando na casa , olhar as crianças, pois Tonho não a ajudaria mais durante os dias em que trabalharia.
Mesmo Marcelo deixando de morar na casa velha, às vezes,vinha visitar Valdir,  fez uma amizade com sua sobrinha Cristina Carla, onde isto  acabou futuramente em namoro.
No inicio foi um namoro meio às escondidas, mas logo quando foi esquentando a relação eles não conseguiram esconder dos olhares curiosos e desconfiados. Quando Sinhá teve a certeza ficou uma fera, não queria sua filha namorando um rapaz com uma vida instável, mas a bomba estourou quando sua filha apareceu de barriga e ai não tinha mais o que fazer, teve que aceitar a contra gosto, o rapaz que tinha praticamente expulso da casa e que até teve vontade de esfaqueá-lo.
Cristina Carla continuou ajudando a mãe nas tarefas de casa e Marcelo continuou morando no mesmo lugar e pensava no futuro ficar junto a sua nova mulher, o relacionamento foi caminhando com visitas esporádicas.

Tonho estava dando se bem no emprego, porém chegava em casa cada vez mais tarde, sem contar que segundo a rapaziada este sempre estava acompanhado com uma das amigas de trabalho, mas isso ainda não confirmava nada, e como seu cunhado Valdir irmão de Sinhá sempre chegava tarde, Sinha nunca sabia o horário certo que Tonho saía.do.emprego.


Sinhá sentia a necessidade de trabalhar, pois gostava de gastar com coisas boas e abria crediário em todo canto que podia, ela se expressava muitíssimo bem quando queria e as dividas foram aumentando, além do mais todos elogiavam suas comidas e então Júnior arrumou um lugar para ela trabalhar enquanto sua filha Cristina Carla podia estar olhando seus filhos.Foi daí que começou a se dar bem com encomendas de salgados que pela aparência e gosto eram encomendados em grande escala.
Sinhá foi mudando o visual encurtou os cabelos, começou a se maquiar cm bons produtos e sempre estava bem produzida nos fins de semana. E as encomendas foram aumentando.


Sinhá sempre comparava sua posses e ganhos com o dos  outros, dizia que David e Cristiano tinham boa profissão,mas viviam  sem nada, quem mandava ser mulherengos e levar os outros para o mal caminho,e que Tonho que era homem de verdade.
Júnior  a observava, achava que ela vivia dizendo isso para encobrir o marido, pois quem é traído sabe ou desconfia, só que nunca querem aceitar a verdade. 
Vivia desfazendo de Marcelo seu genro.este não valia nada, que era um borra botas, o jovem casal Cristina Carla e Marcelo tentavam não esquentar a cabeça com tanto falatório, mas nem sempre conseguiam.
Sinhá voltou a falar sozinha novamente, isso não era bom sinal quando estava assim obviamente maquinava algo em sua mente perversa. Carla Cristina teve um tempo que começou a passar mal na gravidez e vivia nos consultórios médicos, mas não conseguiram evitar o que estava por vir, e Cristina Carla abortou naturalmente...a criança.A tristeza foi geral, mas Júnior às vezes pegava Sinhá com um sorriso de canto e um estranho brilho no olhar.Marcelo e Carla Cristina.choraram  juntos, o incidente só serviu para uni-los mais e mais, foi o contrario de que Sinhá esperava. Pois essa tentou de tudo para colocar na mente de sua filha para deixar Marcelo, mas de nada adiantou.





A janela estava aberta,era uma tarde quente, Júnior viu duas pernas roliças passando por cima da cama em que estava deitado e consequentemente do seu corpo,em segundos ela volta com as mãos cheia de frutas e pula feliz,como uma criança que roubou um pomar,ia repetiu o ato, mas Júnior fecha a janela.Sinhá bate de cara, Junior abre a janela novamente e vê um gato preto se retorcendo e gemendo, nisso Júnior acordo assustado.Novamente um pesadelo.



Depois de alguns dias surpreendentemente a noticia correu na vizinhança toda, Sinhá foi presa no supermercado roubando alguns pacotes de atum ralado, gel e creme dental.
Foi algemada e levada até a delegacia e após ser fichada como ladra foi...Presa.O comentário foi geral entre a vizinhança e Tonho que já gostava de uma caninha entrou na garrafa devido ao fato, e durante a prisão de Sinhá a amiga de trabalho de Tonho ficou mais intima dele  do que nunca.
Após três meses Sinhá e libertada, abatida e magra, chega em casa  pedindo perdão a todos.
O tempo passou e Sinhá volta à mesma petulância de antes, e como nada tivesse acontecido se refaz como uma mitológica fênix.
No tempo que Sinhá estava presa sua irmã veio do nordeste pra auxiliar sua sobrinha Carla Cristina nos afazeres da casa, mas logo partiu, na época contou algumas maldades que Sinha tinha feito em sua cidade natal. Uma sobrinha que não a suportava, pois Sinha  inventou para família inteira que a sobrinha tinha um caso com o tio, que era cunhado dela.Roubou a própria irmã numa feirinha que fizeram juntas numa quermesse,passando a mão nos  ganhos, e com seu atual homem seguiu e o cercou de varias maneiras até conseguir agarrá-lo de jeito.
Seu histórico era grande, Júnior não se espantava, pois já havia analisado que Sinhá era capaz de tudo para conseguir o que queria.Tonho estava cada vez mais distante de Sinhá, ele nunca morrera de amores por ela,e depois da sua prisão foi um bom motivo para ele cair na farra e ir afastando.E após Tonho ganhar um prêmio num jogo, deu uma ninharia para Sinhá ,a abandonou foi  para casa de sua amiga- amante.
A casa desmoronou para Sinhá,onde ficou sem seu companheiro e depois de meses convidou Marcelo para morar junto com sua filha Carla Cristina que já estava novamente grávida. Quando o menino nasceu, ajudou a cuidar do neto , após alguns meses alugou um caminhão e levou todo bem material que pode carregar.
E sozinha e abandonada com seus filhos pequenos viveu sua vida e a dos outros que estavam ao seu redor, num cidade quente e de um povo também corriqueiro, como ela mesmo gostava.E já logo que chegou se abriu como uma flor para o açougueiro da cidade
Júnior lembra dos bons momentos que viveu na velha casa, hoje fechada e condenada, a demolição.E cada um seguiu seu caminho ,mas ainda se lembram dos anos vividos e jamais esquecidos na velha e aconchegante casa velha. 

 



O EMPREGO NOVO E A ENCHENTE




As tentativas não foram poucas, Lucas se esforçou para manter seu emprego onde ganhava razoavelmente bem, tinha privilégios e era praticamente ao lado da sua casa, mas não aguentou as pressões do trabalho, então chutou o balde, literalmente falando, se demitindo e se trancando por uma semana em sua suíte, onde não saia nem por um decreto.

Recebendo sua indenização, se deu o luxo de ir comer em um restaurante conceituado, beber vinho importado, dançar e sentir os prazeres da carne das formas mais variadas no grande centro paulistano. E após 48 horas voltou para casa mais leve, mas extremamente exausto dos prazeres da vida.

No caminho alguém surpreendentemente encontrou. Era uma amiga que a anos não se viam.

- Oi Titi, tudo bem... Que surpresa encontra-la. Como você está?

- Tudo bem! Estou trabalhando no centro de São Paulo, num escritório jurídico, sou negociadora de débitos e você bebê, está trabalhando?

- Não estou!

- Mas... Quer trabalhar?

- Claro! Sabe que eu não gosto de ficar parado.

- Anota então o telefone da empresa, que vou deixar o aviso para meu gerente.

- Tudo certo, então, ligarei amanhã mesmo.

- Bebê... Quer descer aqui na avenida dos barzinhos e tomar algo?

- Não!... Estou pra lá do meu limite de farras.

- Nossa! Você pra recusar uma bebida? Realmente não está afim mesmo. Ela então sorri.

Despediram-se, pois  ela desceria no próximo ponto.

No outro dia, Lucas liga durante  a tarde para o gerente do seu futuro emprego,mas ela ainda não havia lhe apresentado informalmente.

Luca então foi pessoalmente levar seu currículo, onde depois de uma semana este foi convocado a fazer o teste e logo foi convocado a ingressar no novo quadro de funcionários.

A primeira semana de trabalho foi inusitada e sacrificada, Lucas tinha que acordar duas horas antes do seu sagrado sono, gastava 1 hora e 45 no trajeto, e chegava estressado, suado no escritório, afinal o metro que usava era no horário de pico, onde um espremia o outro dentro do vagão. A gravata de Lucas ia de um lado a outro, e a maratona dentro deste trajeto ia de alongamento muscular entre a sauna gratuita.

Sorte ainda que era apenas três estações, mas o suficiente para ficar no corredor da morte, onde quando à frente da plataforma, sentia a multidão atrás e o ventinho do metro chegando em sua face.Que bom que algumas estações já estavam sendo criadas com portas de vidro automáticas e se abriam depois do metro já parado na estação.

Para sua felicidade, seu supervisor, passou o seu horário de entrada fora do pico de usuários do metrô. Mas em compensação saia tarde e chegava tarde em casa, mas livre da massa humana, onde nem sempre se portavam como próprio humano.

Na segunda semana foi pra desistir de tudo, um infeliz se jogou na linha do metrô causando transtorno a quem estava voltando para casa, praticamente 5 horas de atraso. Certo usuário brincou ou disse serio - Não dava pro infeliz se matar fora do horário de pico, estou cansado e louco pra chegar em casa. E por sinal ele não era o único. Resultado! Lucas chegou 3 horas depois em casa, mas descobriu outra maneira de ir  pra casa que não fosse metrô e trem.

Depois de tudo, dormiu e acordou para mais um dia de trabalho na cidade que não para, mas os transtornos não parariam pelo episódio passado.

Na mesma semana, a tragédia veio de cima, em forma de muito líquido, nunca Lucas viu tanta água cair do céu, em poucas horas as ruas e rios foram inundando o que deveriam ou não inundar, as ruas, praças e rede ferroviária. Lucas estava para pegar o trem quando viu aquele mundaréu de gente disputando um lugar no trem. Esperou um pouco, pois realmente não dava para entrar em qualquer um dos vagões. Quando conseguiu, o pior estava por vir. Feliz depois de horas entra no trem e se acomoda, mas teria uma experiência pra lá de surreal. Entre a estação Ipiranga e Tamanduateí o trem para e, o maquinista comunica:

Senhores passageiros está impossibilitado de prosseguir viajem devido à enchente do rio Tamanduateí, fiquem calmos e logo prosseguiremos a viajem.
O vagão cheio, o horário estourado, o povo cansado e com fome, apesar de que nessa hora ninguém pensa em comida, manter a calma e quase impossível, sem contar na água que estava quase atingindo o vagão adentro. A água do rio sujo e a doença de leptospirose não saia da cabeça de Lucas. Novamente o maquinista pronuncia:

Senhores passageiros, mantenham a calma, em breve virá um trem rebocador que irá vir buscar-nos. Mas o tempo passava e nada de trem rebocador.
Algumas mulheres já demonstravam desespero e choro, onde tentávamos acalmá-las, com frases feitas e criadas. Os celulares não paravam de serem ativados, era a mãe, o namorado, o marido e a mulher ligando e sendo acessados. Num vagão atrás parecia que o povo estava mais afoito, pois estavam quebrando os vidros das janelas, o ar condicionado estava funcionando, mas mesmo depois de horas o ar fica insuficiente, afinal o psicológico também estava cada vez mais abalado. O povo já com claustrofobia e com descrença nos avisos do maquinista começa a gritar para este abrir as portas para ventilar o ar. Quando este abre, todos ficam assustados, a água estava bem acima do que imaginavam. Já era duas da madrugada e nada de rebocador e da água baixar. O jeito era esperar e manter a calma. Um dos pontos interessantes foi quando o helicóptero passou e todos em euforia gritaram e ergueram as mãos achando que iam aparecer na TV globo. Outro ponto engraçado foi quando o maquinista comunicou calma aos passageiros, mas sua voz estava embargada e tremula como ele mesmo estivesse a ponto de entrar em desespero, Lucas riu da maneira que ele falou.. Outro fato curioso foi bombeiros voluntários vindo de camiseta e short, num bote para retirarem quem estava passando mal, sem ao menos aparelhos de primeiros socorros, mas vamos dar um credito para suas valentias, e outra negativa foi a falta de estrutura de resgate real. Os voluntários salva vidas aconselharam o povo depois de horas já passadas a ir caminhando, afinal a água já estava abaixo dos joelhos. Lucas como um grande hipocondríaco esperou o povo secar o restante da água nas meias, sapatos e nas barras das calcas, quando estava totalmente seco seguiu caminho andando até a próxima estação. Depois de mais uma hora, o novo trem chegou. As pessoas subiram confiantes em chegar em casa e Lucas após oito horas chega são e salvo. Ainda, graças a um velho funcionário da empresa de ônibus que pediu ao dono da permissão para poder trabalhar durante a madrugada para fretar as vitimas da enchente de março de 2008 para suas casas tranquilamente. E tudo termina bem.
É... Lucas, a batalha é dura, mas a vitória é grande!


O BOSQUE DO MOURÃO MOURÃO


Kelvin contava com seis anos de idade quando amoleceu seu primeiro dente de leite, era tradição de família fazer o ritual do Mourão mourão quando os dentes de leite amoleciam e esse ritual foi passado na família de geração em geração, onde se divertiam e nunca esqueciam com o passar do tempo de tal momento entre filho em mãe.

Sua jovem mãe o encaminhou até o grande quintal, ali o menino geralmente brincava livremente, ode um dos passatempos de Kelvin era espantar os corvos que viviam a pousar no pequeno milharal no fundo da casa o outro correr como um soldado no seu cavalo de pau.


Para facilitar Kelvin no ritual, sua mãe levou até o ultimo degrau de uma pequena escada para o menino ter condição suficiente para jogar o seu dente de leite e alcançar o telhado da casa.


-Vamos kelvin diga a frase, Mourão mourão... Jogo meu dente mole e me dá um são.

E o menino repetiu  a frase, jogou o dentinho e perguntou todo curioso:

- Mãe, que fim terá meu dente de leite?

Sua mãe lhe disse que o Senhor Mourão iria pegar o dentinho e levá-lo ao país dos dentes inúteis e em troca lhe traria um dente novo.
Era tarde e o garotinho dormiu pensando no mundo dos dentinhos de leite, iria acordar para um novo dia de brincadeiras e sonhos.

Os corvos viviam a sobrevoar os telhados da casa de Kelvin e da vizinhança e quando encontravam algum objeto pequeno levavam para a floresta e por lá foi se formando o cemitério dos dentes de leite, onde eram depositados em um grande carvalho.
Através dos anos Kelvin acabara de trocar seus dentes e era sua irmãzinha que contava com seis anos e vinha passando pelo ritual da família de jogar os dentes de leite no telhado. Kelvin achava graça, pois sabia que tudo aquilo era fantasia, invencionice dos adultos.

Liliane era esperta e loquaz, vivia a enfrentar o irmão com respostas inteligentes, mesmo kelvin sendo mais velho ficava às vezes sem ter o que responder pra irmã. Ela sempre acabava ganhando no bate boca ou pela birra.
Certa vez numa briguinha entre eles, a pequena Liliane defendeu os corvos de ter o direito de também se alimentar no milharal. E questionava o porquê kelvin vivia jogando pedras nos corvos quando estavam no milharal. Dizia que tinha milho para todos e que nem eles mesmos conseguiam comer todos os milhos depois da época da colheita.


Ele se defendia dizendo que poderiam trocar os milhos com os vizinhos por frutas, legumes e verduras, e que os corvos só sabiam fazer barulho.
Lili no ataque dizia que Kelvin era também barulhento, vivia brincando de índio e mocinho q que cavalgava naquele cavalo de pau gritando como um doido, e bem que depois comia do milho assado, cozido, o curau e bolo de milho da mamãe. Outro dia eu vi os corvos espantarem insetos que sobrevoavam o milharal e estragam os milhos ,as folhas e saberá mais o que?
Kelvin cheio da discussão diz:

-Quem disse que os insetos comem mais do que os corvos.
- Eu vi com meus próprios olhos.
- Bom, Lili não vou mais jogar pedras nos corvos e vê se me deixa em paz. 

Ela saiu correndo para dentro de casa rindo e gritando:

- Mamãe...Mamãe o kelvin não vai mais jogar pedras nos corvos que vivem de luto.


Kelvin começou a observar que às vezes os corvos pousavam no telhado da casa e voavam para o bosque verdejante, isso lhe causou curiosidade e um dia ficou de segui-los para ver o que levavam para o bosque e como eram suas vidas.

Liliane grita durante a noite

- Mamãe!...Mamãe me ajude!

- O que foi minha princesa?...Estou aqui.

Ela desperta do pesadelo e abraça sua mãe.

- Eram insetos gigantes... Aí os corvos os ajudavam para que eles não me levassem para o bosque... Aí... Uma coruja, vários...

- Calma Lili, só foi um sonho ruim, você comeu algo antes de dormir.

- Mamãe... Não comi nada antes de dormir!

Sua mãe afagou seus cabelos ondulados e macios e a pequena Lilianne logo dormiu, no outro dia uma aventura surreal aconteceria na vida das crianças, onde aprenderiam muito com a lição na floresta.


 A FLORESTA

Kelvin arrumou sua mochila onde colocou algumas frutas, uma garrafa com água, pedaços de pão, seu estilingue e uma pequena lanterna.
Logo pela manhã foi para o bosque que ficava a alguns metros da sua casa, depois de alguns metros mata adentro Kelvin encontrou um gambá, mas evitou passar por perto. Depois de quase um quilômetro encontrou os corvos que se alojavam em gigantescos pinheiros, eram tantos corvos que nem dava para contar ou imaginar quantos haviam por lá, cada vez que ele olhava mais ia chegando corvos e pousando ao redor e todos eles como num velório estavam em silêncio e com um olhar penetrante em Kelvin. De repente kelvin ouve um barulho e quando se vira para trás algo se esconde entre duas árvores pequenas, kelvin era um menino bem corajoso, sendo assim  abre sua mochila, pega seu estilingue e o prepara com uma bolinha de vidro e o estica bem, vai bem devagar caminhando em direção as árvores, quando olha o que está lá dá um grito:

-Liliane, o que você esta faz aqui!

-Calmo Kelvin! Eu só queria brincar contigo. E começa a chorar.

Ele como não aguentava o choro da irmã, finge que está tudo bem para que ela pare com a choradeira.
Nisso um corvo grasna sem parar, o som era ensurdecedor e de repente muitos começaram a grasnar e voar em direção as crianças. Assustados elas correm, kelvin ainda tentou espantá-los com o estilingue, mas de nada adiantou veio um corvo num voo rasante e o tomou. Aos montes pegavam as crianças através dos seus picos pelos cabelos, roupas, os cadarços dos sapatos e o silencio dos corvos foi substituído pelos gritos de kelvin e Liliane.

-Está vendo Liliane, por que me seguiu, estamos os dois encrencados agora.

- Eu não sabia que ia acontecer isso. 

Liliane assustada não dizia mais  nada só fechava os olhos e pensava em seus pais.
Os corvos foram voando...voando e de repente os deixou sob um enorme e velho carvalho, aonde se via um caminho em espiral em sua copa que ia pra cima e no topo uma havia algo semelhante a uma porta.
Ali ficaram por alguns instantes abandonados pelos corvos, Kelvin observou que vinha uma claridade e um burburinho de dentro do velho carvalho.

 O TRIBUNAL

Liliane também vê a claridade e grita:

-Olha kelvin!...Uma escadinha que sobe para o céu.
-Preferia uma escada para a terra Lili.

Ele pergunta se ela está com fome, ela diz sim com a cabeça.
Quando kelvin retira um pedaço de pão, um corvo aparece rapidamente e rouba lhe a comida, elas assustadas correm pela escadinha para o mais alto possível, e de repente ouve uma voz.


-Que entrem os réus.

Quando levantam cabeça e olham em frente havia um mini tribunal onde havia uma coruja de óculos e um livro preto em mãos. Os dois ficam espantados.
As duas crianças juntas dizem:
- Você fala (As duas crianças juntas dizem)
- E por que não haveria de falar - Respondeu cheia de si.
- Você é... É uma coruja! - Diz kelvin.
- E foram trazidos a mim pelos corvos por esse motivo, por eu falar e julgar.
- Julgar... Como assim?

Liliane ficava observava e meditava em sua cabecinha infantil.
A coruja continuava a pronunciar a acusação.

-Será julgado por maus tratos aos corvos e se sentenciado vivera nas masmorras do velho carvalho e sua irmã como cúmplice será também encarcerada por tempos.
-Que entrem as testemunhas - Dizia a coruja.
Nisto lagartas, borboletas, formigões e centopeias, grilos, marimbondos, abelhas, joaninhas entre outros insetos entravam no tribunal.
O tribunal dispunha de um pequeno jure misto que se acomodavam justamente no espaço dentro do carvalho.
Os réus não precisarão ser algemados dizia um dos policiais grilos, afinal então impossibilitados de fugir. Afinal estavam numa altura de quase mil metros. E todos os insetos caíram nas gargalhadas.

-Silencio no tribunal (Gritava a coruja), o garoto kelvin Brandão está sendo julgado por ter privado os corvos de se alimentarem do farto milharal e ainda espantá-los violentamente com pedras voadoras, e consequentemente sua irmã Liliane Brandão esta sendo julgada por se cúmplice do delito.

- E mentira... Sou inocente!Grita a menina.

A coruja de asas abertas agitadas e diz:

-Silencio!...Ordem no tribunal!...A Senhorita terá o momento de se defender, mas por enquanto fique calada e ouça as acusações... Que entre a primeira testemunha!


Rapidinho a dona centopeia de sapatos novos e de varias cores entra e se acomoda ao lado esquerdo da juíza.
Nisso uma jovem formiga ia batendo com suas mãos, patas e anteninhas em uma folha tudo que era dito, onde não havia problema nenhum em bater rapidamente, afinal membros e o que não lhe faltavam.
O advogado da acusação, que era Dona Joaninha, pergunta a Senhora Centopeia:

-Jura dizer a verdade, somente e verdade.
Jurou e disse firmemente a Senhora Centopeia como seus cem pés.

- Nesta primavera a Sra. estava passeando e se alimentando das folhas quando presenciou o ataque brutal aos corvos...Foi isso?
-Sim! Completou a Sra. Centopeia.
-Quem cometeu esse delito?

Ela aponta para o acusado e diz:

- Foi ele!...O Senhor Kelvin.

E os presentes no tribunal  gritavam:

- PRISÃO PERPÉTUA!

- Silencio no tribunal!... Que entre a nova testemunha.


Nisso sai de cima do teto uma linda borboleta que vem batendo sutilmente suas asas e pousa em frente ao acusado, era a advogada de defesa.

-Meu caro kelvin Brandão você realmente cometeu esse delito!
- Sim!... Mas eu... Eu estava defendendo o que era nosso... E...
- Não tenho mais nenhuma pergunta meritíssima. Disse a borboleta advogada.

O advogado de acusação vem com feições duras e com toda pompa e agressividade ao réu.

- Isso é um absurdo Senhor jurado, ser privado de se alimentar, ser enxotado como um criminoso, e o nosso trabalho de contribuição ao meio ambiente, isso não conta! E a cadeia alimentar!

O júri balançava a cabeça, kelvin estava em maus lençóis.

Liliane foi convocada a depor.

- Srta Liliane o que você tem a dizer em defesa de seu irmão.
- Meu irmão é inocente, confesso que ele tenha até espantados algumas vezes os corvos, mas ele parou quando eu lhe adverti.
- Queremos prova disso, alguém no tribunal sabe desse fato.


Uma velha aranha que estava fazendo crochê,  ao seu lado tinha infinitas peças, pois sua habilidade era incrível, ela se levantou calmamente e disse em brandas palavras.

- Eu vi a Srta Liliane defender os corvos.

A surpresa foi geral. Ela continuou.
-Foi numa manhã de setembro, eu estava a tecer minhas teias, quando os dois irmãos brigavam e ela defendia o direito dos corvos de se alimentarem... Digo que eu fiquei espantada e emocionada com a defesa da garota, por isso a defendo do seu julgo indevido.

- Nesse caso eu como juíza retiro à queixa e inocento Liliane Brandão da acusação. Liliane suspira de alivio, mas seu irmão não!...

A juíza bate o pequeno martelo na mesa.

-Que entre a próxima testemunha para depor!


Entra um zangão pra lá de zangado.

- Ele é culpado! Cruel, covarde e egoísta.
- Se acalme Senhor Zangão, diga o que presenciou.
- Eu vi com meus próprios olhos um corvo sangrando com uma pedra voadora, lançada por o acusado.
-Oh!...Expressam espanto e horror o tribunal inteiro, e o júri estava indignado pelo fato.


A DEFESA DE KELVIN E O FINAL DO PRÓPRIO

- Alguém aqui presente tem algo a falar em defesa do Senhor Kelvin?

Sua irmã se levantou e exclamou:

-Eu meritíssima! Disse a menina agitada.
-Então venha complementou a meritíssima Coruja.

Ela começou chorosa.

- Meu irmão... é um bom ser, ele até já ajudou um guaxinim quando estava machucado, mas ele não sabia do mal que estava causando aos corvos, e...Logo que eu o alertei ele se retratou, eu quero pedir clemência ao meu irmão kelvin.

A juíza coruja bate o martelo e diz:

-Que cheguem ao veredicto!

O júri foi convocado para votação, e depois de alguns minutos chegou ao veredicto.

- O júri o declama culpado com votos unânimes.

Kelvin grita!

-Não!...Sou inocente... E corre até a porta descendo as escadas, e quando estava na entrada do grande carvalho viu os guardas grilos pulando agitados em sua captura, e quando olha para baixo viu a altura que estava e teve vertigens fazendo o cair, a queda era longa e demorada onde ele ouvia a voz de Liliane:

- kelvin... Kelvin meu irmão me espera...

Quando ele estava para chegar ao chão ele dá um grito e levanta da cama e vê Liliane o chacoalhando e dizendo:

-Acorda kelvin!Acorda meu irmão...

Kelvin desperta assustado olha ao lado em direção à janela, e lá estava um corvo que lhe dá uma piscada e sai voando. Kelvin abraça Liliane e diz:

- Que bom ter você como irmã. Liliane simplesmente sorri.

Sua mãe entra no quarto e vê toda cena e pensa, que bom ter dois filhos que se dão bem, e sorri feliz da sua sorte. Tudo acaba bem, mas com poucas e boas lições de vida.



 

NÁDIA A ENIGMÁTICA




A música estava animada, as garotas Márcia e Bia estavam dançando e rodando o pequeno espaço feito um peão, onde eram os centros das atenções com suas belas coxas torneadas que estavam um pouco a mostra, sem demonstrar vulgaridade, mas sim, sensualidade.

Edvaldo ficava só sorvendo seu conhaque aos poucos, e tudo estava perfeitamente divertido, até descer uma tristeza em Paulo que nem ele mesmo sabia o porque e da onde essa tristeza vinha.

As garotas logo perceberam e perguntaram se estava havendo algo que tinha lhe desagradado, ele de faróis baixos, com a voz embargada dizia que queria ir embora daquele local, Bia e Edvaldo não queriam ir, pois de fato estava tudo muito animado, mas Lia que era mais sensível e companheira pergunta se Paulo queria ir pra outro lugar, ele diz que sim, gostaria de ir à futura casa noturna que ia trabalhar, sendo assim partiram meio contra gosto. Willy, o fusca mais conservado e camarada da cidade, estava no mesmo lugar que Bia estacionou, parecia um carro de cinema, onde este quando estava para deixar a dona na mão por não dar a partida , ela toda paciente conversava com ele e em poucos minutos ele voltava a ativa, isso dava certo quase sempre.

Sendo assim foram os quatros a procura de novas diversões e emoções na noite paulistana.

Paulo tinha sido convidado a trabalhar em uma loja de conveniência em frente a um posto de gasolina, mas à noite aquele local virava um polo de bebedeira e degustação, aonde vinha jovens que estudavam nas faculdades das redondezas.

A loja de conveniências era do próprio dono do posto, que era frequentador assíduo, afinal tinha um grande motivo para ele estar lá todos os dias até mais tarde, além dos petiscos e bebidas.

Quando Bia estava estacionando na entrada do posto, surge uma mulher correndo feito louca, colocou suas mãos em cima do capô do fusca para impedi-lo de prosseguir e com a feição assustadora gritava e chorava e dizia que iam matá-la. Era uma linda mulher de cabelos Chanel loiríssima com lindos olhos negros e de uma beleza corporal de encantar até o mais desligado e desanimado homem que passasse ao seu redor.

Bia como era a mais solidária e tomava sempre à frente das situações difíceis dizia para ela se acalmar e dizer o que estava acontecendo.

Nisso aparecem três figuras masculinas em seguida, ela ao vê-los, corre pela avenida, onde um carro quase a atropela, e rapidamente some da vistas de todos. Sem perguntas os homens viram a costas e vão embora, e Bia faz o mesmo.

A noite acabou ali para o quarteto de boêmios e durante uma semana viria a explicações parciais do acontecido, onde só o tempo passado e futuro elucidariam a mente de Paulo, pois esse não imaginava o que estava para ser revelado.

Depois de uma longa noite de sono Paulo se preparou pra seu primeiro dia de trabalho, ao chegar no recinto a primeira figura que ele vê e de uma linda loira, que mais a frente seria lhe apresentado como Nádia, aonde puxando na memória ficou espantado ao voltar a sua mente aquela cena da noite da semana retrasada.

Nádia de um sorriso malicioso e sensual ficava a observar o trabalho de Paulo, de fato esse ficou encantado com sua beleza, mas Paulo nela pressentia algo forte e enigmático.

Foi apresentado a Paulo o seu colega de trabalho, o rapaz Milton era um jovem trabalhador, onde depois de horas de conversa Paulo fica na liberdade de perguntar afinal o que tinha acontecido na semana retrasada em relação aquela cena incomum e intrigante, Milton diz que o homem que tinha agredido Nádia era seu próprio namorado e que ele tinha lhe batido, ofendido e ameaçado com seu revólver, chegou a ponto de bater a cabeça de Nádia varias vezes na parede, aonde os dois assistiam o fato sem nada a falar afinal o homem estava fora de si e armado, e no fim o terceiro homem o português estava até gostando da cena, pois Nádia era uma pedra no seu sapato,onde atrapalhava seus planos e negócios.

O agressor só parou de espancá-la quando a loira teve a chance de correr, isto aconteceu quando um simpático fusca bege do ano de 1964 chegou e deu a chance do escape.

Paulo após várias conversas com Nádia nunca tinha percebido de seus feitos noturnos e para surpresa de Paulo descobriu através de Milton, seu companheiro de trabalho, que ela tinha tomado conta de uma casa de programa em Santos, e que ela mesma já tinha se embrenhado no ramo da prostituição.

Após semanas Paulo descobriu também que Nádia tinha uma curiosa historia de vida, onde sua mãe a expulsou de casa com ciúmes de seu amante, e Nádia sem ter aonde recorrer cai no submundo da prostituição.Paulo volta ao passado...Era uma linda garotinha de cabelos negros intensos que combinavam com seu par de olhos semelhante a duas jabuticabas. Já mocinha seu seios bem delineados e empinados realçavam a flor de toda juventude.Paulo vivia discutindo com a bela jovem, afinal além de bela ,sua personalidade e gênio eram bem fortes.Paulo acorda com a lembrança dessa jovem de sorriso largo que era o mesmo de vinte anos futuros, aonde Nádia vem a sua mente nos dias atuais e tudo foi se encaixando como um grande e difícil quebra-cabeça. E a imagem do apartamento que passava as férias no mesmo local em Santos que Nádia também se hospedava, era a moradia de seus queridos tios de parte materna , e a imagem foi se apagando e a confirmação se despontando, aquela Nádia do passado era a mesma Nádia do futuro. E Paulo sorri em ter salvo do seu algoz e covarde companheiro, que se tornaria um mais novo presidiário.

ÂNGELO

Na procura da essência da vida e respostas para a morte, um jovem fica frente a frente com o bem e o mal, onde o triunfo cabia a ele mesmo, e guiado pelo que tinha guardado em seu íntimo através dos poucos anos de vida que tivera nessa terra de dúvidas e conflitos, onde com ensinamentos dos mais variados que havia tido nessa vida com orientais e ocidentais, sendo assim seu subconsciente era uma joia que o libertaria de pesadelos que nunca havia provado então. 


Ângelo na flor da juventude e vicissitude da carne, e no auge de ideias e pensamentos filosóficos de “Ser ou não ser”, buscava nos quatro cantos do seu mundo as perguntas e as respostas para as certezas e incertezas, o belo e o feio, o real e o irreal, o misterioso e o que já estava esclarecido,e a sorte lhe foi enviada em forma de luz e trevas.


Nesta procura encontra em certa ocasião num mundo paralelo entre o visível e invisível as respostas para uma de suas incertezas. Mas sua vida poderia num piscar de olhos, se perder em sua própria busca.


O jovem Ângelo boêmio, vaidoso e espiritualista, mas sem deixar seus vícios e manias, sempre dispostas a conversar e dar atenção a todos e a tudo, certo feito em um ambiente que frequentava esporadicamente, um bar formal, com música ao vivo, bebida variadas, pessoas com personalidades e ideias comuns e incomuns, conhece um outro jovem solitário.


Afinal, mesmo sempre rodeado de pessoas, Ângelo sempre só estava e ficava.


Este jovem estava sentado no banquinho em frente ao balcão, era estudante de artes cênicas. No recinto se encontrava um Sr. de meia-idade, um cantor acompanhado de seu violão e a sedutora proprietária, entre poucos outros frequentadores.


Ângelo senta ao lado do jovem futuro- ator e trocam ideias e experiências, afinal fluía uma conversa edificadora onde o assunto principal era as artes cênicas entre outros.


-Sem arte o homem não é homem, é apenas um ser robótica - Diziam -Nisso chega um conhecido do jovem ator, seu nome era Cassiano. Ele foi apresentado para Ângelo. e entre vãs filosofias, conversas fúteis e alguma até edificantes, algo incomum, Ângelo começou a sentir em relação a Cassiano. Este ser era dotado de uma beleza singular e impressionante nas palavras, onde Ângelo notara que seus olhos eram de um azul que jamais teria visto antes, seus cabelos eram como fios de ouro finíssimos e brilhantes ,sua voz sedutora prendia a atenção de qualquer ser, fazendo com quem estava ao seu lado ficasse encantado e preso. 


No meio da conversa Cassiano retira um volante de loteria e oferece ao jovem ator e o jovem oferece á Ângelo, aonde ele diz:


- Pra que aceitar? Se ganhar nem saberia o que fazer com todo esse dinheiro, no momento isto não é o que procuro.


Novamente aquele ser de beleza ímpar, oferece em meio a conversa outro prato requintado que vários seres desejariam.


- Está bom Ângelo!... Se com o tempo você continuasse com essa juventude, outros enxergaríamos sempre esse seu magnetismo pessoal você gostaria?


Pegou no pronto fraco de Ângelo que era a beleza, pois sua vaidade era sem limites, mas pensativo e relutante lhe diz:


- Que graça teria ver nosso ente-querido a envelhecer e perder o viço da carne e ter que se esconder cada vez mais de tudo e de todos.


Aborrecido aquele ser se retira e Ângelo o segue, deixando o jovem ator a sós.


Eles andaram por algum tempo, Ângelo sempre conversador e Cassiano semi calado sendo assim, acabaram andando em círculos, depois de minutos quando Ângelo se vira para perguntar algo para Cassiano, vê da face de Cassiano algumas erupções saindo de sua linda pele, disfarçadamente Ângelo pergunta qual o caminho para voltar ao bar onde estavam. Ele aponta com a mão e diz:


- Suba esta rua - Disse Cassiano.


Mas que rápido Ângelo chega no local, onde tudo estava em seu lugar como deixou. A não ser por um novo e estranho personagem. Ao lado daquele senhor que ali ainda estava antes um ser que Ângelo nunca viu antes estava ao seu lado, este ser tinha olhos penetrantes, sem cor definida, era de uma maldade indescritível no olhar, os cabelos opacos e sem vida, os traços extremamente finos e de baixa estatura.


Bebeu um copinho pequeno de alguma bebida em um gole só, e tragou algumas vezes o cigarro soltando círculos de fumaça, como estivesse fazendo um pacto. Temeroso e com as pernas pesadas como se estivessem com correntes de ferro, ali Ângelo ficou imóvel e lembrou de um dos livros que tinha lido, sendo assim pediu para que um anjo estivesse ao seu lado. Nisto Ângelo tenta se virar de costas, mas dentro do seu intimo uma voz lhe diz -Você não tem fé, não olhe para trás.


Ao lado de Ângelo uma voz humana ecoa.- Vai para casa você este cansado!!!


Nisto todo o peso de suas pernas se vão, onde ele rapidamente sem olhar para traz sai do recinto.


Quando Ângelo estava atravessando a rua, um homem de estatura grande e olhos brilhantes e ofuscantes o insulta, fazendo-o retornar ao outro lado da rua. Nisso um automóvel vai parando no meio-fio, ao seu lado algo obscuro e pesado ali se encontrava e novamente aquela voz em seu interior lhe diz: 


- Olhe para frente!


Nisso ele vê dois jovens de cabeça baixa trajando vestes brancas e escuta uma voz de fundo- Entre no meio dos dois.

O automóvel que estava a parar desviou e seguiu seu percurso e os jovens de branco acompanharam Ângelo até o final daquela rua, não foi trocado uma palavra ou gesto, nem ao menos Ângelo olhou em seus rostos´pois sabia da onde era esse ser. E em seu lar Ângelo refletia sob sua fabulosa e perigosa experiência espiritual... Aonde a arte imita a vida e a vida imita a arte, que caminhos opostos não se cruzam, pois há um mediador, protetor e sentinela, nas vidas dos que procuram e ficam do lado do bem...


Descobriu um dos mensageiros do pai da mentira e dos presentes ilusórios e dos dons inúteis... Que há proteção e existe a providência divina.


Mesmo assim, Ângelo ainda vagou anos a procura de mais respostas sob a vida, amores e passados, mas algo especial sempre sentiria, pois tudo que procurava era com o coração e alma, assim as trevas noturnas não o devorariam, pois onde existe luz as trevas se dissipam.




MIKE ASSISTE UMA REUNIÃO RELIGIOSA



- Digãooo!...
 Quanto tempo que não escrevo nada pra você meu amigo, saudades mil guri!... Me faz um favorzinho tche, manda um abraço pra família do gigante Cássio, do nosso grande timão... Bah, o convite está de  pé ainda né? Quero conhecer essa cidade linda chamada Veranópolis... Hi hi hi hi.Vou até comprar uma cuia de chimarrão, Bombacha e um chapéu Guasca preto bem estiloso...Vamos arrasar no Vanerão.(Risos)

Digão matei minha curiosidade e fui ao YouTube e assisti alguns vídeos de um religioso famosoooo... Que não sai da mídia, mas fiquei meio confuso com suas divergências na sua oratória, uma delas é que comparei pela igreja que a velhinha que visito de fim de semana, parece que por lá não confundem religião com política, são democráticos, não se metem na vida alheia, pois eu ouvi dizer em livre arbítrio e que deus é pai e não é padrasto, ele não sai atirando pelas costas e dizendo que uma bala foi em: Nome do pai, do Filho e do Espírito Santo, como disseram que aconteceu no caso de  John Lennon, alias,mas que deus  é misericordioso e na sua casa tem muitas moradas...Que tudo que o homem faz com amor e não por cegueira e ignorância...Assim poderá chegar a um paraíso, espero que tenha um paraíso de corintianos, rsrrs... Será que eu estou me interagindo nessa filosofia de vida?... Quem sabe?

Até hoje não entendi o porque do ser da sua espécie viver atacando uns aos outros, um exemplo: Disseram que ser homossexual é coisa do demônio,que é aberração, que é como ser um drogado, que é maldição de família... E que... Bla bla...bla... bla  ba...bla... Mas eles esquecem que são rodeados de profissionais em suas vidas e que necessitam deles e são tratado por eles, passam lhe conhecimentos, embelezam seus rostos e corpos, cultuados no futebol e shows, até sem saber suas sexualidades se é X ou Y...
 Outra pérola do homem é que afrodescendente é uma maldição, afff... Queria ter na minha vida como amigos essa “maldição” linda, forte e talentosa como:
O ministro Joaquim Barbosa, Pelé, Camila Pitanga, Will Smith, Milton Gonçalves e o grande Nascimento... Robinho, Beyoncé... Entre outros milhões de belos negros.

 Seria muito bom um mundo mais que colorido, e a cor deveria refletir o caráter, a bondade e a honestidade na pele dos seres, não acha? Iria ser divertido... (Risos) Olha, nem acredito em tudo que dizem, mas é bom ver os vídeos e tirarem suas próprias conclusões.
A mulher também tá em baixa com esse grande orador e produtor de eventos religiosos, disse ele que a mulher deve voltar a ser do lar, se dedicar mais a família e, que o prazer, hummm... Não entendi muito essa parte, parece que se ela quiser prazer, que case com outra mulher, pois mulher nasceu pra ser mãe e cuidar do marido, bom nem acreditei nesta parte, mais se a mulher não ajudar como fica?
Com o tomate tão caro a 13,00 reais o quilo e o custo de vida também alto, tantos impostos criados... O homem vai ter que trabalhar umas quinze horas por dia, aí não vai ter prazer mesmo para o casal, vai chegar cansado e só dormir o varão... Rsrs...
Ahh... Até ia me esquecendo do Velô ou Caê , o Caetano Veloso também entrou na SANTA INQUISIÇÃO, ele vendeu 1 milhão de CDs , mas antes mãe menininha desejou que ele fosse abençoado, devido ao fato, e o que ele disse em público foi crucificado politicamente em frente a muitas pessoas no culto da alienação.

Olha!...Muito bonitinho o cabelo dele, as sobrancelhas feitas e unhas, as roupas chiques que o povo ajuda ele adquirir, a oratória e os seguranças que elucidam que ele deve ser importante ou perigoso pra sociedade, mas eu não tenho cartão de credito, nem alguns reais ou sei lá, pra ajudá-lo. Ele distribui depois pros necessitados e ajuda na educação sem alienar as crianças, compra remédios pros carentes depois desse rateio religioso? Esse deve ser um santo homem, mas alguma coisa errada aí tem? Percebi que muita gente quer ser como ele ou ser salvo através dele; salvação que eu saiba é individual e  quem escreve o nome da pessoa no livro da vida é deus, até ouvi uma jovem culta defender mesmo vendo os vídeos dele no YouTube ele dizendo algumas frases políticas será que teremos um país estilo ditador ,nem sei como me expressar? Afff... Até lá espero uma abertura melhor na educação para os jovens e que o povo não esteja tão desesperado por  viver tão mal no nosso país ou mundo e querer comprar a felicidade no céu, que seja através de bons atos e do amor.

Li outro dia que deus dá de graça os dons e devem curar de graça e que é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha de que um rico entrar no paraíso, muito confuso isso, pois quem é rico fica mais rico retirando dos pobres e ainda pregam o paraíso, algo não condiz... O que você acha amigo Digão?
Uma amiga minha um dia disse: Olha Mike quando você vê uma multidão indo somente pra uma direção desconfie, geralmente estão todos errados, mas é de se pensar mesmo.
Mas é por isso que quero ficar nesse meu mundinho de cachorro de boa, só correndo atrás da minha nova bolinha amarela, dormir e ler muito pra aprender. Outro dia veio um sociólogo aqui em casa, é inteligente, bondoso e ainda trabalha com jovens, mas ganha tão poucoooo... Porque ele não entra junto nessa moda de levar multidão ao delírio psicológico e de desprendimento material?Assim ele com sua arte e formação, talvez ajudasse mais a sociedade do que essas pessoas que nem estudos e pós-graduação têm, tanto na política como na religião... Parece-me que existem pessoas oportunistas demais no mundo da espécie humana.
Ahhh... Cansei desse papo Digão, uns dizem que estamos voltando pra idade média, cachorro era bem tratado nesta época? To com medo meu amigo... Mas você vem e me protege né... Rrsrs.

Algo estranho está acontecendo, meu faro canino me diz, mas não sei o que é? Será que é o fim do mundo? Não deve ser do homem. Ahhh, outro dia caiu um meteoro na Rússia, disseram aqui no Brasil que infelizmente não caiu no plenário, teve até piadinha no Facebook.O povo é bem tirador de sarro, mas quando irão realmente utilizar o dinheiro público na:Educação e Saúde , a insegurança e demais também nos grandes centros, falta até de água no nordeste,enchentes nos grandes centros...E pra nos animaizinhos de estimação o que vai ter de benefícios ...Rsrrs Aí que sonho..rs 
Bom, hoje tem jogo do timão pela libertadores, torce ai, Jaguara...(Risos).
Digão saudades demais de ti guri, me leva pra uma cidade mais tranquila, cheia de verdes prados, lindas gauchinhas da minha raça, com ração a vontade e de graça... Rsrrs.
Até mais Digão, saudações corintianas!




MIKE NA CASA DA TIA





Olá Digão, quanto tempo guri que não nos comunicamos por Email, muito trabalho por ai no sul?
Aqui tá tudo em paz, hoje estou enviando este Email da casa da tia Déia, a mulher da limpeza foi viajar com a família e eu não pude ir, ouvi por baixo que cachorro era proibido dormir no hotel, afff... Essa vida de cachorro é boa, mas às vezes tem um boicote animal. Trocadilho básico né Digão, você sabe que gosto muito disto. (Risos)
Nossa Digão, estou me sentido ótimo aqui  no ap. da tia Déia, é um apartamento amplo, com uma bela vista, tem o Thor negrão, estamos fazendo uma boa amizade, e adivinha mais o que está rolando?Tu vais ficar orgulhoso Jaguarão. Rsrs Estou aprendendo português com um grande professor aí do sul, o cara é rocha nos dois sentidos. Rsrs E esportista... Malha o corpo; toca guitarra numa banda;  torce pro grêmio, mas parece ser diplomático, pois disse que torceu pro meu timão na libertadores da América. Bah, como dizem eles, pois aqui dizemos : Ué. Rsrs  Logo...Logo já posso ir pra faculdade canina.O bacana que a aula é em vídeo,  assisto várias vezes, ele tem um sotaque legal, igual o que você tá pegando. Mas ele pronuncia todos os R; S; L, M, direitinhos. Ele gosta de usar o tu,e conjuga tudo corretamente, aqui é engraçado, é uma mistura tão grande de gente e sotaques que vira uma miscelânea de maneiras de se expressar , agora vou seguir o exemplo deste professor Rocha.
Essa semana foi muito triste né Digão, assisti a reportagem do fatal acidente, poxa vida ,como a espécie humana é egoísta,capitalista ao extremo, colocaram os jovens numa arapuca, tinha capacidade pra 640 pessoas e colocaram  240 pessoas a mais e, ainda não deixaram eles saírem pela porta de emergência quando estava pegando fogo no teto,pois tinham que acertar  a comanda. Afff... Que triste, o Brasil ficou de luto, até a presidenta Dilma chorou na entrevista, ela iria viajar ao Chile, mas cancelou a viajem para ir consolar as famílias das vítimas. Presidenta, pois ela quer ser chamada assim, pois senão seria presidente, pois tem palavras que não passam para o feminino Isso eu aprendi com o professor Rocha, o gremista muita do fanático... Rsrs. Fiquei emocionado no acidente em Santa Maria com um herói que saiu com a esposa sã e salvo, mas voltou pra salvar outras vidas,mas infelizmente não voltou, era um jovem militar. Eh, ainda existe gente boa e valente, vindo dos pampas não duvido mesmo, o sul tem homens perceptivos politicamente e de sangue na veia.
Mudando de assunto, pois estou ficando meio Depre. Eu quero ver quando meu  timão estiver  na integra, com o time titular  e  pegar aquele time de azul- bebe , meu timão vai detonar. (Risos). De boa Rocha, sou seu fã, não vai inchar os músculos, senão eu corro. Ha, ha ha ha.
Bom, Digão, o tio Chico parece um andarilho, um dia tá na casa de um, outro dia em outra, quando não trancado no quarto esperando o mundo acabar.Mas hoje parece que ele vai usar seus dotes culinários , vai fazer Sushi..hummm delicia, eu gosto também.Rsrrs Bom, gosto de tudo né.
Quando vai  visitar nos aqui em "Sampa"?, A cidade fez 459 anos, teve muita festa na cidade, só faltou você por aqui, já sei... Muito trabalho aí na festa da maça.Ah, fiz um poema pra tua cidade guri...Veja o que achas?


 VERANÓPOLIS

Conheço-te por nome,
por teus lindos e curiosos detalhes...
De um coração saudoso na cidade de Santa Catarina
que te descreveu na beira do mar verdejante...
É Vero.
Conheço por cidade em forma de bosque,
onde um grande coral de saracuras canta harmoniosamente,
quando águas do céu regram teus mais variados tons de cores...
Acima da serra e do rio das Antas situa-se,
acolhendo teus visitantes deslumbrados dos mais variadas
iguarias da encantada festa da maça...
É Vero.
Somente te conheço pelo nome,
detalhes e pelos bons ares que descrevem.
E como um beija-flor almejando o néctar,
pousarei em ti num dia especial...
Alegrando a vida que irá irradiar
na entrada que está rodeada de Hortênsia,
que demonstram o que nos espera.
É Vero...
É Veranópolis.

Espero que você gostou Digão!?

O tio Chico tá todo feliz ,vai chegar o livro dele semana que vem ,adivinha quem está no livro. Morra de 
inveja da branca. Rssrs-Eu estou na historieta, ele fez um conto e me colocou como personagem principal, vai sair no , "PALAVRA É ARTE", vê se me divulga por ai ,quem sabe alguém me descobre e fico sendo ator de TV.(Risos)
Essa semana tá friozinho por aqui Digão,  mas gosto deste tempo, me sinto mais disposto e criativo; estou observando bem essas pessoas novas que estou conhecendo no ap. tem um garotinho aqui bem legal, ele vive provocando a irmã dele  é coisa de irmão mais novo né. Rsrsr
A irmã dele  é Vegana, não come carne de espécie alguma, que bom né, tó sabendo que na China comem até cachorrinhos, quando vejo um Chinês na rua saio correndo, sai pra lá carnívoros.Que bom que a China é distante.Rsrsr
Digão... Aconselho umas aulas de português com o Rocha gremista, você vai aprender muito e ainda vai conquistar as gurias por ai com maior facilidade. Rrsrs
Oba!...O Sushi já tá pronto, vou ficar rodeando a mesa pra ver se vou ganhar um, já me conhece né, faço aquela cara de gato de botas. Rsrsr. E sempre ganho algo.
Bye! Digão, vamos conversar qualquer dia pela Web Cam.
Sorte pra ti guri. ( Risos)










MIKE NA COPA LIBERTADORES DA AMÉRICA




- Oi Digão, espero que esteja tudo bem por aí no Rio  grande do Sul ... Meu amigo!...Este ano estou radiante e orgulhoso do meu time do coração... Você sabia que o goleirão do timão, o gigante Cássio, é da cidade onde você está morando, ehhh... É de Veranópolis... Hum... Quando você vai me levar pra passear por ai? Seu Jaguara.(Risos).
Pois é Digão, muitos não acreditavam , os Anti Timão. Mas, foi inevitável, toda aquela energia e a campanha Alvi negra levou o time a ser... Campeão Mundial de Clubes da  Fifa...Vai Corinthians!...Rrsr.
Digão, o tio Chico maneiro esteve este fim de semana por aqui, está todo orgulhoso, pois recebeu um aumento de salário, esse dia brincou comigo, me deu um  ossinho e bifinho de couro natural...Hum, delicia me esbaldei. Esse tio Chico é legal mesmo.
Minha bolinha verde furou, que pena, brincávamos tanto com ela, agora só tem uma coxa de frango de plástico que fiquei colocando no colo do tio Chico, ele tava meio lento, estranho, mas até que o animei. Rsrs...Eu sou demais...Bom, isso você já sabe, até me deixou aqui com sua mãe...Rsrs. Seu Paulúcho.(Risos)
Hoje a noitinha vamos  num aniversário de um membro da família, era um baixinho que jogava basquete e que hoje esta enorme, parece uma vara de cutucar estrelas mas, se aposentou do basquete pra trabalhar e estudar. Espero que a festa seja legal. Adoro as pessoas que dizem, dá só um pedacinho de carne pro Mike, mas como tem muitas pessoas, ai fica um pedaço grandão. (Risos)
Como a espécie humana  e desunida, nem percebe o movimento a sua volta. Aí, eu me esbaldo mesmo... Rsrs Como até virar os olhos.
Mas voltando a libertadores, eu queria ter ido pro Japão... Mas é longe e caríssimo, sei que teve torcedor que até largou o emprego pra realizar esse sonho. Que  paixão!!!. Como a minha paixão pelo churrasco e jogar bolinha. Rs .Nem pra Veranópolis ainda fui, né seu Mané, quanto mais pro Japão!
Digão estou sabendo que você está trabalhando num Banco bem conceituado, bem que poderia me trazer um churrasco gaúcho e uma China Dog desta região. Rrsrs.
E o Vanerão... Tá pegando muitos por ai?Aqui só rola Funk, afff... Detesto, mas rola um Pop Music, o conceituado Samba... O bom MPB, que é simplesmente poemas musicados e bem cantados. Viu!..Tó bem interagido no mundo musical.
Estou meio preocupado... O véio do time de verde tá com o dedão machucado, nem tá bebendo aquele liquido amarelo e  gelado, foi trabalhar mesmo de licença, que estranho, o chefe dele pediu pra ele ir mesmo assim...Pode isso?Bom, deixa pra lá, o dedão é de cada um, mas que chefinho fio daquilo... Rsrs
A Mulher do veja e do sabão em pó tá bem feliz, agora mudamos novamente pra um apartamento maneiro e de fácil limpeza... Menos produto, mais sobra de dinheiro, mais passeios e ração..Rsrs
Mas ela parece que tá ficando chique, contratou até uma pessoa pra limpeza pesada, nem sei quem é, espero que goste de cachorro. Rrsrs
Voltando ao tio Chico, ele veio todo bem arrumado e fashion no apartamento, mas sua cara não tava a das melhores, ele não me engana, tentei diverti- lo e distraí-lo com minhas brincadeiras, acho que consegui, dizem que animal de estimação e anti-stress.Que bom deve ser por isso que me aturam tanto. Rrsrs
O rapaz da boina italiana, (o Leleko), boina,pois a namorada  dele pediu pra ele retirar, foi na luta grandiosa do UFC-SÃO PAULO...Onde Vitor Belfort e Michael Bisping fazem a luta principal.  O tio Chico ficou todo orgulhoso do sobrinho.
Saiu uma tola briguinha dos dois, porque ele foi na grande luta, afinal no fim de semana  a namorada quer o namorado ao lado, ele até que não pensou muito no caso, ou convidava a Filé mignon pra ir junto, ou mandava ela pra casa da mãe dele fazer um bolo pra quando ele chegasse do evento...(Risos) Machista eu  né. Digão?Mas parece que ela acabou comprando uma entrada pra luta e estreitou o garotão. Rrsrs
Digão tó meio cansado, vou nessa, sábado preguiçoso e a Mulher da limpeza agitando os produtos sem parar e a  Fernandina desmaiada no sofá, afff vou dormir  também... Fui!...
Um Bah!...Carinhoso pra ti... Guri... Rsrs

PS.: Não esquece o meu churras Gaúcho, seu Paulúcho. hahahha!


EU, MIKE E MINHA VIDA DE CÃO


Olá caro Digão, aqui em Sampa tá tudo bem, esta meio friozinho, mas dá pra passar, só fico dentro de casa mesmo. Vida de cão é uma maravilha, comida; banho; tosa; brinquedinhos e passeios... Mas como disse antes, às vezes temos nossos stress. Outro dia ouvi a menina que parece com a Vandinha da família Adams, que disse – “Se deus quiser tudo vai melhorar” - E já está melhorando, nos mudamos para uma casa nova, bem espaçosa e tem um quintal pra eu correr bastante, antes era um pombauzinho, onde a demarcação de território era brava, tinha pouco espaço pra necessidades fisiológicas, mas deixa esse assunto pra lá, é muito pessoal.
Voltando a dizer da Vandinha, que na verdade se chama Fernandina, e não é que melhorou mesmo. Quem é esse deus que eles tanto comentam? Uma fica dizendo toda hora... Ai meus deus. Mike!A mulher da limpeza, a do veja e sabão em pó, você sabe quem é ela, conviveu com ela uns anos. Só não entendo muito por que você me abandonou. Alias, nunca ligou mesmo muito pra mim, saía às vezes com seus amiguinhos pra baladas e me deixava sozinho. Tó aprendendo a mandar Email agora, se fosse em outras épocas ia te dedurar pra instituição de proteção dos animais de estimação...Há, há, há! Seu tonto, eu aproveitava com a sua ausência e zoava a casa toda! (Risos) Alias, deus trabalha em alguma instituição trabalhista ou coisa do gênero?...PROCON talvez? Tudo mundo manda reclamações pra ele e poucos agradecimentos?
 Mudando de assuntos difíceis... Sabe aqui em casa, têm um Senhor maneiro morando com a gente agora, fica vendo futebol e dizendo umas palavras impróprias quando o time de verde dele está perdendo, ele parece que usa a camisa do time quase uns dois dias seguidos. é  pra dar sorte?E por isso que são apelidados de porcooos!? O apelido do meu time combina comigo mesmo. Rsr...Ele até que é legal, brinca comigo às vezes.Tem um rapaz de boina que vive com cara de feliz, outro dia trouxe um filé mignon pra casa, é segredo viu, deve ser a namorada dele...Rsr. A Fernandina nesse dia chegou toda feliz em casa, parece que ela trabalha com jovens na fundação casa, ela disse que os meninos são bem educados por lá, diferente de outros lugares que ela deu aula.Ela está se realizando profissionalmente...Eu não sei o que vou ser quando crescer, talvez modelo, deve ser uma trabalho simples e ganha bem, mas dizem que têm que fazer regime, to fora então!Acho que vou ser um cão vadio caseiro... Rsrs e esperar esse povo maravilhoso cuidar de mim, outro dia me deixaram sozinho, ai tive uma ideia... Liguei o rádio, tinha umas notícias e umas músicas maneiras dos anos oitenta, do tipo que o rapaz bon vivant gosta, o da boininha de Italiano com pernambucano... Rrsrs. Eu também estou paquerando!...Outro dia me levaram na casa de uma senhora e um senhor idoso e tinha uma tal de Suzi, e bem bonitinha , mas ela vive rosnando, parece que tem problemas respiratórios, mas acho que dá pra encarar , e bem educadinha , mas cheia de frescuras, acho que vou ter que me adaptar, ela faz xixi no jornal. Eu em todo lugar, como você mesmo já conhece, e aí em Veranópolis tá tudo bem? Voltando a  falar da casa dos velhinhos...O senhor idoso ficava me olhando com uma cara meio de bravo ou de quem não estava gostando da minha presença, eu nem liguei, “veio” chato,acho que ele não gosta de animais...Rsrs
 A senhora até que era simpática, fez pamonha, bolo de milho, pipoca e tudo mais. Ela no final do dia se arrumou toda e se mandou pra uma festa, parece que era uma festa espiritual com deus, foi o que ela disse. Teve ser bacana, será que podemos ir também? Agora tó entendendo mais...deus construiu o mundo e as boas pessoas ficam cobrando e agradecendo a ele...Pedindo coisas todo tempo e outros destruindo o  que ele formou...Que confusão canina essa minha! Um dia vou prestar mais atenção na velhinha e nos noticiários... Falando em noticiário, que mulher brava aquele Irene Furacão, Irene... aff ainda fura cão , quero distancia dela...destruiu várias casas e árvores nos Estados Unidos...Lá sempre aparece uma mulher destruindo tudo? Tó falando... Vida de cão e bem mais tranquila, a Suzi, por exemplo, só rosna, não destrói nada.
Teve jogo do timão, o Corinthians essa semana, ainda não descobriram que sou Corintiano... Rsr,Engano a todos, fico torcendo contra o time de verde quando ele joga com o meu...eu que não vou rosnar ou latir quando o Corinthians fazer um gol, ainda mais que outro dia jogaram um torcedor no rio Tietê,to falando, como complicam o espetáculo.Que violência descabida!...Será que vão me jogar no rio Tietê se me descobrirem?
 Ah! Tenho um amigo chamado Timão, ele  é preto e branco, é corintiano, bem divertido nossa amizade...Outro dia apareceu um tal de Chocolate,mas...é meio afrescalhado, cachorro de madame, onde já se viu se chamar Chocolate..há, há, há, mas ele  é maneirinho, dócil e playboy, parece contigo..Rsr.Quem é aquele maluco? Com cara de sono que vive trancado num quartinho na casa daqueles velhinhos da pamonha, pipoca e milho verde, ele é meio estranho... Ele tá ficando careca igual ao tio Chico da família Adams... Rsr.Vive ouvindo umas músicas ,clipes e shows da mesma cantora várias vezes, uma tal de Olívia Newton John... Tem a coleção inteira dela de discos, CDs e DVDs... E outra cantora... Italiana, tentou até aprender a língua italiana on line, mas papagaio velho é difícil aprender língua nova. Rsr. Agora deu pra ouvir Mozart, Beethoven e outros clássicos.
Digão esse povo quase nunca me leva pra passear, tenho que ficar vendo Orkut e Facebook à tarde inteira, mas... Quando estou sozinho em casa, assim me distraio um pouco, mas sempre com minha bolinha verde do lado, aquela que eu peço pra espécie humana jogar às vezes ou quase sempre... O tio Chico, o que parece com ele, outro dia fez uma visita na casa nova e fiz o mesmo ritual da bolinha. Parece que eles gostam, aí corro, a mordo e dou de volta pra eles jogarem novamente, aprendem rapidinho... Mas quem comanda sou eu coloco a bolinha no colo deles, se tentam pegar antes, aí eu mordo... Alias quem é que manda na brincadeira? Rsr.
Espero que meu e-mail chegue inteiro, estou ficando moderno tá vendo! E vê se não perde o contato como a maioria da espécie humana. Vivem enchendo o saco pra serem adicionados e depois somem. Esses humanos são uma piada mesmo... Rsr.
Tenho um segredo pra revelar, mas já passou a neura... Quando morava naquele apartamentozinho quase pulei do quarto andar, estava meio depressivo por causa da Suzi e outras coisas, mas ouvi falar de um tal de “psiquicolo”?Não!... Psicólogo... Que comentaram naquele dia, e que tinha uma caixinha de “Rivotrex”... Mastiguei uns escondidos... Nossa! Relaxei e dormi muito, acordei outro cão. Aí podem reclamar da casa que não tava limpa...porque fiz pipi a vontade pela casa inteirado, que o  time de verde perdeu. Quem comeu bolacha sem...o pratinho.Quem pegou o creme de rugas, Rsr...Esse computador que está sempre ocupado!... Quem usou a toalha e não colocou pra secar... Nossa! Ser humano é complicado, eu que não deixo essa vida de cão por nada. Tenho pena dos manos da rua, os cães sem dono, mas fazer o que...Tive sorte de ser escolhido pra viver com essa família, são tantas coisinhas miúdas pra resolver...Porém sou feliz ! Rsr Bom!...Vou me despedindo dessa, chegou gente no portão de casa e tenho que pular fora do computador.


 Até mais Digão e vê se "pinta" nos próximos churras.



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